COLONIZAÇÃO
- Imigrantes japoneses na Estrada de Ferro Noroeste do Brasil
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(Texto: Célia
Abe Oi*)
Campo Grande
foi um dos importantes núcleos de imigrantes de Okinawa. Uma história
que começa com a Estrada de Ferro Noroeste. É claro que
o dinheiro falou mais alto. A diária média dos trabalhadores
não passava de três mil réis, mas, como operários
daquela ferrovia, poderiam ganhar cinco mil réis. Equivalia, no
Japão daquela época, ao salário mensal de um professor
substituto (três ienes).
Foi por conta
disso que 75 imigrantes originários principalmente de Okinawa (havia
de Kagoshima também), chegados no Kasato Maru em 1908, aceitaram
trabalhar no assentamento dos trilhos da Estrada de Ferro Noroeste do
Brasil, no então Estado do Mato Grosso. Em Santos, tomaram um navio
cargueiro da companhia que rumou ao Sul do Brasil e, pelo Rio Paraguai,
chegaram ao destino, Porto Esperança, 26 dias depois. Isso foi
em 1909. Outros japoneses vindos da Argentina e do Peru também
se juntaram ao grupo.
A chamada Terra
da Promissão ficou somente na fama: serviço pesado,
calor insuportável, alimentação imprópria
(carne seca, feijão, arroz e pouca verdura), ataques de insetos
venenosos e mosquitos, inclusive transmissores da malária. As cenas
parecem de um filme épico: muitos morreram, outros fugiram a tempo.
PASSADO
- Porto Esperança, o início da construção
da estrada pelos japoneses
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As obras ficaram
prontas em 1915. E foi a partir disso que a estação Campo
Grande passou a ser destacar, principalmente porque os operários
da Noroeste acabaram se fixando na região. Distante de 5 a 8 quilômetros
dali, os japoneses descobriram a fertilidade da Mata do Segredo e, a partir
de 1917, sete famílias iniciavam o núcleo pioneiro da colônia
Segredo.
Plantou-se
inicialmente a batata-doce, depois a mandioca, a batata e finalmente o
arroz. Em seguida, a cana-de-açúcar para rapadura e aguardente
(o melhor remédio para as durezas da vida, diziam). Depois, café,
milho e criação de porcos. Finalmente, escreve Handa, passada
mais de uma década da chegada, os imigrantes puderam escrever à
sua pátria orgulhosos pelas primeiras realizações.
Novos núcleos
de colonizadores (a maioria de okinawanos) começaram a surgir,
principalmente após a instalação do quartel militar
em Campo Grande, entre 1920 e 1922. Aumento da população
(incluindo os soldados), demanda de capim e verdura aos cavalos propiciou
o surgimento de pequenos agricultores em torno da cidade. Nas carroças,
os homens levavam o capim e as verduras ao quartel. As mulheres vendiam
pela cidade as verduras em enormes bacias equilibradas na cabeça.
Encerradas as vendas, elas se transformavam em lavadeiras.
Imagens que
ficaram gravadas na memória. Hoje, o comércio de verduras
e frutas concentra-se no mercado e na feira livre.
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Dizia-se que,
ao morrer, finalmente podia-se retornar ao Japão. Apesar disso,
era doloroso enterrar os corpos dos companheiros ao longo dos trilhos
recém-assentados.
A solução
foi queimar os corpos e depois recolher os ossos e deixá-los guardados
no acampamento. Quando alguém decidia abandonar os serviços,
pedia-se para dar um destino aos restos mortais enviá-los
ao Japão, ou enterrá-los em algum cemitério.
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