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A vida difícil dos imigrantes nas fazendas do interior de SP
Hospedaria dos Imigrantes, a primeira parada
A vida difícil dos imigrantes nas fazendas do interior de SP
A vida dos imigrantes nesses locais não durou muito tempo. Em setembro de 1909,
apenas 191 deles continuavam o trabalho nas fazendas que receberam os pioneiros do navio Kasato Maru

HISTÓRIA - Imigrantes japoneses na cafeicultura trabalhavam muito,mas ganhavam pouco

(Fotos: Museu Histórico da Imigração Japonesa)

Dos 781 imigrantes japoneses que desembarcaram com o navio Kasato Maru no dia 18 de junho de 1908, 773 seguiram, a partir do dia 27 do mesmo mês, para as fazendas Canaã, Floresta, São Martinho, Guatapará, Dumont e Sobrado, todas no interior de São Paulo. No total, foram 586 homens e 187 mulheres. Os demais, entre eles três casais, ficaram em São Paulo.

Em comum entre as fazendas que abrigaram os primeiros nipônicos estava as plantações de café. A vida dos imigrantes japoneses nessas fazendas, entretanto, não durou muito tempo. Em setembro de 1909, apenas 191 deles continuavam o trabalho.

O trabalho nas fazendas, invariavelmente, começava às 6 horas da manhã. Era um serviço árduo, que foi ainda complicado já que 1908 foi um dos piores anos na história da então próspera cafeicultura brasileira. Aliado a isso ainda tinha a concorrência da mão-de-obra européia.

Mas vários outros fatores contribuiram para que a estada nas fazendas de café tivesse sido curta. Más condições de habitação e alimentação, dificuldade de entendimento com os fazendeiros em função da língua e dos diferentes costumes são apenas alguns exemplos.

Outro detalhe é que os cafeeiros, já velhos, não rendiam aos japoneses ¼ daquilo que esperavam ganhar. Ou como Ryu Mizuno havia propagandeado ainda no Japão, comparando as plantações de café à verdadeiras minas de ouro.Assim, o que muitos ganhavam mal dava para sobreviver. Por conta disso começaram as reclamações e o clima de descontentamento foi tomando conta. A Fazenda Sobrado, para onde foram 49 pessoas de 15 famílias, foi a única a não registrar nenhum tipo de conflito mais grave, ao contrário do que ocorreu na Fazenda Dumont, constituída por Henrique Dumont, pai do aviador Santos Dumont.

Com os problemas, começaram a retirada e as fugas das fazendas.Depois de seis meses, dos 773 imigrantes enviados às seis fazendas, 430 haviam se retirado desses locais indo para novas propriedades. Outros tentaram a sorte nas estradas de ferro da Noroeste ou trocaram o Brasil pela Argentina, de onde vinham notícias de que por lá seria mais fácil.

 
• Fazenda Floresta - ficava na Estação Itu, da linha Ituense, onde hoje está a cidade de Itu,
a 106 km de São Paulo.

• Fazenda Canaã - ficava na Estação Canaã da linha Mogiana. A fazenda estava cerca de 40 km de distância de Ribeirão Preto.

• Fazenda Dumont - ficava na Estação Dumont, também da linha Mogiana, a 23 km de Ribeirão Preto. A fazenda tinha 3 milhões de pés de café.

• Fazenda Guatapará - estava na Estação Guatapará da linha Paulista, entre Ribeirão Preto e Araraquara. O local tinha 9 mil alqueires e 1,8 milhão de pés de café plantados.

• Fazenda São Martinho - ficava na Estação Martinho Prado da linha Paulista, onde hoje está a cidade de Pradópolis. Tinha na época 2 milhões de cafeeiros.

• Fazenda Sobrado - ficava na Estação Treze de Maio da linha Sorocabana, zona que tinha como centro a cidade de São Manoel, a 288 km da capital paulista.


As fontes para os textos são Museu Histórico da Imigração Japonesa, O Imigrante Japonês (Tomoo Handa), Uma Epopéia Moderna – 80 Anos da Imigração Japonesa no Brasil (Editora Hucitec) e A Imigração Japonesa na Lavoura Cafeeira Paulista (Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo).
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