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  Históra da Imigração Japonesa
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Imigrantes nas indústrias
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Na década de 50, o reinício da imigração
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Vivendo no país do inimigo
Tempos marcados pela guerra e pela repressão aos imigrantes
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Manutenção da saúde: uma luta desigual pela vida
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Ano-novo, dia de festa nas colônias japonesas
Das cinzas brotavam as associações de japoneses
Novas energias para suportar momentos de sacrifícios
Aqui, do outro lado mundo
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 2
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
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As estradas de ferro como referência
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Os japoneses em São Paulo
A vida difícil dos imigrantes nas fazendas do interior de SP
Hospedaria dos Imigrantes, a primeira parada
Imigrantes japoneses na região amazônica - Parte 1
A concessão de 2 milhões de hectares leva imigrantes japoneses,
a partir de 1929, para o Amazonas e Pará. Tem início um desafio de vida e morte. E de elevados investimentos
Reprodução
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No final da década de 20, com o mundo mergulhado em crise, o governo e o capital privado japonês buscam novas alternativas para a sobrevivência de sua combalida economia. E, o investimento na região amazônica foi uma delas. Imigrantes movidos pelo sonho de realização singram mares para colonizar terras no Amazonas e Pará. Vão protagonizar uma história de lutas e de muitos fracassos. Apesar disso, conquistaram marcas indeléveis no progresso da agricultura local, principalmente pelo cultivo da juta e da pimenta-do-reino.

Os japoneses há muitos anos demonstravam interesse na região amazônica, mas as negociações começam a se efetivar em 1925 quando o governador do Pará, Dionísio Bentes, recebeu a visita dos representantes da indústria de tecidos Kanebo (Kanegafuchi Boseki Kabushi Kaisha). No ano seguinte, chefiada por Hachiro Fukuhara (diretor da Kanebo) e mais oito técnicos, uma missão percorreu o interior do Pará buscando terras apropriadas para a exploração econômica. Em 1928 é fundada a Nantaku (Nambei Takushoku Kabushiki Kaisha – Cia. de Colonização da América Latina S/A), que no ano seguinte criou a Cia. Nipônica de Plantação do Brasil S/A.

No Estado do Pará existiu ainda o Grupo de Moços de Colonização da Amazônia dirigido por Kimi Gotanda que, em 1929, fundou o Amazon Kaitaku Seinen Renshusei (Jovens Praticantes da Colonização da Amazônia). Em 1931 trouxeram 30 japoneses para o desbravamento de 100 hectares de selva em Monte Alegre.

Nessa mesma época, em 1927, o governador do Amazonas, Ephigênio Salles, também ofereceu uma concessão de um milhão de hectares, sendo que a escolha das áreas apropriadas deveria ser feita em dois anos e exploradas com recursos próprios. Posteriormente, com a Constituição de 1934, depois de acirrada discussão, essa concessão foi rejeitada pelo Senado. Mas, antes disso, Tsukasa Uyetsuka, deputado e conselheiro do Ministério das Finanças do Japão, congregava interesse dos maiores capitalistas japoneses e estava interessado nesse empreendimento para o cultivo da juta.

Em 1928, uma missão do Ministério das Relações Exteriores selecionou uma área de 300 mil hectares próxima a Maués. Em 1930, Uyetsuka comprou1.500 hectares no município de Parintins e instalou o Instituto Amazônia (Amazônia Kenkyujyo) com o objetivo de desenvolver pesquisas para apoiar as atividades agrícolas. Posteriormente, seguindo o exemplo da Nantaku (Pará), em 1933, foi transformado na fundação Instituto Industrial Amazônia sob a direção de Kotaro Tsuji. E, em 1935, surge a Companhia Industrial da Amazônia S/A (Amazônia Sangyo Kabushiki Kaisha) com capital de ¥ 1 milhão e entre os grupos participantes estava Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Yasuda, entre outros. No Brasil, a sua correspondente foi a Cia. Industrial Amazonense S/A.

O Instituto, em Parintins, desde 1931 estava recebendo levas sucessivas de jovens formados na Escola Superior de Colonização do Japão (Nihon Koto Takushoku Gakko), criada por Uyetsuka para formar especialistas no trabalho de colonização. Até 1938 a escola enviou oito turmas – cerca de 248 estudantes (conhecidos como kotakusseis) e seis famílias para o Amazonas. Além desse empreendimento, em Maués, em 1928, Kosaku Oishi fundou a Companhia de Fomento Industrial do Amazonas S/A (Amazon Kogyo Kabushiki Kaisha) com a finalidade de cultivar o guaraná. Até 1931 introduziu dezenas de famílias de colonos, mas se defrontaram com escassez de capital e outras dificuldades. Em 1940 ela foi incorporada à Cia. Industrial da Amazônia.

A Nantaku, no Pará, tinha como objetivo o cultivo do cacau. No Amazonas, o grupo de Uyetsuka planejou a exportação de produtos locais como borracha, castanha-do-pará e outros e também desenvolver a cultura da juta. Ambos vão amargar sucessivos fracassos. Mas essa história pretendemos enfocar na próxima edição.

 
O espírito de pioneirismo

Koutakusseis eram jovens formados na Escola Superior de Colonização

(Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Em 1930, ao mesmo tempo que reúne capital para montar uma companhia de colonização no Amazonas, o deputado Uyetsuka funada no Japão uma escola para treinar estudantes para as práticas agrícolas e adaptação aos costumes no novo país. Esses kotakusseis, como eram chamados, em sua maioria provinham de famílias de classe média visto que eram cobradas pesadas mensalidades escolares. Alfredo Oyama Homma comenta que esses jovens eram “puros, imbuídos do espírito de pioneirismo, sem qualquer aspiração financeira a qual prevaleceu também nos anos futuros”.


NOTA DA REDAÇÃO
As fontes utilizadas foram: “A Imigração Japonesa na Amazônia (1915/1945)” artigo de Alfredo Kingo Oyama Homma do livro “Amazônia – Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrícola” publicado pela Embrapa – Serviço de Produção e Informação, 1998 e “Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil”, de vários autores, Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, SP, 1992.
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