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  Históra da Imigração Japonesa
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De colônia em colônia, a aventura da família Hakkodan
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Imigração japonesa na linha Santos– Juquiá
No mesmo ano que a primeira leva de imigrantes desembarcava no Porto de Santos, a cidade já registrava também os primeiros japoneses.

HISTÓRIA - Foto do primeiro abrigo de japoneses em Santos: imigrantes foram chegando desde 1908

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Que a primeira leva de imigrantes japoneses desembarcou no Porto de Santos no dia 18 de junho de 1908 não é novidade. O que poucos sabem, na verdade, é que a cidade já registrava, naquele mesmo ano, a presença de alguns imigrantes japoneses. Eram sete ou oito famílias, todas de Okinawa, que voltaram a Santos na condição de operários urbanos depois de abandonarem a Fazenda Canaã, no interior paulista.

O livro O Imigrante Japonês, de Tomoo Handa, argumenta que os japoneses voltaram à Santos atraídos pelo cheiro saudoso da terra natal que o porto exalava. Ainda em 1908, outras famílias okinawanas, oriundas da Fazenda Floresta, também chegavam à cidade, passando a trabalhar como estivadores e operários na pedreira Jabaquara.


PESCA - Grupo de pescadores em São Vicente

Com o crescente número de japoneses, surgia, em 1913, o primeiro hotel de japoneses, batizado de Tokyo, aberto por Tsunetaka Enoki. Seis anos depois, instala-se na cidade a pensão Seikô-Kan. Foi ali em Santos também que, no dia 2 de março de 1924, seria aberto o primeiro escritório do Consulado do Japão na cidade. Uma pesquisa no ano seguinte já contabilizava a presença de 406 famílias japonesas na região, ou 1.632 pessoas, a maioria se dedicando à horticultura e à pesca.

A prática da pesca entre os japoneses tornou-se comum ao longo dos anos. Em 1911, há o registro do aparecimento do primeiro núcleo de pescadores japoneses em São Vicente, vizinha a Santos. Em 1932, surgia a Cooperativa Pesqueira, com 63 associados. Antes, em 1915, era fundada a primeira fábrica de shoyu, de nome Marukan, de propriedade de Eitaro Kanda.

Distribuição dos japoneses em Santos e região – ano de 1925
Ocupação
Famílias
Nº de pessoas
Pesca
65
245
Horticultura
245
940
Ofícios de artesão
49
222
Comércio
37
193
Prostituição (bordéis)
10
32
Total
406
1.632

Fonte: O Imigrante Japonês – autor Tomoo Handa

A colônia japonesa começa a se expandir em sentido a Juquiá, acompanhando a linha ferroviária que seria construída a partir de 1912. No decorrer da obra, muitos imigrantes acabaram também por iniciar novos empreendimentos, especialmente na área agrícola. Foi assim no distrito de Ana Dias, na região de Itariri, entre Santos e o Vale do Ribeira. Historicamente, as seis primeiras famílias, todas de Okinawa, estabeleceram-se por ali em março de 1913.

A ferrovia Santos-Juquiá foi finalizada em 1914. Após o término das obras, registrou-se a entrada de mais 20 famílias em Ana Dias. A vizinha Cedro, com três famílias, também começava a ganhar características nipônicas. Em 1918, a região de Alecrim, hoje Pedro de Toledo, receberia nove famílias que se dedicaram ao cultivo de arroz.

Outras 50 famílias de colonizadores chegaram a Conceição de Itanhaém (atual município de Itanhaém) também em 1918. No ano seguinte, a vizinha Mongaguá já contabilizava famílias japonesas também. Assim, em 1920, cerca de 400 famílias estavam instaladas ao longo da ferrovia.

Aliás, a comunidade japonesa da Santos-Juquiá viveu seu apogeu entre 1920 e 1921, trabalhando na rizicultura, cultivo da banana, batata, cana e carvão vegetal. Depois disso, começou o declínio da imigração na região, causada principalmente pela alta do preço do arroz. Registra-se também que dezenas de famílias resolveram apostar em novas empreitadas pelas regiões noroeste e sorocabana de São Paulo, de onde vinham notícias do bom desempenho das culturas do café e do algodão.


As fontes para os textos são Museu Histórico da Imigração Japonesa, O Imigrante Japonês (Tomoo Handa), Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil (Editora Hucitec) e A Imigração Japonesa na Lavoura Cafeeira Paulista (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo).
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