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Kinoko
O primeiro registro histórico sobre o cogumelo no Japão
ocorreu na Era Nara, século VIII, na obra Nihon Shoki

Matsutake, uma preciosidade:
era consumido em banquetes

Nameko: como outros tipos de cogumelo, é especialidade de outono no Japão

(Fotos: Divulgação)

Kinoko, literalmente broto de árvore em japonês, designa qualquer tipo de cogumelo, ingrediente muito presente na dieta japonesa. Dentre os cogumelos comestíveis, consumidos comumente no Japão, podemos citar o matsutake, hatsutake, shiitake, shimeji, nameko, enoki, hiratake, eringi, maitake e o mushroom (champignon), alguns deles já conhecidos no Brasil.

No arquipélago, os cogumelos são considerados especialidades de outono, mas nem por isso seu consumo se restringe somente a essa estação. Eles estão presentes no cotidiano dos japoneses, desde quando se vivia em contato com a natureza, passando a integrar a cultura gastronômica do país, ao longo do tempo, nos mais variados pratos, como o okowa, o gomoku-gohan e o takikomi-gohan (tipos de arroz cozido com vários ingredientes, temperados com shoyu), no tradicional missoshiru ou suimono (sopas que acompanham a refeição), cozidos como o stew (cozido de carnes e legumes), nishime (legumes cozidos no shoyu), tempurá, refogados, chirashi-zushi (sushi no prato), sukiyaki, nabemono (calderada), sunomono (tipo de salada ou picles), ankake (prato coberto com um molho espesso), shuumai (bolinho cozido no vapor ou frito) ou harumaki (rolinho primavera).

Além de ingredientes extremamente versáteis e saborosos, os cogumelos são muito apreciados também por suas baixas calorias e benefícios à saúde, fortalecendo os ossos, prevenindo o câncer e outras doenças relacionadas aos hábitos de vida.


História

Shimeji: hoje, apreciado por ocidentais
Nas ruínas da Era Jomon (300 ~ 10 mil a.C.), na região nordeste do Japão, foram encontrados utensílios de barro no formato de cogumelo comestível, supondo-se que esse ingrediente já fazia parte da alimentação da época, sabendo-se distingui-lo de espécies venenosas. Dentre as ruínas da Era Yayoi (sécs. IV a.C. ~ III d.C.), foram encontrados também bonecos de barro com formato de cogumelo matsutake. O primeiro registro histórico sobre o cogumelo no Japão, ocorreu na Era Nara (séc. 8), na obra Nihon Shoki, citado como presente de um morador do feudo de Yoshino ao imperador Oujin, como produto típico regional. Na antologia poética, Man’yôshû, encontra-se um poema inspirado no matsutake do Monte Takamado, de Nara. Nas obras Kokinwakashu, Kokinshu e Shuiwakashu, há registros do costume de nobres e poetas colherem cogumelos matsutake, como evento tradicional da estação de outono, na Era Heian (sécs. VIII ~ XII). Como hoje, também nessa época, o matsutake era considerado uma preciosidade, e as pessoas antigas consumiam-no em banquetes, ou ofertavam-no como presentes valiosos. Através da obra literária Konjakumonogatari, percebe-se que os cogumelos matsutake e hiratake eram muito valorizados na Era Heian. Na Era Momoyama (sécs. XVI~XVII), os samurais passaram a ter acesso à diversão de colher o matsutake, enquanto para o povo em geral isso aconteceu somente na Era Edo (sécs. XVII~XIX). No livro de culinária Honchoushokkan, da Era Edo, foram registradas cerca de dez espécies de cogumelos, dentre eles: matsutake, hatsutake, koutake, hiratake, shiitake, enokitake e shouro. Naquela época, o cogumelos eram consumidos principalmente assados, em caldos, em cozidos e aemono (pratos que levam gergelim, vinagre e missô). Na Era Taisho (1912~1926) e Showa (1926~1989), várias espécies de cogumelos passaram a ser cultivados de maneira estável no Japão, e, atualmente, são apreciados no mundo inteiro.
 
Você sabia?

Aprenda a fazer o caldo “curinga”, Happô-dashi


Shiitake: ingrediente principal da receita
O happô-dashi tem este nome, proveniente da expressão japonesa shihou happou (para todos os lados, em todas as direções), porque é um tipo de caldo básico que pode ser utilizado em vários pratos japoneses, como caldos de macarrão, para temperar o arroz cozido com legumes (takikomi-gohan) ou para incrementar cozidos como o nishime e o sukiyaki. Experimente!
Ingredientes
••• 3 xícaras (de chá) de shoyu
••• 1 xícara (de chá) de saquê
••• 4 shiitake secos
••• 2 xícaras (de chá) de katsuobushi (flocos de peixe seco)
••• 15cm de alga konbu (alga marinha comestível)
••• 1 xícara (de chá) de mirin
(saquê licoroso)

Modo de preparo
1• Junte todos os ingredientes em uma panela e deixe-os descansar por uma noite.
2• No dia seguinte, coloque o preparado em fogo baixo e, ao levantar fervura, retire-o do fogo e coe. Seu caldo está pronto para ser usado!

* Dicas
Conserve-o na geladeira e, quando for utilizá-lo, pode-se dilui-lo com água a gosto. Aproveite as sobras do caldo (shiitake, katsuobushi, konbu) como tsukudani (acompanhamento de arroz branco), ou, faça um furikake (mistura para jogar sobre o arroz), processando ou triturando os ingredientes, levando ao fogo para eliminar a água e acrecentando gergelim torrado.

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