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Distribuição
dos imigrantes japoneses em São Paulo Principais núcleos
de colonização até 1940
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Ilustração
do livro O Imigrante Japonês História de Sua
Vida no Brasil, de Tomoo Handa, mostra a presença de imigrantes
em SP
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(Texto: Célia
Abe Oi*)
Quando
chegamos, fomos para os cafezais da Mogiana, depois mudamos para a Noroeste
e, quando os filhos cresceram, fomos para a Central. Fica difícil
acompanhar a trajetória dessa família para quem não
está familiarizado com a geografia das linhas férreas do
Estado de São Paulo. Nomes como Mogiana, Central, Paulista, Noroeste,
Alta Paulista, Sorocabana, Alta Sorocabana transformam-se num estranho
emaranhado, principalmente agora que elas deram lugar às estradas
de rodagem.
Atente para
o mapa e acompanhe a mobilidade dessa família. A Linha Mogiana
tem como destaque Ribeirão Preto, a chamada zona velha,
ou seja, uma das regiões mais antigas de produção
cafeeira. Portanto, foi lá que muitos imigrantes das primeiras
levas começaram a vida brasileira como contratado ou colono.
Depois, vem
a zona intermediária, representada pelas linhas Paulista,
Araraquara e Douradense, onde apareceram os primeiros núcleos de
proprietários japoneses plantando culturas anuais, principalmente
o algodão e o arroz, pois ainda não dispunham de recursos
para a cafeicultura.
Já a
partir de meados da década de 10, a chamada área nova
começa a ser ocupada de forma sistemática, ou seja, as imensas
glebas foram divididas e vendidas em lotes. A referência é
a Linha da Noroeste, onde os imigrantes japoneses, no trecho entre Bauru
e Araçatuba, montaram numerosos núcleos de sitiantes tendo
como os pioneiros Cafelândia e Birigüi, em 1915.
A partir da
década de 20, surgem pequenos núcleos ao longo da linha
Sorocabana (Avaré, Santa Cruz do Rio Pardo) com o cultivo do algodão,
e nas manchas de terra roxa (Ourinhos e Piraju) a formação
dos cafezais. Dali, seguiram em direção a Oeste, na Alta
Sorocabana, atingindo Paraguaçu Paulista em 1925 e Rancharia em
1929 (cerca de Presidente Prudente).
A par dos
núcleos formados pelos colonos das fazendas de café, temos
aqueles ocupados pelos colonizadores agrícolas, ou seja, que chegaram
aqui como imigrantes proprietários. No Vale do Ribeira (E. F. SantosJuquiá),
a colônia de Registro que se inicia em 1913 como um núcleo
semelhante à da Noroeste, a partir de 1919 recebe imigrantes proprietários
pela Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha Companhia de Fomento Industrial
no Ultramar. Depois, a Bratac Burajiru Takushoku Kabushiki Kaisha
(Cia de Colonização do Brasil S/A) cria no extremo oeste
da Noroeste as colônias das Alianças (a partir de 1925),
Tietê (atual Pereira Barreto, em 1929) e na linha Alta Paulista,
Bastos (em 1928). Nessas empresas, governo e capital privado do Japão
têm participação conjunta.
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A Noroeste
é chamada de berço do proprietário japonês
calcula-se que, em 1927, cerca de 3.700 famílias japonesas
morassem ao longo dessa via. Até 1920, escreve Hiroshi Saito, após
alguns anos como colonos de café, adquiriam a propriedade (cerca
de 10 alqueires) e cultivavam arroz e algodão e só depois
plantavam café. Os que chegaram depois de 1920 trabalhavam como
colonos, passavam a contratistas (formadores de café) durante 4
a 6 anos e só depois compravam a terra para cultivar o seu próprio
cafezal.
Já a
região da Sorocabana (e parte da Alta Paulista) caracterizou-se
pelo cultivo do ouro branco, o algodão, pelos arrendatários
japoneses. Ao contrário dos patrícios da Noroeste (o café
é cultura perene), têm alta mobilidade, visto que, em 4 ou
5 anos, esgotada a fertilidade da terra, mudavam em busca de novos locais.
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