Na
chegada em São Paulo, eles traziam bandeiras do Japão
e do Brasil nas mãos
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(Fotos: Museu
Histórico da Imigração Japonesa)
A chegada
dos primeiros 781 imigrantes japoneses ao Porto de Santos, no dia 17 de
junho, ocorreu às vésperas das festividades de São
João. Naquela noite, rojões ecoaram pelos céus da
cidade. O desembarque da primeira leva nipônica no País,
acompanhado por olhares curiosos de brasileiros, só ocorreria às
7 horas do dia seguinte, 18 de junho. O destino: Hospedaria dos Imigrantes,
em São Paulo.
A viagem à
Hospedaria foi feita de trem, na segunda classe. Além da pouca
bagagem, bandeiras do Japão e do Brasil nas mãos. Foram
três agonizantes horas até a chegada a São Paulo.
Vestidos à européia, foram recepcionados pelos funcionários
e diretores do local, além do quinteto Massaru Mine, Motonao Ohno,
Umpei Hirano, Junnosuke Kato e Takashi Nihei, patrícios que haviam
chegado ao País via Sibéria. Aliás, seriam eles os
cabeças que os levariam às seis fazendas que receberam os
imigrantes japoneses.
Os japoneses
passaram nove dias na Hospedaria. Foram dias angustiantes à espera,
enfim, do trabalho. Afinal, a idéia deles era ficar no Brasil por
pouco tempo, fazer o pé-de-meia e voltar ao Japão. Eles
acreditavam, dia e noite, nas palavras ditas pelo ex-deputado Ryu Mizuno,
que já havia estado no Brasil em 1906 e voltou ao arquipélago
dizendo que o país era uma mina de ouro.
Nos nove dias
alojados em São Paulo, houve quem estivesse disposto a conhecer
a cidade. No sexto dia na Hospedaria, um grupo de Okinawa resolveu sair
à rua. Pararam na Praça da Sé, onde foram cercados
por uma multidão de curiosos. Mas nenhum incidente foi registrado.
A saída
dos japoneses da Hospedaria com destino às fazendas teve início
na manhã do dia 27 de junho. Dez dos imigrantes ficaram em São
Paulo mesmo. Sob os cuidados de Massaru Mine, 152 pessoas de 24 famílias
de Okinawa foram enviadas para a Fazenda Canaã. Tendo a frente
Motonao Ohno, outras 173 de 23 famílias, também okinawanas,
foram enviadas para a Fazenda Floresta.
Outros dois
grupos seguiram no dia seguinte. Sob a liderança de Teijiro Suzuki,
101 pessoas, de 27 famílias de Kagoshima, foram para a Fazenda
São Martinho e outras 88, de 23 famílias de Kagoshima, Kochi
e Niigata, foram para Fazenda Guatapará, com o intérprete
Umpei Hirano.
No dia 29,
foram com Junnosuke Kato para a Fazenda Dumont 210 pessoas, de 52 famílias
de Fukushima, Kumamoto, Hiroshima, Miyagi e Tóquio. E no dia 6
de julho, com Takashi Nihei, embarcaram 49 pessoas de 15 famílias
de Yamaguchi, Aichi, Yamanashi e Ehime com destino à Fazenda Sobrado.
A exceção
de Sobrado, que se localizava onde hoje está o município
de São Manuel, e Floresta, onde está Itu, as demais propriedades
ficavam na região de Ribeirão Preto. A vida nessas fazendas,
entretanto, não durou muito tempo. Em setembro de 1909, apenas
191 deles continuavam o trabalho.
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