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No final da
década de 20, com o mundo mergulhado em crise, o governo e o capital
privado japonês buscam novas alternativas para a sobrevivência
de sua combalida economia. E, o investimento na região amazônica
foi uma delas. Imigrantes movidos pelo sonho de realização
singram mares para colonizar terras no Amazonas e Pará. Vão
protagonizar uma história de lutas e de muitos fracassos. Apesar
disso, conquistaram marcas indeléveis no progresso da agricultura
local, principalmente pelo cultivo da juta e da pimenta-do-reino.
Os japoneses
há muitos anos demonstravam interesse na região amazônica,
mas as negociações começam a se efetivar em 1925
quando o governador do Pará, Dionísio Bentes, recebeu a
visita dos representantes da indústria de tecidos Kanebo (Kanegafuchi
Boseki Kabushi Kaisha). No ano seguinte, chefiada por Hachiro Fukuhara
(diretor da Kanebo) e mais oito técnicos, uma missão percorreu
o interior do Pará buscando terras apropriadas para a exploração
econômica. Em 1928 é fundada a Nantaku (Nambei Takushoku
Kabushiki Kaisha Cia. de Colonização da América
Latina S/A), que no ano seguinte criou a Cia. Nipônica de Plantação
do Brasil S/A.
No Estado do
Pará existiu ainda o Grupo de Moços de Colonização
da Amazônia dirigido por Kimi Gotanda que, em 1929, fundou o Amazon
Kaitaku Seinen Renshusei (Jovens Praticantes da Colonização
da Amazônia). Em 1931 trouxeram 30 japoneses para o desbravamento
de 100 hectares de selva em Monte Alegre.
Nessa mesma
época, em 1927, o governador do Amazonas, Ephigênio Salles,
também ofereceu uma concessão de um milhão de hectares,
sendo que a escolha das áreas apropriadas deveria ser feita em
dois anos e exploradas com recursos próprios. Posteriormente, com
a Constituição de 1934, depois de acirrada discussão,
essa concessão foi rejeitada pelo Senado. Mas, antes disso, Tsukasa
Uyetsuka, deputado e conselheiro do Ministério das Finanças
do Japão, congregava interesse dos maiores capitalistas japoneses
e estava interessado nesse empreendimento para o cultivo da juta.
Em 1928, uma
missão do Ministério das Relações Exteriores
selecionou uma área de 300 mil hectares próxima a Maués.
Em 1930, Uyetsuka comprou1.500 hectares no município de Parintins
e instalou o Instituto Amazônia (Amazônia Kenkyujyo) com o
objetivo de desenvolver pesquisas para apoiar as atividades agrícolas.
Posteriormente, seguindo o exemplo da Nantaku (Pará), em 1933,
foi transformado na fundação Instituto Industrial Amazônia
sob a direção de Kotaro Tsuji. E, em 1935, surge a Companhia
Industrial da Amazônia S/A (Amazônia Sangyo Kabushiki Kaisha)
com capital de ¥ 1 milhão e entre os grupos participantes estava
Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Yasuda, entre outros. No Brasil, a sua correspondente
foi a Cia. Industrial Amazonense S/A.
O Instituto,
em Parintins, desde 1931 estava recebendo levas sucessivas de jovens formados
na Escola Superior de Colonização do Japão (Nihon
Koto Takushoku Gakko), criada por Uyetsuka para formar especialistas no
trabalho de colonização. Até 1938 a escola enviou
oito turmas cerca de 248 estudantes (conhecidos como kotakusseis)
e seis famílias para o Amazonas. Além desse empreendimento,
em Maués, em 1928, Kosaku Oishi fundou a Companhia de Fomento Industrial
do Amazonas S/A (Amazon Kogyo Kabushiki Kaisha) com a finalidade de cultivar
o guaraná. Até 1931 introduziu dezenas de famílias
de colonos, mas se defrontaram com escassez de capital e outras dificuldades.
Em 1940 ela foi incorporada à Cia. Industrial da Amazônia.
A Nantaku,
no Pará, tinha como objetivo o cultivo do cacau. No Amazonas, o
grupo de Uyetsuka planejou a exportação de produtos locais
como borracha, castanha-do-pará e outros e também desenvolver
a cultura da juta. Ambos vão amargar sucessivos fracassos. Mas
essa história pretendemos enfocar na próxima edição.
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