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  Históra da Imigração Japonesa
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Núcleo Iguape: colonizadores começam a chegar em 1913
Colonização na região ocorreu em Registro, Sete Barras e Katsura (Gipuvura), beirando o rio Ribeira do Iguape

Chegada dos pioneiros japoneses em Registro

Cultivo de chá foi introduzido por Torazo Okamoto, que trouxe mudas em 1919

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Passado alguns anos após o início da imigração, em junho de 1908, os pioneiros japoneses começaram a se espalhar pelo interior paulista. No Vale do Ribeira, no caminho de São Paulo para o Paraná, em 1913, surgiu um dos primeiros núcleos de imigrantes, batizado de Iguape, composto por Registro, Sete Barras e Katsura (Gipuvura). Historicamente, o núcleo naquela região começou a ganhar forma um ano antes, quando o governo do Estado e Ikutaro Aoyagui, representante do Sindicato de Tóquio, uma empresa paraestatal de colonização, assinaram um contrato para a concessão de 50 mil hectares de terra.

Os imigrantes japoneses começaram a colonização no Vale por Gipuvura, local que mais tarde ganharia a denominação de núcleo Katsura, em homenagem a Taro Katsura. No total, 30 famílias integraram o primeiro grupo, todas arrregimentadas por Aoyagui na Rua Conde de Sarzedas, em São Paulo. Na maioria, eram operários qualificados que, na época, trabalhavam em uma fundição de ferro na capital. Alistaram-se também carpinteiros, pedreiros, ex-comerciantes e ex-estudantes.

Pelo acordo, cada família de imigrante ganhou da companhia colonizadora um terreno de 15 mil metros quadrados e uma moradia. O colonizador, por sua vez, plantaria arroz ou cana-de-açúcar (25% da safra iria à empresa e o restante ficaria com o proprietário da terra). O sucesso da colheita foi imediato, graças ao trabalho conjunto das pessoas, o que funcionou como chamariz para a chegada de novas levas de imigrantes japoneses à região.


Igreja sendo construída em Registro, que só tornou-se independente de Iguape em 1945

Assim, em 1913, um grupo de três funcionários da Companhia de Colonização do Brasil foi reconhecer e analisar as potencialidades do local que viria a se tornar o núcleo Registro, proclamado independente de Iguape somente em 1945. Um ano depois, já desembarcavam as três primeiras famílias de imigrantes. Esses núcleos do Vale do Ribeira ganharam fama e atraíram mais gente. O núcleo de Sete Barras, com oito famílias, foi o último a surgir e tornou-se independente de Registro em 1959.

Tamanho sucesso pode ser dimensionado pelo número de imigrantes japoneses no núcleo Iguape. Em 1917, já chegavam a 1.060 famílias, totalizando 5.121 pessoas, a maioria em Registro. Ironicamente, registros apontam apenas 462 famílias e 2.210 japoneses em 1931. A redução ocorreu porque a terra esgotou-se, o café sofria um novo boom no interior do Estado e o algodão começava a experimentar seu auge.

Mas quem ficou na região não se arrependeu. No lugar do café, o solo úmido favoreceu outras culturas. A cana e o arroz continuaram sendo beneficiados, mas o cultivo do chá, trazido em 1919 por Torazo Okamoto, ganha destaque.


As fontes para os textos são Museu Histórico da Imigração Japonesa, O Imigrante Japonês (Tomoo Handa), Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil (Editora Hucitec) e A Imigração Japonesa na Lavoura Cafeeira Paulista (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo).
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