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  Históra da Imigração Japonesa
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O cultivo de flores e os imigrantes japoneses
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
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A contribuição dos japoneses na agricultura
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Japoneses no comércio desde 1906 em SP
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Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
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As estradas de ferro como referência
A localização dos primeiros imigrantes japoneses
Os agricultores pioneiros da periferia de São Paulo
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Os japoneses em São Paulo
A vida difícil dos imigrantes nas fazendas do interior de SP
Hospedaria dos Imigrantes, a primeira parada
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Dispostos a gastar toda a sua energia no trabalho, muitos imigrantes viram suas forças sugadas pelas doenças tropicais

PASSADO - Malária matou cerca de 80 pessoas na Colônia Hirano, na Noroeste

APOIO - Donjinkai buscou estruturar serviços de distribuição de soros

(Fotos: Fotos: acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Em algumas fazendas de café, muitos colonos chegaram a acreditar que os imigrantes japoneses não temiam a malária. Isso porque muitos deles aproveitavam as folgas para se embrenhar nas baixadas, perto das regiões úmidas, para cultivar arroz, o seu alimento predileto. Engano dos brasileiros – eles, habitantes da região temperada, simplesmente desconheciam o perigo escondido nesses locais.

Não foi somente a malária a principal inimiga. Os problemas já começavam no navio. Com as viagens demorando cerca de dois meses, e as acomodações pouco adequadas, registraram-se surtos de moléstias contagiosas como ocorreu a bordo do Wakasa-Maru, em 1918, que transportava 1.800 passageiros – a encefalite provocou a morte de 53 pessoas. Os passageiros do Hawaii-Maru, em 1929, enfrentaram um surto de cólera que levou à morte 17 dos 52 contagiados.

Com o passar dos anos, as condições dos navios (na maioria, velhos cargueiros) foram melhoradas, mas sempre as autoridades sanitárias estiveram atentas para a prevenção desses e de outros surtos de doenças contagiosas, como o tracoma.

Nas fazendas de café, em geral localizadas em regiões já “desbravadas”, escreve Hiroshi Saito no livro O japonês no Brasil, os imigrantes dispunham do atendimento da saúde pública ou dos médicos contratados pelos proprietários (cujas despesas eram descontadas do salário do doente!). “No entanto, quando os imigrantes seguiram para as zonas pioneiras, além da inacessibilidade ao atendimento médico, as condições de vida eram bastante precárias”, continua Saito, “agravado ainda pelas mudanças do regime alimentar e pelas condições de trabalho”.

O caso mais conhecido ocorreu em 1915, na região de Cafelândia (estação da linha Noroeste), em que 80 famílias vindas da zona Mogiana fundaram a colônia Hirano. Logo no primeiro ano, a malária atacou praticamente todas as famílias e, no período de alguns meses, faleceram cerca de 80 pessoas. Essa tragédia está contada no romance A mata das ilusões (Mori no Yume), de Massao Daigo, publicado pela Aliança Cultural Brasil-Japão, 1997. A história da colônia Tomé-Açu, no Estado do Pará, cuja história é contada por Fusako Tsunoda no livro Canção da Amazônia (.....), também é marcada pela luta sem trégua contra a malária.

É possível montar uma longa lista com as doenças de maior incidência entre os imigrantes japoneses mostrando que a fase de adaptação foi uma luta desigual pela vida. As “doenças da alma” como diziam os antigos, também deprimiu aqueles homens e mulheres nas frentes pioneiras. Em muitos, as doenças mentais, na maioria das vezes provocadas pelo choque cultural, demandaram internações em manicômios. Em outros, o alcoolismo levou-os aos hospitais para tratamento da cirrose. Outros, desesperados, recorreram a outros tipos de suicídio.

Enfim, devido às péssimas condições de saúde, em 1924, o governo japonês passou a subsidiar os serviços de assistência médico-sanitária, criando a Sociedade Japonesa de Beneficência no Brasil (Zai Burajiru Nihonjin Dojinkai), que em 1929 foi reconhecida como fundação pelo governo brasileiro.

O Dojinkai buscou estruturar, com o apoio das associações de imigrantes japoneses locais, os serviços de distribuição de soros antiofídicos, pesquisas sobre ocorrência de tracoma e campanha para sua erradicação; campanha de erradicação da malária e ancilostomose duodenal, distribuição de medicamentos a preço de custo, formação de auxiliares do serviço médico, entre outros.

Também montou postos nas cidades de Santos, Lins, Bauru, Presidente Prudente com atendimento de médicos japoneses e que também visitavam as colônias para diagnóstico e tratamento. Em Campos do Jordão, em 1931, fundou o Sanatório São Francisco Xavier para atender ao grande número de vítimas de tuberculose pulmonar. Nesse mesmo ano – apesar dos protestos de alguns líderes das regiões de maior concentração de japoneses que desejavam sediar a iniciativa -, em São Paulo, foi criada uma comissão de construção do Hospital Japonês (inaugurado em 1939).


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: O Japonês no Brasil – Estudos de Mobilidade e Fixação, Hiroshi Saito, Editora Sociologia e Política, São Paulo, 1961; Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992; e o livro Canção da Amazônia: Uma Saga na Selva, Fusako Tsunoda, Editora Francisco Alvez, 1988.
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