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Guioza
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Produto
de origem chinesa sofreu adaptações e hoje é sucesso
em várias regiões do Japão e no mundo.
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(Fotos:
Divulgação)
O guioza
é uma espécie de pastelzinho recheado, de origem chinesa,
que, depois de introduzido no Japão, sofreu algumas adaptações,
tornando-se um alimento típico e muito apreciado no país.
Ele pode ser consumido de várias maneiras: grelhado (yakigyôza),
frito (agegyôza), cozido em água quente (suigyôza)
ou no vapor (mushigyôza). Apesar de sua origem, o guioza do Japão
é diferente do chinês.
Na China, ele
é consumido como um prato principal, por isso, sua massa é
mais grossa e ganha variados recheios, como de legumes e verduras, carne
de porco, peixe, zaasai (picles chinês), etc. Nas reuniões
de família ou celebrações, como o ano-novo, ou mesmo
no cotidiano, os chineses costumam comer o guioza cozido na água
quente ou no vapor, optando por sua versão assada somente para
as sobras. Por outro lado, no Japão, sua massa é
mais fina, e o recheio não varia muito, sendo basicamente de carne
de porco moída, verduras e alho, ingrediente não utilizado
no guioza chinês.
Os japoneses
não vêem o guioza como um prato principal, mas sim como um
acompanhamento, consumindo-o normalmente grelhado (primeiro, o guioza
é grelhado com um fio de óleo, depois é coberto com
um pouco de água e abafado para terminar de cozer, até ganhar
uma cor dourada), juntamente com o lámen (macarrão) ou com
arroz. Os ideogramas que compõem a palavra guioza explicam porque
os chineses costumam comê-lo no ano-novo. O kanji de representa
a passagem do ano velho para o novo, enquanto o ideograma (ko) remete
à representação de horário (ko no koku), meio-dia
ou meia-noite.
História
Durante a dinastia
Han (206 a.C.~220 d.C.), no norte da China, havia uma iguaria feita à
base de farinha e recheada com carne, verduras ou peixe, que parece ser
a precursora do guioza. No período das dinastias do sul e do norte
(439~581), o guioza em formato de meia-lua começou a ser difundido,
popularizando-se na dinastia Sui (581~618). Na dinastia Tang (618~917),
produtos à base de farinha tornaram-se acessíveis ao povo,
ganhando peculiaridades regionais, propagando-se para a Ásia Central.
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O
guioza no Japão
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O
primeiro registro histórico sobre o guioza no Japão ocorreu
em 1709, na obra Shushunsui danki, do clã feudal Mito, da Era Edo.
O primeiro a provar a iguaria no país foi Mitsukuni Tokugawa, popularmente
conhecido como Mito Koumon, em 1689. Em 1849, o 15º xogum da Era
Edo, Yoshinobu Tokugawa experimentou o fukuhou, um tipo de guioza recheado
com carne de pato. Porém, como naquela época a farinha de
trigo ainda era escassa e a carne também não era muito consumida
no Japão, o guioza não se tornou acessível ao povo.
Sua difusão
no país deu-se somente após a 2ª Guerra Mundial. Com
o término da guerra, muitos japoneses que trabalhavam na China
retornaram para as várias regiões do Japão e, para
sobreviver, começaram a fazer e a vender o guioza em barracas,
no mercado negro ou em templos. Com o racionamento de alimentos no Japão
pós-guerra, o pastelzinho começou a atrair consumidores,
por ser considerado um alimento protéico e nutritivo.
Durante a 2ª
Guerra, partiu de Utsunomiya cidade da província de Tochigi
e conhecida como a cidade do guioza, com o maior consumo deste alimento
no país o 14º batalhão terrestre para invadir
a região nordeste da China. Assim, após o fim da guerra,
o guioza foi introduzido na cidade, sendo facilmente assimilado por seus
moradores, uma vez que muitos já o conheciam. Além disso,
o clima de Utsunomiya era muito similar ao da região nordeste da
China (quente e seco no verão e muito frio no inverno), o que propiciava
a farta produção de ingredientes.
Um dos motivos
pelo qual o yakigyoza se tornou especialmente popular no Japão,
foi que, na época, o arroz já era considerado o prato principal
dos japoneses e, com a escassez de alimentos, o ideal seria preparar o
guioza de massa mais fina do que os que eram cozidos na água ou
no vapor, proporcionando uma economia de ingredientes e uma produção
maior. Além disso, sendo fácil e rápido de preparar,
o yakigyoza poderia ser vendido em espaços limitados, como barracas,
e, por ser grelhado com óleo, era um alimento que saciava a fome
rapidamente. Supõe-se que o alho, ingrediente que não entra
no guioza chinês, passou a ser usado no tempero do recheio para
disfarçar o forte cheiro da carne de carneiro, que era mais acessível
ao povo nos tempos de racionamento alimentar.
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Você
sabia?
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Existem
vários tipos de guioza e molhos em todo o Japão:
Tóquio:
Apresenta uma grande diversidade de guiozas, oriundos de vários
lugares do Japão.
Yokohama:
No bairro chinês Chuukagai, pode-se saborear o autêntico
guioza chinês.
Fukushima:
O guioza é fartamente recheado com verduras e assado com muito
pouco óleo e mais água. É servido em círculo
no prato e degustado com um molho bem picante.
Utsunomiya:
Na cidade do guioza, ele é bem encorpado, devido
à fartura de ingredientes. O yakigyoza é acompanhado de
um molho com maior concentração de vinagre, enquanto o
suigyoza leva molho diretamente na sopa, que pode ser totalmente consumida
depois.
Hamamatsu:
Aqui também o recheio concentra principalmente verduras.
Em toda a província de Shizuoka, cujo consumo de guioza só
perde para Utsunomiya, essa é a principal característica.
Outra é que normalmente o prato é guarnecido com moyashi
(broto de feijão), para abrandar o acentuado sabor do pastelzinho.
Osaka,
Quioto: O guioza tem o tamanho ideal para uma bocada. Barato e gostoso,
ele pode ser consumido em grandes quantidades.
Kobe:
O molho do guioza é feito à base de missô (pasta
de soja fermentada), com óleo de gergelim, alho e pimenta vermelha.
Fukuoka:
O Hakata tetsunabegyoza é assado em panela de ferro, com
bastante óleo, e servido fumegante, pois a panela ajuda a conservar
o calor.
Hokkaido:
O diferencial do recheio é a cebolinha aino (gyôjaninniku),
vegetal com grande potencial energético introduzido pelo povo
aino. Na região nordeste de Hokkaido, é mais comum o suigyoza
de massa grossa.
Aomori:
Maior produtora de alho do país, acrescenta uma grande quantidade
desse ingrediente na receita, tanto no recheio como no molho do guioza.
Ranking
de consumo de guioza
(Pesquisa realizada entre 2000 e 2002, pelo Ministério dos Assuntos
Internos e Comunicações)
No dia
30 de julho deste ano, será inaugurado, em Utsunomiya, o Utsunomiya
Gyoza Kyôwakoku (República do Guioza de Utsunomiya), um parque
temático que trará toda a história e a cultura do
guioza da cidade. Mais informações no site: http://www.gyozakai.com/event/press.html
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