MEMÓRIAS
- Desbravando as matas, os imigrantes japoneses foram entrando pelo
interior de São Paulo. Alguns núcleos importantes
foram formados na região de Iguape, no Vale do Ribeira, e
na Noroeste
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
A partir de
1910, começam a surgir os primeiros sinais para a formação
dos núcleos coloniais. Pode-se dizer que a imigração
no Brasil teve vários tipos de colonização. Um é
o planejado pelas companhias subvencionadas pelo governo brasileiro. O
segundo foi aquele formado pelos próprios imigrantes em torno de
um líder. Outro surgiu da venda de terras chamado shokuminchi,
onde se comercializava lotes em matas virgens de grandes propriedades.
E havia ainda aquele em que japoneses iam adquirindo terras na mesma área.
O primeiro
dos núcleos data de 1913, na região de Iguape, batizado
de Katsura, constituído por 30 famílias arregimentadas por
Ikutaro Aoyagui, representante do Sindicato de Tóquio (empresa
paraestatal de colonização). Em 1915, Umpei Hirano começa
a desbravar terras para a formação da Colônia Hirano,
a primeira na Linha Noroeste de São Paulo, onde se encontra a cidade
de Cafelândia. Em 1916, começa a surgir no Paraná
a Colônia Cacatu. No mesmo ano, é fundada a Colônia
Vai-Bem e a Colônia Brejão, na região de Álvares
Machado.
Mas em 1926
o governo japonês resolveu participar ativamente do processo e decidiu,
ele próprio, criar mecanismos para incrementar e subsidiar a vinda
dos interessados em trabalhar no Brasil. Como exemplo podemos citar as
colônias de Tietê (hoje Pereira Barreto), Bastos e Alianças,
além de Três Barras (atual Assaí), fundadas pela Cooperativa
de Colonização do Brasil Ltda. (Bratac).
Vinte e dois
de novembro de 1932. O governo paulista decreta uma lei que proíbe
a entrada e o plantio do café no Estado durante três anos,
com o objetivo de proteger os cafeicultores já estabelecidos afetados
pela crise de 1929. A notícia caiu como uma bomba entre os japoneses.
Foi aí que muitos deles voltaram seus olhos para o Paraná,
onde se dá conta de que imigrantes estavam estabelecidos em Cambará
desde 1913. Outros já haviam tentado estabelecer-se em Curitiba.
Até
aquela época, além de São Paulo, outra região
que já atraía outro grande número de japoneses era
o Mato Grosso. Os imigrantes, em grande maioria de Okinawa, chegaram por
lá atraídos pelos serviços de obras na construção
de ferrovias, já no final mesmo de 1908 e princípio de 1909.
O principal atrativo para esse tipo de serviço, longe das fazendas,
era o bom salário.
A entrada de
imigrantes no Paraná ganhou novos contornos a partir de 1917, com
a criação da Colônia Cacatu, em Antonina. O local
foi uma descoberta feita por Takashi Watanabe, Jingoro Hara e Seita Yassumoto,
entre outros, que já trabalhavam em fazendas no interior de São
Paulo. Um ano depois surgia a Colônia Cachoeira.
No Norte do
Paraná, uma das famílias pioneiras foi a dos Matsubara,
que chegou em 1925. No rastro desse núcleo, veio a colonização
de Bandeirantes com a fazenda Nomura. Os pioneiros japoneses foram para
Cornélio Procópio em 1928 e um ano depois, com o assentamento
de outras famílias, nasceu a fazenda Atomiya. A colonização
no Estado ficou estagnada até 1930, quando a Companhia de Terras
Norte do Paraná pôs à venda uma faixa estreita de
550 mil alqueires, entre Jataí e Maringá.
No mesmo ano
em que a estrada de ferro chegou a Londrina, foi fundada em 5 de maio
de 1935, por Koshiro Suzuki, a Colônia Esperança, em Arapongas.
A 419 km de Curitiba, no Noroeste do Estado, nascia no final da década
de 40 a cidade de Maringá, colonizada dentro dos planos da Companhia
de Terras Norte do Paraná. Ela foi uma cidade planejada, e, hoje,
pode ser notada aqui e ali a presença dos japoneses, que começaram
a chegar na região no final dos anos 30.
Diferentemente
do ocorrido nas regiões Sul e Sudeste, a imigração
no Norte contou com um estudo técnico detalhado e o apoio da iniciativa
privada. O governo paraense concedeu, após acordo com o governo
japonês, 500 mil hectares para o chamado Projeto de Colonização
Japonesa na Amazônia. Assim, a bordo do Montevideo Maru, as primeiras
43 famílias aportam no atracadouro de Tomé-Açu pelo
rio Acará-Mirim, em 22 de setembro de 1929, enviadas pela Nambei
Takushoku Kabushiki Kaisha (Nantaku). Mas estudos apontam que 20 anos
antes já existiam japoneses na região, vindos como retirantes
da imigração no Peru.
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