ZONA
SUL - O cultivo de hortaliças pelos imigrantes japoneses
teve início em 1913, no bairro do Morumbi |

BATATAS - Famílias produtoras instalaram-se em Santana e
Taipas em 1911 |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)
Após
deixar as fazendas de café, apenas uma pequena parte dos imigrantes
japoneses optou pela periferia da cidade de São Paulo. O fato é
que desde 1911 há registros de produtores de batatas nas regiões
de Santana e Taipas próximo ao Pico do Jaraguá. Dois
anos depois, algumas famílias de japoneses começaram a plantar
verduras no Morumbi. Outras dez, chegadas de Guatapará, adquiriram
50 alqueires em Juqueri hoje Franco da Rocha, próxima a
Mairiporã e passaram a plantar batatas. Em 1914, chegaram
à Vila Cotia os primeiros japoneses também interessados
no cultivo de batatas.
Esses pioneiros
buscaram a periferia da cidade de São Paulo por diferentes motivos.
Alguns, fugidos das fazendas da café, não conseguiram empregos
no centro urbano e aceitaram trabalhar nas chácaras de propriedade
dos brasileiros; outros optaram pela periferia da capital, motivados pelas
facilidades de assistência médica e pelas melhores condições
de estudos dos filhos.
Na realidade,
a cidade de São Paulo, após o término da Primeira
Guerra Mundial de 1914 a 1918 vinha se transformando num
centro industrial. Sua população aumentara consideravelmente,
favorecendo os meios ligados à produção alimentícia.
Com as atividades
voltadas principalmente à produção de verduras e
batatas, já em 1927 a população de japoneses nos
arredores da capital apresentava importante crescimento, ao mesmo tempo
em que se constituíam novos núcleos.
Na Freguesia
do Ó moravam 53 famílias; em Cotia, havia 80, que, em sua
maioria, cultivava batatas. Em Barueri, algumas famílias também
começaram a produzi-las. Em Itaquera, desde 1923 vinha sendo desenvolvido
o empreendimento imobiliário Colônia Nipônica. Em 1927,
cerca de 20 famílias já moravam no local, cultivando, entre
outros produtos, tomates e morangos. Mais tarde, a região destacaria-se
como grande produtora de pêssego.
Quanto ao sistema
de comercialização, segundo Tomoo Handa, as batatas eram
vendidas aos intermediários que depois as repassavam aos
varejistas e as hortaliças eram comercializadas diretamente
pelos produtores. Com o passar dos anos, esse sistema foi diversificado
com a venda pelas cooperativas e nas feiras livres.
Até
por volta dos anos 30, conta Handa, as verduras eram vendidas pelos portugueses,
que empurravam pelas ruas os seus carrinhos de roda com as mercadorias
ou carrocinhas puxadas por mulas. Entre os japoneses, havia uma particularidade:
ao contrário dos europeus, essa atividade estava a cargo das mulheres.
Logo nas primeiras horas do dia, com a balança sobre os ombros,
a figura vigorosa da mulher japonesa podia ser vista principalmente
nos bairros da periferia, descreve.
O autor conta
também que as dificuldades dos produtores de batatas para transportar
seus produtos até a cidade constituíram-se num capítulo
à parte. No caso da Vila Cotia, por exemplo, da roça a produção
era transportada por mulas cada uma carregava no máximo
duas sacas de 75 quilos cada. Depois, era colocada nos carros de bois,
puxados por seis ou oito animais até o Mercado de Pinheiros. De
lá, como eram proibidos de circular pela cidade, transferiam novamente
as sacas para as carroças puxadas a cavalo. Essa mesma façanha
era exigida dos produtores da região de Juqueri.
Somente a partir
de 1926/30, quando o presidente Washington Luís começou
a construir estradas ainda sem asfalto para incrementar
o uso de automóveis, tornou-se possível o uso do caminhão
Ford com capacidade de carga de até uma tonelada 18 sacas
de batata.
|