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Festas comemoradas tradicionalmente no Japão correspondem às mudanças de estação, segundo o calendário chinês utilizado na Era Tou

Ritual de purificação: dias especiais para receber a energia vital dos alimentos de cada estação

(Fotos: ACBJ / Arquivo NB)

A palavra gosekku refere-se às cinco (go) festas sazonais (sekku), comemoradas no Japão: jinjitsu (literalmente, dia das pessoas), no dia 7/1; joushi (dia das meninas), no dia 3/3; tango (dia dos meninos), no dia 5/5; tanabata (festa das estrelas), no dia 7/7 e chouyou (festa do crisântemo), no dia 9/9. Estas tradições foram originadas da China, e as datas correspondem às mudanças de estação, segundo o calendário chinês utilizado na Era Tou (618~907). Na China, as datas com números ímpares repetidos eram consideradas de bom agouro, por isso foram instituídas como dias especiais, para receber a energia vital dos alimentos da estação, como um ritual de purificação, para afastar todos os males. No Japão, esse costume chinês se fundiu ao dos camponeses, nascendo a tradição do sekku, celebração para afastar o mau agouro, realizada em santuários.


Joushi no sekku ou Hina matsuri
Festa das meninas
A hina matsuri é celebrada no dia 3 de março, aproveitando o feriado instituído a partir da Era Edo. Para atrair saúde e afastar a má sorte, os japoneses costumam colocar em suas casas, como uma oferenda, além das bonecas hina, flores de pêssego e saquê (proteção contra os males), hishimochi (moti tricolor, cortado em losango, que representa o coração humano e traz saúde para as crianças), ostras hamaguri (símbolo da castidade feminina). As cores verde, branca e rosa, presentes no hishimochi ou nos doces arare (pedaços crocantes de moti) têm um significado especial.

Jinjitsu no sekku ou Nanakusa no sekku
Festa das pessoas ou das sete ervas
Durante a Era Heian (sécs. VIII~XII), foi introduzido no Japão o costume chinês de consumir uma sopa com sete tipos de folhas no dia 7 de janeiro, celebrado como o dia das pessoas na China. Os japoneses adaptaram o prato, criando uma papa de arroz (kayu) com sete tipos de grãos e temperada com sal. Antes disso, já existia o costume de se colher brotos de plantas no início do ano no Japão. Juntando-se os dois costumes, criou-se, assim, o nanakusa-gayu (papa de arroz com sete ervas), que passaria a ser consumido com o desejo de uma boa colheita e saúde para o ano inteiro.



Tango no sekku ou Shobu no sekku
Festa dos meninos ou do íris aromático
Na Era Edo, passou-se a associar o som da palavra shobu à palavra homófona, que significa valorizar as artes marciais ou batalhas, levando à celebração do dia dos meninos. Na primeira festa depois do nascimento de um menino, costumava-se comer o chimaki (arroz moti cozido em folhas de bambu), que, segundo uma lenda chinesa, serve de proteção contra o mal.

Shichiseki ou Tanabata no sekku
Festa das estrelas
No código Engishiki, onde constam registros de cerimônias e costumes da época, estabeleceu-se servir o sakubei no dia 7 de julho, festa das estrelas. A semelhança do fio do macarrão com a Via Láctea, seu valor nutritivo, que ajuda a melhorar a saúde no verão e o uso da farinha de trigo para agradecer pelas colheitas são algumas das possíveis razões que levaram a esse costume.

Chouyou no sekku
Festa do crisântemo
Durante a Era Heian, seguindo o pensamento chinês de que o crisântemo afastava o mau agouro e prolongava a vida, os japoneses passaram a utilizá-lo em cerimônias, bebendo saquê de crisântemo e realizando concursos para apreciar esta flor. Esta data não é muito celebrada no Japão nos dias de hoje, mas ainda é lembrada através dos concursos ou exposições de crisântemo.
 
Você sabia?

Por que devemos comer os produtos da estação?

Hoje, com o desenvolvimento de técnicas de cultivo agrícola, é possível consumir os alimentos que desejamos em qualquer época do ano. Porém, o sabor e o valor nutritivo dos produtos da estação são bem superiores àqueles submetidos a processos artificiais ou fora de época. Segundo estudos realizados no Japão, a quantidade de vitamina C presente no espinafre da época é cerca de cinco a oito vezes maior do que no mesmo alimento no resto do ano, e o dobro no tomate e no brócolis. O mesmo acontece com o caroteno no brócolis da estação, quase quatro vezes maior, e também o dobro na cenoura. Os japoneses cultivam este hábito desde antigamente e dizem que o costume provém da sabedoria dos antigos em relação à saúde.

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