
ADAPTAÇÃO
- Agricultura exigiu esforços para que japoneses se adequassem
a essa nova vida de muito trabalho e pouco retorno
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Para a maioria
dos imigrantes japoneses, a vida no Brasil começou nas fazendas,
colhendo e cuidando dos pés de café que nem imaginavam existir.
Como era o cotidiano deles? Iniciamos uma série sobre o cotidiano
dos imigrantes japoneses até a década de 40, quando a maioria
estava na agricultura. Falamos de pessoas que acreditavam que o sacrifício
em terras estranhas era certeza de vida melhor no Japão.
Qual terá
sido a experiência mais chocante, ou a surpresa mais agradável
ao chegar ao Brasil? Sem conhecer a língua e os costumes, a impressão
não terá sido das melhores. Os imigrantes das primeiras
levas nunca se esqueceram do gosto amargo do café provado na chegada
ao Brasil.
Aliás,
nesse sentido, a diferença da alimentação marcou
profundamente os anos iniciais dos imigrantes. O uso da banha de porco
na culinária das fazendas era o maior diferencial. Estranheza mútua:
se os brasileiros apreciavam o feijão temperado com toucinho, os
japoneses preferiam colocar açúcar e transformá-lo
em oshiruko e, para valorizar esse caldo, punham bolinhos de farinha de
trigo (como se fossem moti). Se os brasileiros gostavam de carne seca,
os japoneses preferiam as verduras (muitos matos foram adaptados
para refogados ou sopas) e as conservas (são famosos os tsukemono
de mamão verde!).
Desde o Brasil
colônia, o arroz era consumido como uma mistura, mas,
para os japoneses, era o prato principal. Aliás, para muito deles,
saborear o arroz branco puro era luxo para ocasiões especiais.
Quando perceberam que podiam comer arroz até se fartarem, a alma
se aquietou.
Apesar disso,
a vida na fazenda, com a convivência com brasileiros e outros imigrantes,
não era fácil. A língua era séria barreira.
O primeiro dicionário japonês-português (de autoria
de Wasaburo Ohtake) saiu só em 1918. Em 1917, o semanário
Notícias do Brasil, publicado em japonês, começou
a ensinar português, mas muitas lições, por exemplo,
de flexão dos verbos, não serviam para entender o linguajar
pouco (ou nada!) erudito dos colonos.
Todos ainda
lembram do som do sino (alguns locais era buzina) às 4 horas da
madrugada (em algumas fazendas adotava-se o horário de verão)
para despertá-los. Era nesse momento que se sentiam, de fato, como
escravos! O sino tocava novamente às 6 horas, para que todos seguissem
ao cafezal. Às 9 horas, o sinal para o almoço (durante uma
hora); às 14 horas, para o café (30 minutos) e, entre 17
e 18 horas, o jantar. As mulheres, que iam mais tarde levando o almoço,
também retornavam mais cedo para preparar o jantar.
Apanhar, peneirar,
capinar, a rotina da lida ia sendo aprendida pelos japoneses. Mas sentiam-se
profundamente ultrajados na hora do acerto das contas, no final da safra.
Nas cadernetas, os apontamentos dos ganhos (trato do cafezal, colheita,
diárias de trabalho extraordinários) e das despesas (compras
no armazém da fazenda, consulta médica, remédios,
etc.). Quando conferiam o saldo (muitas vezes, negativo!) se convenciam
de que estava na hora de buscar outra opção de trabalho.
Tentar, por exemplo, a vida independente.
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