A
Casa Mikado foi um dos primeiros estabelecimentos comerciais de
japoneses em São Paulo |
Casa
Kida: venda de móveis e esmaltados na capital paulista |
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
As fugas dos
japoneses das fazendas, geradas pelas más condições
de habitação e alimentação, o fraco desempenho
do setor cafeeiro no período, e a falta de sintonia com os proprietários,
levaram os imigrantes a desbravar o interior de São Paulo. Foram,
em sua maioria, para novas propriedades. Outros tentaram a sorte nas estradas
de ferro da Noroeste ou trocaram o Brasil pela Argentina, de onde vinham
notícias de que por lá seria mais fácil.
Mas houve,
naqueles grupos de fuga, quem viesse a São Paulo. A cidade não
lhes seria estranha. Afinal, já na primeira leva do Kasato Maru,
em 1908, alguns já tinham ficado na capital paulista trabalhando
como carpinteiros, artesãos, forjadores, costureiros e em casas
de vendas, como a Casa Fujisaki, instalada em 1906.
Com a matriz
em Sendai, a Casa Fujisaki foi aberta com o nome de O Japão em
São Paulo, vendendo artigos japoneses. Em 1910, surgia no Rio de
Janeiro a Casa Hachiya, com sede em Nagóia, comercializando porcelanas
e artigos importados. A Fujisaki, porém, fechou suas portas em
1932, seis anos após a morte de seu proprietário Saburosuke
Fujisaki.
Historicamente,
pode-se dizer que as casas Fujisaki e Hachiya foram as primeiras empresas
japonesas a se instalarem no Brasil. Depois vieram, anos mais tarde, a
Casa Hase, Casa Endo, Casa Nakaya, Casa Kunii e Casa Ito. Da época,
costuma-se relatar a importância que teve para os japoneses os trabalhos
realizados pelos conterrâneos Takeo Goto, da Casa Fujisaki, Umekichi
Akeho, artesão-chefe de uma confecção de chapéus,
e Teijiro Suzuki, secretário da Hospedaria dos Imigrantes.
O contingene
de imigrantes japoneses começa a crescer em São Paulo. Surgiram
também casas, em formato de pensões no Brás e na
Móoca, que abrigavam nipônicos que chegavam à cidade
após abandonarem as fazendas.
Aliada à
entrada dos japoneses em novas fazendas, com a chegada do segundo grupo
com 906 pessoas em 1910 no navio Ryojun Maru, começava também
a inserção de muitos deles em novos setores. Em 1911, já
era possível encontrar japoneses trabalhando na horticultura nos
bairros de Santana e Taipas, na Zona Norte de São Paulo. Outros
plantadores de verduras surgiram no Morumbi, Mairiporã e Moinho
Velho.
Em 1915, na
Rua Conde de Sarzedas, no centro de São Paulo, transformada em
paraíso dos japoneses, surgiria também a Escola Taisho,
o primeiro estabelecimento de ensino criado e mantido por imigrantes.
Nesse período, o número de japoneses crescia assustadoramente.
Assim, foram surgindo posições de chefia e pessoas que arranjavam
trabalhos em São Paulo. Seis anos após a entrada do Kasato
Maru, outras nove embarcações chegaram ao Porto de Santos,
totalizando 14.899 pessoas.
Depois da experiência
nas fazendas, os japoneses partiram para as frentes de expansão
do sertão do Estado de São Paulo, Paraná e no Triângulo
Mineiro. A partir de 1910, começam a surgir os primeiros sinais
para a formação dos núcleos coloniais.
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