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(Fotos: Sati
Kobashi)
O takoyaki
(bolinho assado de polvo) nasceu no Japão da adaptação
de vários pratos e tornou-se tão popular, que hoje é
considerado um prato representativo do país. A massa do bolinho
é feita com farinha, água, ovos, caldo básico (dashi)
e temperos, que, depois de derramada em uma chapa especial de ferro com
várias cavidades esféricas (takoyaki-ki), é preenchida
e assada com ingredientes como polvo cozido, tenkasu (flocos fritos de
massa de tempurá), cebolinha picada, benishouga (gengibre vermelho
em conserva) e camarões pequenos. Para virar os bolinhos, utiliza-se
um palito de metal, e o objetivo é que eles fiquem crocantes por
fora e cremosos por dentro. Para finalizar, os bolinhos assados são
cobertos com um molho especial (takoyaki sauce), aonori (alga nori verde)
e maionese.
Embora o takoyaki
possa ser facilmente preparado em casa, normalmente ele é consumido
nas ruas, como uma espécie de fast-food. Especialmente popular
na região de Kansai (Osaka, Kobe, Quioto, etc.), o takoyaki também
é apreciado em todo o Japão e até mesmo internacionalmente,
em países como o Brasil.
Como
surgiu o takoyaki no Japão?
Os doces à
base de farinha de trigo e água foram trazidos da China e introduzidos
no Japão durante a Era Nara (século VIII), mas eram restritos
apenas à elite. O funoyaki foi o precursor das iguarias preparadas
com massa de farinha de trigo e água e assadas na chapa. Era uma
espécie de crepe recheado com missô e enrolado, criado inicialmente
por Sen-no-Rikyu (1522-1591) para acompanhar a cerimônia do chá.

PREPARO
- Palitos de metal são usados para virar os bolinhos |
No final da
Era Meiji, empregando-se a farinha americana (meriken-ko meriken
= americana, ko = farinha) e acrescentando-se camarão e vários
legumes, surgiu o monjayaki, assado em chapa de ferro lisa (teppan). Para
facilitar o transporte do monjayaki para viagem, criou-se uma versão
mais consistente, chamada de dondonyaki, difundindo-se pelo país
inteiro. Na Era Taisho (século XX), o dondonyaki passou a
ser conhecido na região de Kansai como issen yôshoku, significando
alimento gostoso e barato. Despejando e assando a massa do issen youshoku
em uma chapa especial de ferro com cavidades esféricas, a iguaria
transformou-se em pequenos bolinhos, de prático consumo, dando
origem ao choboyaki, precursor do takoyaki.
Em Osaka,
o choboyaki, originalmente recheado apenas com konnyaku e temperado com
um molho depois de assado, foi incrementado, levando dashi diretamente
na massa e, como recheio, além do konnyaku, outros ingredientes,
como cebolinha e carne, dando origem a um bolinho de tamanho maior, que
ficou conhecido como rajuumuyaki ou radioyaki.
Finalmente,
em 1935, o fundador da famosa casa de takoyaki Aizuya, Tomekichi Endo,
ouviu de um cliente o seguinte comentário sobre o bolinho akashiyaki:
Aqui se coloca carne, é? Em Akashi, coloca-se polvo!,
o que o levou a pesquisar e criar o takoyaki atual.
Com a Segunda
Guerra Mundial e o conseqüente racionamento alimentar, os japoneses
começaram a reconsiderar o issen youshoku, que passou a ser preparado
com mais água na massa, para melhor aproveitamento da farinha de
trigo. Assim, por influência, o takoyaki também passou a
levar mais água na massa, sendo recheado com mais ingredientes
e recebendo uma camada de molho (sauce) por cima. Como o takoyaki geralmente
é vendido nas casas de okonomiyaki (espécie de panqueca
assada com vários ingredientes), ele começou a ser servido
com as mesmas coberturas, além do sauce, como maionese,
flocos de peixe seco (katsuo bushi) e aonori.
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Em
Osaka, o takoyaki é consumido não somente como fast-food
nas ruas, mas também como um prato do cardápio cotidiano,
servido com arroz. Por isso, dizem que todas as casas de Osaka possuem
um takoyaki-ki (foto). No distrito de Sennichi-mae, concentram-se
lojas especializadas em utensílios para takoyaki, que se estendem
por 160 metros, ocupando os dois lados da rua. Uma delas, a Yamashita
Hardware, chega a vender 1.500 takoyaki-ki para uso doméstico todos
os anos.
O polvo, ingrediente
essencial e que dá o nome ao bolinho, é largamente consumido
pelos japoneses, principalmente na região de Kansai. Segundo uma
pesquisa do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações
do Japão, Kobe ocupa o primeiro lugar em consumo anual de polvo
por família, com 2 kg; em segundo vem Osaka, com 1,8 kg; e, em
terceiro, Nara, com 1,7 kg.
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