
DIFICULDADES
- Imigrantes japoneses em Iguape, no Vale do Ribeira: eles não
pretendiam ficar aqui por muito tempo
|

PASSADO
- Colonos nipônicos na Fazenda Santa Ambrosina: estilo de
vida totalmente diferente
|
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
A fazenda
de café não era o lugar adequado para o rápido enriquecimento,
afirma Tomoo Handa, ressaltando que a insatisfação com essa
vida não se resumia à falta de dinheiro devido ao
sistema de salário. Outros fatores também empurraram
os imigrantes japoneses à tentativa de uma vida independente. Era
mais duro e severo trabalhar sob a vigilância constante de um fiscal
tirava a sua liberdade e da família. A dona de casa, mesmo
que quisesse, não poderia ficar cuidando somente dos afazeres domésticos.
No horário de trabalho, podiam permanecer em casa somente as crianças
pequenas (a partir dos 12 anos já eram consideradas mão-de-obra
adulta) e os idosos.
Além
das dificuldades de comunicação, o estilo de vida era diferente,
continua Handa. Para os japoneses que prezavam o banho (de imersão)
no furô, na fazenda era difícil cultivar esse
hábito. Quanto à alimentação, não podiam
cultivar sua horta, ou ainda plantar suas flores toda a redondeza,
além do cafezal, era ocupada por pastos. Para esses imigrantes
que não pretendiam permanecer tanto tempo no Brasil, havia a preocupação
com a educação dos filhos que, para eles, significava ensinar
língua e moral japonesas.
Enquanto cuidavam
dos pés de café do fazendeiro, pensavam em desenvolver a
sua própria plantação e, mais do que isso, trabalhar
livre e alegremente. Movidos por esse sonho, deixaram as fazendas. Foram
trabalhar como arrendatários, meeiros ou empreiteiros. Outros conseguiram
comprar suas terras, transformando-se em sitiantes, que em breve se constituiriam
nos núcleos de colonização (ou simplesmente colônias).
Imaginavam
poder viver sem se preocupar com os vizinhos nativos, construir um confortável
furô, cultivar verduras ao redor da casa (livre da invasão
dos animais na horta). Melhorando a situação, poderiam contratar
um professor de língua japonesa. Podiam até sonhar com o
sucesso. Depois de cinco a dez anos, retornariam ao Japão com seus
filhos já formados em honrados cidadãos japoneses.
Essas esperanças,
ressalta Handa, foram exatamente as forças que possibilitaram enfrentar
aquela vida cheia de privações nos núcleos
de colonização e transformá-las em novas
energias para suportar os momentos de sacrifícios.
|

MUDANÇAS
- Criação de Bastos, na década de 30
|
Os núcleos
formados por japoneses iniciaram-se nos primeiros anos da década
de 10 e dividem-se em cinco tipos básicos:
A
pequenos agrupamentos formados espontaneamente, que vão crescendo
com o passar dos anos. Núcleos próximos a São Paulo
(Mairiporã, Suzano, Mogi das Cruzes, Cotia), ou ainda colônias
do Vale do Ribeira de imigrantes de Okinawa (Ana Dias, Cedro, Itariri,
Miracatu, etc.);
B
compra de lotes no interior de São Paulo e norte do Paraná,
comumente são colônias chamadas de shokuminchi. Entre as
pioneiras, estão Hirano, Tokyo, Brejão, Vai-Bem, entre outras;
C
compra de terras pelo capital privado do Japão e revenda aos
imigrantes que chegam ao Brasil como proprietários. Iguape (Registro
e outras), Bastos, Tietê (Pereira Barreto), Três Barras (Assai),
Aliança e outras;
D
formados na época áurea de cultivo do algodão,
concentrando arrendatários japoneses localizados na região
da Média Sorocabana, Paulista, Araraquarense e Douradense;
E
núcleos oficiais nas terras do governo federal ou estadual.
Primeira e Segunda Monção na linha da Sorocabana e outras
no Estado da Bahia, Mato Grosso e região amazônica.
|
NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: O Imigrante Japonês História
de sua Vida no Brasil, de Tomoo Handa, T.A. Queiroz e Centro de Estudos
Nipo-Brasileiros, SP, 1987, e Uma Epopéia Moderna 80 Anos
da Imigração Japonesa no Brasil, vários autores, Ed.
Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992. |