PASSADO
- Fazenda Nomura: 3,3 mil hectares em Bandeirantes
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
As restrições
para o plantio de café em São Paulo, em 1932, intensificaram
a mudança dos imigrantes japoneses para o norte do Paraná.
Os imigrantes japoneses no Estado do Paraná são antigos.
Em 1913, em Cambará, na Fazenda dos Barbosa Ferraz, que cultivava
900 mil pés de café, registrava a presença de colonos
japoneses. Em 1917, surgia um agrupamento de sitiantes batizado como Vila
Japonesa e, em 1923, na zona urbana, havia armazém e empório
de japoneses.
Próximo
ao porto de Antonina, em Cacatu, em 1916, pouco mais de 10 famílias
japonesas, em suas propriedades, plantavam arroz, banana, cana-de-açúcar
e produziam principalmente a pinga. Mas foi no tempo da crise do café
que os imigrantes japoneses viram a alternativa da terra roxa como solução
de seus problemas. Ali, plantaram não só o café,
mas diversificaram a produção agrícola, com destaque
para o algodão.
Conforme comentamos
anteriormente, na década de 20, os imigrantes japoneses empenhavam-se
em direção ao oeste do Estado de São Paulo, principalmente
ao longo da Estrada de Ferro Noroeste, de terras novas para comprar ou
arrendar. O estímulo era o preço do café. No entanto,
em 1929, a queda da Bolsa de Nova York arrasou a cotação
do café e obrigou o governo paulista a deixar de proteger o seu
principal produto agrícola.

LEMBRANÇA
- Vila Jataí em 1932: loteamento de 550 mil alqueires |
Uma das medidas
foi a proibição de plantio de novos pés a partir
de novembro de 1932. Foi então que os pequenos lavradores japoneses
voltaram seus olhos para a região norte-paranaense, isenta dessas
restrições. Antes deles, estavam os capitalistas japoneses
com investimentos em atividades agrícolas em 1926, Tokushichi
Nomura, do grupo financeiro Nomura, iniciara a exploração
de uma fazenda de 3.300 hectares em Bandeirantes. Em 1931, Takeo Atomiya,
da Nomura Boeki (Comercial Nomura) passara a cultivar um cafezal de 730
hectares em Cornélio Procópio.
Além
disso, havia também as facilidades trazidas pelos trilhos da Estrada
de Ferro São PauloParaná, construída a partir
dos anos 20, que atravessava extensas faixas de terra roxa passando por
Bandeirantes (1930), Jataí (1932) e chegando a Londrina em 1933.
A partir de
1931, a Cia de Terras Norte do Paraná iniciou o loteamento de 550
mil alqueires que pertenciam a um sindicato inglês e abrangiam desde
a região de Jataí e passavam por Londrina até Maringá.
Chamada pelos japoneses de colônia internacional
que Tomoo Handa protesta: era grande demais para ser chamada de
colônia, esse empreendimento, segundo levantamentos
de 1950, reunia imigrantes de 33 países (entre eles, os japoneses).
O primeiro
grupo de inspeção com 11 pessoas saiu de caminhão
de Cambará para Londrina em março de 1930, sob a liderança
Hikoma Ujihara, responsável pela negociação das terras
junto aos japoneses. Em outubro de 1931, chegavam as primeiras três
famílias para desmatar as suas terras.
As atividades
dos pioneiros, orientados por Ujihara, foram importantes para chamar novos
companheiros. Feita a limpeza do terreno, plantaram arroz, feijão
e milho e, somente depois da semeadura, passaram a construir suas casas.
Os troncos das palmeiras, abundantes na região, foram cortados
em quatro partes e aproveitados como paredes; o telhado foi feito de tabuinhas
finas de 30 a 35 centímetros, de pinho ou cedro.
Tomoo Handa
comenta que, nesses primeiros tempos, a produção abundante
do arroz foi saudada com alívio estava garantida a sobrevivência!
Agora, era só esperar pelo café, que era considerado como
a árvore que dava o dinheiro. A presença japonesa,
tendo a cidade de Londrina como o centro, dirigiu-se para a zona rural
e para a cidade que, ainda cheia de tocos das árvores recém-derrubadas,
passou a ter comerciantes nipo-brasileiros e as primeiras casas de comida
japonesa.
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