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Imigrantes
japoneses na região amazônica - Parte 2
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Alguns homens e mulheres não desistiram
por pouco,
mesmo correndo perigo de morte. Em meio a esse sofrimento, vieram duas
conquistas: a juta e a pimenta-do-reino
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DESBRAVAMENTO
- Casa da Nantaku: carência de informações foi
problema
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Cada um
empresários, capitalistas, nacionalistas e imigrantes japoneses
carregando seu sonho de sucesso desembarcou disposto a conquistar
a Amazônia. No Pará, em Acará (atual Tomé-Açu),
de 1929 até 1937 chegaram 2.100 pessoas. Em Monte Alegre, formou-se
outro núcleo com 30 pessoas. No Amazonas, em Parintins, até
1937 chegaram 248 jovens estudantes e mais 150 famílias de imigrantes.
Em Maués, nasceu outro núcleo com dezenas de famílias
para o cultivo do guaraná.
A carência
de informações sobre a região, de tecnologia e de
capital foram determinantes para os incontáveis problemas desta
empreitada. A tudo isso, somava-se a temida malária. Em Acará,
conhecida como colônia do inferno ou colônia
da malária, em 1933 foi registrado o primeiro surto violento
da doença na população de 2.045 pessoas foram
registrados 3.065 casos, indicando que muitos ficaram doentes mais de
uma vez ao ano. Outro surto aconteceu em 1935, com 3.035 casos.
No Pará,
a Cia de Colonização da América Latina (Nantaku)
pretendia cultivar o cacau, que acabou se inviabilizando. Em 1935, ao
se retirar de Tomé-Açu foram fechadas as estações
experimentais de Açaizal, Monte Alegre e Castanhal. E os imigrantes
japoneses, como sobreviveram? Alfredo Oyama Homma conta que uma alternativa
foi cultivar produtos locais. Ocorreram também os esforços
para a introdução das hortaliças em Belém.
Fusako Tsunoda escreve sobre uma das estratégias do conhecido conde
Koma: Ele passou a convidar amigos da sociedade para jantares em
sua residência, e os tomates, rabanetes, berinjelas, pepinos e outros
legumes cultivados na colônia Acará compunham a maior parte
do cardápio. Sua esposa inglesa, May, não poupava esforços
para ajudar o marido nessa tarefa.

CULTIVO - Imigrantes japoneses trabalharam na plantação
de juta |
A pimenta-do-reino,
a segunda alternativa depois do cacau, somente se tornou promissora em
1946, quando o quilo do produto subiu de 5 mil réis para 100 mil
réis. A redenção da colonização japonesa
foi possível graças a Makinossuke Ussui, representante da
Nantaku, que, em 1933, ao desembarcar em Cingapura (o navio atracou para
cremar uma imigrante falecida à bordo), pegou 20 mudas de pimenta-do-reino.
Elas foram
plantadas na estação experimental em Tomé-Açu,
mas, quando a Nantaku encerrou as atividades, Tomoji Kato (imigrante da
primeira leva) e Enji Saito (da segunda leva) transportaram as mudas remanescentes
para os seus lotes e foram os pioneiros no cultivo da pimenta asiática.
Delas, originaram as estacas que se multiplicaram ao longo dos anos, espalhando-se
pela região para se transformar no diamante negro da
Amazônia. Em 1980, no auge de sua expansão, chegaram a mais
de 20 milhões de pés.
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Um
acaso do destino
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(Foto: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Mas, antes
da salvadora pimenta asiática, os imigrantes japoneses protagonizaram
o ciclo da juta, cuja aclimatação só foi possível
graças à inabalável persistência de alguns
líderes. No dia 12 de setembro de 1931, as primeiras sementes foram
plantadas na fazenda experimental de Vila Amazônia, em Parintins.
No Brasil, desde o início do século XX, houve várias
tentativas para produção da juta que era usada na confecção
das sacarias para exportação do café e cuja matéria-prima
era importada da Índia.
Foram plantadas
sucessivas levas de sementes em diferentes pontos da região, sempre
na tentativa de colher fibras longas de qualidade. A experiência
caminhava ao fracasso, não fosse a chegada de Ryota Oyama, um agricultor
que, antes de emigrar, em 1933, trabalhou numa cooperativa produtora de
esteira de igusa (junco).
Em 1934, Oyama
notou que, num dos campos de experimentos, dois pés se distinguiam
dos demais. Um deles foi levado pela enchente, mas aquele que sobreviveu
foi replantado na frente de sua casa e, sete meses depois, obteve 200
sementes de juta. A existência desses dois pés, para alguns
resultou de um fenômeno de mutação; para outros, do
fato de a Índia, preocupada com a concorrência, enviar semente
de baixa qualidade e por engano algumas terem vindo de boa
qualidade.
O fato é
que Oyama, em meio à descrença de seus parceiros (a maioria
dos imigrantes já havia mudado do local), passou à multiplicação
das sementes com a ajuda de outros plantadores (Yoshio Takashima e Yoshimasa
Nakauti). Finalmente, em 1937, após sete anos de insucesso, em
Belém, foi vendida a primeira safra de 2.770 quilos de fibra de
juta. Assim, as 40 a 50 famílias remanescentes espalharam-se pelas
várzeas ao longo dos rios e, em 1938, foram comercializados 57.625
quilos de fibra.
No entanto,
os problemas da Segunda Guerra criaram obstáculos aos japoneses
e, a partir disso, a produção e a comercialização
passou ao domínio exclusivo dos brasileiros. Se a juta não
gerou riqueza aos imigrantes, a compensação chegou em 1946,
com a pimenta-do-reino.
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NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: A Imigração Japonesa na Amazônia
(1915/1945) artigo de Alfredo Kingo Oyama Homma, do livro Amazônia
Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrícola, publicado pela Embrapa
Serviço de Produção e Informação,
1998; Uma Epopéia Moderna 80 Anos da Imigração
Japonesa no Brasil, de vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira
de Cultura Japonesa, SP, 1992 e Canção da Amazônia
Uma Saga na Selva, de Fusako Tsunoda, Editora Francisco Alves, RJ, 1988. |
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