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  Históra da Imigração Japonesa
A aventura da família Hakkodan continua
De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
Vida de imigrante e o tempo para poesias e romances
A vez das mulheres nos programas de TV
Pelo rádio, as vozes de um Japão distante
Jornais de língua japonesa, a voz dos imigrantes
E o japonês virou língua estrangeira
O cultivo de flores e os imigrantes japoneses
Os imigrantes e a criação do bicho-da-seda
As galinhas de ovos brancos
Pimenta-do-reino e chá na colonização
Imigrantes no cultivo das fibras naturais
Legumes e hortaliças emigrando junto com os japoneses
A contribuição dos japoneses na agricultura
Imigrantes nas indústrias
Japoneses no comércio desde 1906 em SP
Um novo degrau no movimento de ascensão social
Colaboração entre japoneses da mesma origem
Andanças pelo Brasil em busca de novos horizontes
Na década de 50, o reinício da imigração
Os imigrantes pós-guerra, novidade entre os nipo-brasileiros
Tentativas para apaziguar os nipo-brasileiros
Os aproveitadores da boa-fé dos imigrantes
Uma explosão de sentimentos
Uma época para ser apagada da memória
Sob a proteção da bandeira do sol nascente
O maior problema era ser de japonês
Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
Muitas mudanças para os imigrantes japoneses
O senso estético de uma vida provisória
Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
Solidariedade, uma marca dos imigrantes
Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 2
Os japoneses no norte do Paraná - Parte 1
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Alguns homens e mulheres não desistiram por pouco,
mesmo correndo perigo de morte. Em meio a esse sofrimento, vieram duas conquistas: a juta e a pimenta-do-reino

DESBRAVAMENTO - Casa da Nantaku: carência de informações foi problema

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Cada um – empresários, capitalistas, nacionalistas e imigrantes japoneses – carregando seu sonho de sucesso desembarcou disposto a conquistar a Amazônia. No Pará, em Acará (atual Tomé-Açu), de 1929 até 1937 chegaram 2.100 pessoas. Em Monte Alegre, formou-se outro núcleo com 30 pessoas. No Amazonas, em Parintins, até 1937 chegaram 248 jovens estudantes e mais 150 famílias de imigrantes. Em Maués, nasceu outro núcleo com dezenas de famílias para o cultivo do guaraná.

A carência de informações sobre a região, de tecnologia e de capital foram determinantes para os incontáveis problemas desta empreitada. A tudo isso, somava-se a temida malária. Em Acará, conhecida como “colônia do inferno” ou “colônia da malária”, em 1933 foi registrado o primeiro surto violento da doença – na população de 2.045 pessoas foram registrados 3.065 casos, indicando que muitos ficaram doentes mais de uma vez ao ano. Outro surto aconteceu em 1935, com 3.035 casos.

No Pará, a Cia de Colonização da América Latina (Nantaku) pretendia cultivar o cacau, que acabou se inviabilizando. Em 1935, ao se retirar de Tomé-Açu foram fechadas as estações experimentais de Açaizal, Monte Alegre e Castanhal. E os imigrantes japoneses, como sobreviveram? Alfredo Oyama Homma conta que uma alternativa foi cultivar produtos locais. Ocorreram também os esforços para a introdução das hortaliças em Belém. Fusako Tsunoda escreve sobre uma das estratégias do conhecido conde Koma: “Ele passou a convidar amigos da sociedade para jantares em sua residência, e os tomates, rabanetes, berinjelas, pepinos e outros legumes cultivados na colônia Acará compunham a maior parte do cardápio. Sua esposa inglesa, May, não poupava esforços para ajudar o marido nessa tarefa”.


CULTIVO - Imigrantes japoneses trabalharam na plantação de juta

A pimenta-do-reino, a segunda alternativa depois do cacau, somente se tornou promissora em 1946, quando o quilo do produto subiu de 5 mil réis para 100 mil réis. A redenção da colonização japonesa foi possível graças a Makinossuke Ussui, representante da Nantaku, que, em 1933, ao desembarcar em Cingapura (o navio atracou para cremar uma imigrante falecida à bordo), pegou 20 mudas de pimenta-do-reino.

Elas foram plantadas na estação experimental em Tomé-Açu, mas, quando a Nantaku encerrou as atividades, Tomoji Kato (imigrante da primeira leva) e Enji Saito (da segunda leva) transportaram as mudas remanescentes para os seus lotes e foram os pioneiros no cultivo da pimenta asiática. Delas, originaram as estacas que se multiplicaram ao longo dos anos, espalhando-se pela região para se transformar no “diamante negro” da Amazônia. Em 1980, no auge de sua expansão, chegaram a mais de 20 milhões de pés.

 
Um acaso do destino

(Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Mas, antes da salvadora pimenta asiática, os imigrantes japoneses protagonizaram o ciclo da juta, cuja aclimatação só foi possível graças à inabalável persistência de alguns líderes. No dia 12 de setembro de 1931, as primeiras sementes foram plantadas na fazenda experimental de Vila Amazônia, em Parintins. No Brasil, desde o início do século XX, houve várias tentativas para produção da juta que era usada na confecção das sacarias para exportação do café e cuja matéria-prima era importada da Índia.

Foram plantadas sucessivas levas de sementes em diferentes pontos da região, sempre na tentativa de colher fibras longas de qualidade. A experiência caminhava ao fracasso, não fosse a chegada de Ryota Oyama, um agricultor que, antes de emigrar, em 1933, trabalhou numa cooperativa produtora de esteira de igusa (junco).

Em 1934, Oyama notou que, num dos campos de experimentos, dois pés se distinguiam dos demais. Um deles foi levado pela enchente, mas aquele que sobreviveu foi replantado na frente de sua casa e, sete meses depois, obteve 200 sementes de juta. A existência desses dois pés, para alguns resultou de um fenômeno de mutação; para outros, do fato de a Índia, preocupada com a concorrência, enviar semente de baixa qualidade e “por engano” algumas terem vindo de boa qualidade.

O fato é que Oyama, em meio à descrença de seus parceiros (a maioria dos imigrantes já havia mudado do local), passou à multiplicação das sementes com a ajuda de outros plantadores (Yoshio Takashima e Yoshimasa Nakauti). Finalmente, em 1937, após sete anos de insucesso, em Belém, foi vendida a primeira safra de 2.770 quilos de fibra de juta. Assim, as 40 a 50 famílias remanescentes espalharam-se pelas várzeas ao longo dos rios e, em 1938, foram comercializados 57.625 quilos de fibra.

No entanto, os problemas da Segunda Guerra criaram obstáculos aos japoneses e, a partir disso, a produção e a comercialização passou ao domínio exclusivo dos brasileiros. Se a juta não gerou riqueza aos imigrantes, a compensação chegou em 1946, com a pimenta-do-reino.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: A Imigração Japonesa na Amazônia (1915/1945) artigo de Alfredo Kingo Oyama Homma, do livro Amazônia – Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrícola, publicado pela Embrapa – Serviço de Produção e Informação, 1998; Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, de vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992 e Canção da Amazônia – Uma Saga na Selva, de Fusako Tsunoda, Editora Francisco Alves, RJ, 1988.
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