
Syndicato
Agrícola de Uberaba foi um dos primeiros a serem criados
pelos colonizadores
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Tomoo Handa,
ao tratar sobre o espírito reinante nos primeiros núcleos
de colonização, dá destaque à hospitalidade,
ao mutirão e ao igualitarismo. E constata melancolicamente (em
1968, ao escrever a sua obra) que aqueles velhos tempos pertencem
a um longínquo passado.
Handa relata
que a maioria dos imigrantes tinha vindo ao Brasil para começar
do nada. Aqui, o fator determinante era a força de trabalho
físico e, portanto, não se dava importância ao que
faziam antes ou a que posição social pertenciam no Japão.
Por conta disso, consultavam-se mutuamente para chegar a um consenso
e também o espírito de solidariedade imperava,
como se o problema fosse da responsabilidade de todo o grupo.
Lembra que quando uma doença obrigava alguém a tomar
emprestado, jamais se exigiam deselegâncias como a assinatura em
uma promissória. Evidentemente, o dinheiro seria devolvido, nem
que levasse anos.
Mas, aponta
Tomoo Handa, em compensação, neste tipo de sociedade
não se podia admitir discordâncias. Para quem desobedecesse
às ordens, como nas aldeias rurais japonesas, excluía-se
o infrator do quadro social da associação. Era
o chamado mura-hachibu (ostracismo de aldeia) que, em alguns casos, até
se publicava anúncio de expulsão em jornais.
Retomando à
ajuda mútua, havia o kassei (auxílio), também conhecido
como mutirão, que consistia no trabalho coletivo, por exemplo,
para a construção de uma casa, queimada ou o roçado,
a colheita e a ajuda para recuperar um atraso causado, por exemplo, por
uma doença. Para isso, reuniam-se os chefes de família,
ou os jovens, e as mulheres se encarregavam da cozinha. Havia ainda o
mutirão para preparar as festas de casamento. Handa constata que
o mutirão resiste até os dias de hoje em algumas comunidades
do interior.
Tanomoshi
e cooperativa
Entre os japoneses,
a primeira organização de caráter econômico,
ou mais precisamente financeiro, foi o tanomoshi, tradicional prática
de ajuda mútua existente no Japão desde o século
XIII, escrevem Katsuo Uchiyama, Tetsuya Tajiri e José Yamashiro
no livro Uma Epopéia Moderna 80 Anos de Imigração
Japonesa no Brasil. É uma espécie de consórcio baseada
na confiança entre pessoas, sem complicações e formalidades
legais. Aqui, sua prática nasceu da necessidade, na fase inicial,
de remeter dinheiro ao Japão e, ao mesmo tempo, foi um meio de
financiar as atividades agrícolas.
O crescimento
dos núcleos coloniais exigiu uma organização econômica
mais ampla, com capacidade de auxiliar também na venda dos produtos,
na compra de insumos e implementos agrícolas, etc. Havia ainda
a barreira da língua. Foi então que surgiram as cooperativas,
mais que um instrumento de autodefesa.
Na década
de 20, começaram a proliferar seguindo modelo do Japão,
estruturadas como cooperativas de crédito, venda e compra ao mesmo
tempo. Nos jornais, o termo apareceu pela primeira vez no Notícias
do Brasil, em 1919, no anúncio do Syndicato Agrícola Nipo-Brasileiro
de Uberaba, com atividades voltadas aos rizicultores.
A organização
das cooperativas agrícolas, além da iniciativa dos imigrantes,
deveu-se aos jornais da colônia e também ao apoio do Consulado
do Japão através da Seção de Fomento às
Atividades Produtivas, que prestava assistência técnica aos
lavradores.
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É difícil
precisar o número de cooperativas fundadas entre os anos 20 e 30,
visto que a maioria tinha reduzida dimensão e não estava
registrada legalmente. O Consulado do Japão em São Paulo
apontava, em 1934, 53 cooperativas, sendo 18 registradas e 35 espontâneas
(não registradas).
A partir de
1927, orientadas pelo Consulado, começaram surgir as cooperativas
legalizadas: Cooperativa Agrícola de Cotia (fundada em 1927), as
de Registro, Katsura e Sete Barras (1928), a de Juqueri (mais tarde, Sul-Brasil,
1929), a de Hirano (1930), as de Promissão e de Igarapava (1931).
A partir de
1930, a agricultura dos japoneses dividiu-se nos padrões dos tipos
interiorano e suburbano. Assim, as cooperativas do tipo suburbano aumentaram
e cresceram acompanhando a expansão da cidade de São Paulo
CAC, Juqueri (Sul-Brasil), Mogi das Cruzes, Suburbana de São
Paulo, Itaquera, chegando a somar dez cooperativas.
No entanto,
as mais numerosas e ativas na segunda metade dos anos 30 pertenciam ao
tipo interiorano. Em conseqüência da queda do café e
do aumento da produção do algodão, entre 1938 e 1940,
foram fundadas cooperativas em Avaré, Vera Cruz, Araçatuba,
Presidente Prudente, Pompéia, Marília, Paraguaçu,
Taquaritinga, Monte Alto, Tupã, Birigüi, Londrina, etc. Antes
delas, já 11 existiam Bastos, Aliança, Tietê,
Hirano, atuando também como usinas de beneficiamento de algodão.
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