HISTÓRIA
- Imigrantes japoneses na cafeicultura trabalhavam muito,mas ganhavam
pouco
|
(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
Dos 781 imigrantes
japoneses que desembarcaram com o navio Kasato Maru no dia 18 de junho
de 1908, 773 seguiram, a partir do dia 27 do mesmo mês, para as
fazendas Canaã, Floresta, São Martinho, Guatapará,
Dumont e Sobrado, todas no interior de São Paulo. No total, foram
586 homens e 187 mulheres. Os demais, entre eles três casais, ficaram
em São Paulo.
Em comum entre
as fazendas que abrigaram os primeiros nipônicos estava as plantações
de café. A vida dos imigrantes japoneses nessas fazendas, entretanto,
não durou muito tempo. Em setembro de 1909, apenas 191 deles continuavam
o trabalho.
O trabalho
nas fazendas, invariavelmente, começava às 6 horas da manhã.
Era um serviço árduo, que foi ainda complicado já
que 1908 foi um dos piores anos na história da então próspera
cafeicultura brasileira. Aliado a isso ainda tinha a concorrência
da mão-de-obra européia.
Mas vários
outros fatores contribuiram para que a estada nas fazendas de café
tivesse sido curta. Más condições de habitação
e alimentação, dificuldade de entendimento com os fazendeiros
em função da língua e dos diferentes costumes são
apenas alguns exemplos.
Outro detalhe
é que os cafeeiros, já velhos, não rendiam aos japoneses
¼ daquilo que esperavam ganhar. Ou como Ryu Mizuno havia propagandeado
ainda no Japão, comparando as plantações de café
à verdadeiras minas de ouro.Assim, o que muitos ganhavam mal dava
para sobreviver. Por conta disso começaram as reclamações
e o clima de descontentamento foi tomando conta. A Fazenda Sobrado, para
onde foram 49 pessoas de 15 famílias, foi a única a não
registrar nenhum tipo de conflito mais grave, ao contrário do que
ocorreu na Fazenda Dumont, constituída por Henrique Dumont, pai
do aviador Santos Dumont.
Com os problemas,
começaram a retirada e as fugas das fazendas.Depois de seis meses,
dos 773 imigrantes enviados às seis fazendas, 430 haviam se retirado
desses locais indo para novas propriedades. Outros tentaram a sorte nas
estradas de ferro da Noroeste ou trocaram o Brasil pela Argentina, de
onde vinham notícias de que por lá seria mais fácil.
|
Fazenda Floresta - ficava na Estação Itu, da linha Ituense,
onde hoje está a cidade de Itu,
a 106 km de São Paulo.
Fazenda
Canaã - ficava na Estação Canaã da linha
Mogiana. A fazenda estava cerca de 40 km de distância de Ribeirão
Preto.
Fazenda
Dumont - ficava na Estação Dumont, também da
linha Mogiana, a 23 km de Ribeirão Preto. A fazenda tinha 3 milhões
de pés de café.
Fazenda
Guatapará - estava na Estação Guatapará
da linha Paulista, entre Ribeirão Preto e Araraquara. O local tinha
9 mil alqueires e 1,8 milhão de pés de café plantados.
Fazenda
São Martinho - ficava na Estação Martinho Prado
da linha Paulista, onde hoje está a cidade de Pradópolis.
Tinha na época 2 milhões de cafeeiros.
Fazenda
Sobrado - ficava na Estação Treze de Maio da linha Sorocabana,
zona que tinha como centro a cidade de São Manoel, a 288 km da
capital paulista.
|