PLANTIO
- Pesquisas de campo buscaram as melhores alternativas agrícolas |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Nesta segunda
matéria sobre os primórdios da colonização
japonesa no norte do Paraná, o nascimento da cidade de Assaí,
em 1932.
Ao contrário
de muitos locais de São Paulo, aqui o solo era argiloso, de terra
vermelha. Ideal para plantação, mas, quando chovia, as ruas
ficavam escorregadias e intransitáveis. Para os transeuntes, levar
tombo era acidente corriqueiro. Na seca, outro incômodo: a densa
poeira vermelha. As casas e as lojas eram de madeira e logo adquiriam
coloração escura, mas o telhado se cobria de um vermelho
rubro de sangue. Usar roupas claras nem pensar em minutos o colarinho
ficava totalmente vermelho. As frentes das lojas nunca exibiam as mercadorias.
Essa é
a descrição de Tomoo Handa sobre o nascimento Assaí,
a vila e depois cidade mais importante do núcleo Três Barras
que foi montado ao norte do Paraná com 18.340 alqueires, cujos
lotes foram vendidos pela Bratac (veja box) a partir de 1932.
Das colônias
planejadas, o núcleo Três Barras foi exceção
direcionou as vendas para os imigrantes que já conheciam
a vida brasileira (em Bastos e Tietê, as famílias vieram
diretamente do Japão). Hiroshi Saito indica que, das 365 famílias
que adquiriram seus lotes entre 1932/39, somente 11 chegaram diretamente
do Japão. As restantes tinham passado pelas fazendas de café
das regiões da Mogiana e Noroeste e tentavam a vida independente
em Três Barras.
Em abril de
1932, as seis primeiras famílias iniciaram o desmatamento e, em
fins de 1941, restando poucos lotes para serem vendidos, calculava-se
que 1.614 famílias residiam (cerca de 8.700 pessoas) no núcleo.
Foram três gerentes: Miyuki Saito, Kaito Ussui (um dos pioneiros
da região) e Hikohei Shimba.
Localizado
no interior da mata (abundante, graças à fertilidade da
terra), a vida inicial de Três Barras foi complicada, a começar
pela política (devido à Revolução Constitucionalista,
enfrentaram problemas para conseguir alimentos). As chuvas torrenciais
atrapalharam e os plantios de milho foram atacados pelos passarinhos (comiam
as sementes). A água ficava distante das moradias.
Unidos, enfrentaram
os empecilhos. No final do segundo ano, dez chefes de família montaram
a Associação Agrícola de Três Barras e iniciaram
as pesquisas de campo buscando melhores alternativas agrícolas.
Foi aí que o algodão se expandiu, contrariando a crença
de que a terra roxa não se prestava a esse cultivo. Isso atraiu
novos compradores e foi a cultura básica de sustento enquanto crescia
o café.
Handa comenta
que as primeiras moradias usaram troncos de palmeiras, planta abundante
na região. Passados cinco a seis anos, na reconstrução,
a maioria foi feita de madeira e coberta de telhas. Já o soalho
continuava de chão batido o de madeira ficava impregnado
pelo barro na época chuvosa.
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