
DESBRAVAMENTO
- Japoneses derrubando as matas |

HISTÓRIA
- Pioneiros enfrentaram muitas dificuldades no interior |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Algum
tempo depois da derrubada da mata e sua queimada, como que das cinzas
brotavam as associações de japoneses, uma após outra.
A descrição pode parecer meio apocalíptica, mas real.
A partir da década de 20, quando os imigrantes japoneses saíram
em busca de sua independência econômica, formaram os núcleos
de colonização preferindo ter como vizinho um conterrâneo.
São as chamadas colônias.
Se morar numa
colônia representava tranqüilidade, vamos dizer, cultural e
social, pela possibilidade de convivência com outros que mantêm
os mesmos costumes, uma das primeiras iniciativas dos moradores foi criar
uma associação que canalizasse as ações dos
chefes de família da comunidade.
Assim, junto
com a plantação verdejante que brotava entre os troncos
enegrecidos da queimada, construía-se uma casa sede do nihonjinkai
(associação de japoneses). Daí em diante, ela seria
o ponto de referência dessa comunidade para as reuniões visando
à conservação (ou construção) das estradas,
à gestão das escolas e à administração
da saúde e higiene. Enfim, tudo que dissesse respeito à
vida daquele grupo de japoneses.
O kaikan (como
se chamava a sede), também servia para abrigar os eventos sociais
(um casamento, por exemplo) e culturais (apresentação de
danças folclóricas). Em muitas colônias, funcionava
nessa mesma sede a escola de língua japonesa. Com o passar do tempo,
à medida que crescia a demanda da população local
(e melhorava a situação financeira!), construía-se
uma nova escola (já separada do kaikan) e buscava-se, além
do japonês, o ensino da língua portuguesa. Em muitas delas,
era comum construir a residência para os professores (em geral,
a professora primária vinha da cidade!) ao lado da escola e um
campo para as atividades esportivas (dos alunos e da comunidade).
Em 1932, calcula-se
que no Brasil havia cerca de 223 associações de japoneses,
sendo que 115 delas situavam-se ao longo da linha Noroeste e 20 na região
da Alta Paulista. Em 1940, tinham aumentado para 480 entidades. Calcula-se
que, em 1930, os imigrantes japoneses totalizavam 116.502 pessoas.
Também
entre as organizações de caráter coletivo, é
importante destacar as associações dos moços (seinenkai)
que, além de propiciar a confraternização entre os
jovens, visava ao estudo do português ou ao aperfeiçoamento
do japonês. Entre as atividades, além da preocupação
com a educação moral, esses seinenkai também praticavam
oratória, beisebol e atletismo.
Curiosamente,
as donas de casa, embora ajudassem na organização dos eventos,
só montaram o seu departamento (fujinkai) anos mais tarde. Talvez
por falta de tempo, mas principalmente pela falta de valorização,
por parte dos chefes de família, do papel feminino. Assim, um departamento
só de mulheres e chefiado por mulheres só
obteve destaque a partir dos anos 30.
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AULAS - Educação, dada de acordo com os moldes japoneses,
era uma preocupação constante dos pais |

IDEAIS
- Nihonjinkais tinham a missão de construir e zelar pelas
escolas de língua japonesa, os tradicionais nihongakos |
Sem dúvida,
uma das importantes missões do nihonjinkai era a construção
da escola e sua manutenção. Ser presidente da Associação
de Pais e Mestres de uma escola era tão importante como ser presidente
do nihonjinkai, tanto que, em muitos casos, a mesma pessoa acumulava ambos
os cargos. Em 1932, das 181 escolas registradas, 141 estavam sob a administração
das associações.
A educação
dada de acordo com os moldes japoneses era uma preocupação
constante dos pais, principalmente até a Segunda Guerra, já
que a grande meta era retornar ao Japão. Assim, além do
ensino da língua, as escolas eram rigorosas na formação
de bons cidadãos japoneses, com ênfase à
educação moral.
Já aos
moços, o nihonjinkai estimulava a formação do seinenkai
para que continuassem (e aperfeiçoassem) a educação
passada nas escolas. Assim, além de propiciar a saudável
convivência entre os jovens (moças e moças) descendentes
de japoneses, também funcionava como espécie de treinamento
para integrar o grupo do nihonjinkai após o casamento.
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