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(Texto: Célia
Abe Oi*)
Hiroshi Saito
em sua obra O Japonês no Brasil, divide a corrente migratória
dos japoneses para o Brasil em três grandes períodos. A primeira
fase vai de 1908/1925 e é definida como a fase de tentativa
e de experiência, em que os imigrantes foram subsidiados, principalmente
pelo governo do Estado de São Paulo, que precisava de mão-de-obra
para a lavoura cafeeira.
O segundo período
vai de 1926 até 1941, considerado o auge do movimento, e foi subsidiado
e estimulado pelo governo japonês. Nessa fase, destaca-se o regime
de quotas adotado pelo Brasil em 1935, que reduziu a entrada de imigrantes
japoneses.
A terceira
fase vai de 1942 até 1953, ou seja, da interrupção
da vinda de imigrantes japoneses em 1942, devido a Segunda Guerra Mundial,
até 1953, quando o movimento é retomado com o reestabelecimento
das relações diplomáticas entre Brasil e Japão.
Nesta edição,
enfocamos essa primeira etapa dos imigrantes japoneses, dando prioridade
para a sua localização pelo Estado de São Paulo,
cujas levas (total de 42 navios) foram subsidiadas pelo governo paulista
atendendo aos apelos dos fazendeiros de café prejudicados com a
falta de mão-de-obra.
Este período
(1908/1925) pode ser subdividido em duas etapas: as 10 primeiras levas,
de 1908 até 1914 totalizando 3.734 famílias (14.886 pessoas),
de acordo com levantamentos apresentados por Saito. Após a 10ª
leva, o governo paulista comunicou sua intenção de rescindir
o contrato de transporte e de suspender os subsídios diante dos
baixos índices de fixação desses trabalhadores nas
fazendas para onde foram levados. No entanto, novo contrato foi estabelecido
em 1917 possibilitando a vinda, até 1921, de novos imigrantes japoneses.
Dados apresentados por Saito revelam que nessa fase, até 1920,
entraram no País 13.597 pessoas (3.413 famílias).
Para onde foram
esses imigrantes? A cultura do café está intimamente ligada
com o traçado das estradas de ferro e as primeiras linhas foram
Campinas (1872), Sorocaba (1875) e Ribeirão Preto (1883). Não
é à toa que grande parte dos imigrantes japoneses foram
levados para as fazendas localizadas nessas regiões pioneiras:
nas primeiras 10 levas, 3.284 pessoas foram encaminhadas para Ribeirão
Preto (linha Mogiana), próximo dali, Sertãozinho recebeu
1.102 pessoas (de acordo com dados levantados por Arlinda Rocha Nogueira).
Essa mesma tendência continuou nas levas seguintes, tendo como primeiros
colocados Ribeirão (513 famílias), São Simão
(138), Sertãozinho (135), Cravinhos (123) e Jardinópolis
(119). Acompanhe, na ilustração, os outros locais.
Enfrentando
grandes dificuldades de adaptação, os imigrantes japoneses
cumpriram os contratos com os fazendeiros (alguns fugiram antes de seu
término). A partir de meados da década de 10, a geografia
da localização desses imigrantes começa a mudar.
Eles vieram ao Brasil com a intenção de ganhar dinheiro
e retornar o mais rápido possível para o Japão. Ao
perceberem que isso seria impossível como trabalhadores contratados,
saem em busca da independência econômica como lavradores autônomos
ou independentes. E é exatamente nessa região da Mogiana
que se inicia o movimento da lavoura independente: em 1912, um grupo da
estação Igarapava começa o plantio comercial de arroz.
Sobre isso,
aguarde. Na próxima edição, trataremos sobre a localização
dos agricultores independentes.
(*É
diretora do Museu da Imigração de São Paulo)
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