Estamos
aqui para ver o príncipe. Estou muito ansioso. Estarei no
Anhembi para cantar o hino nacional do Japão e do Brasil.
Já decorei as duas letras, disse Toshio Imoto de 88
anos
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Nossa,
fiquei muito emocionado. Valeu à pena esperar. Ele perguntou
se estávamos bem e nos falou para cuidar bastante da saúde
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(Reportagem:
Cinthia Yumi/NB | Fotos: Erika Hobo/NB)
O ensolarado
20 de junho, último dia de outono de 2008, vai ficar para sempre
na memória do issei Toshio Imoto, 88 anos, e,de sua esposa, Fumiko
Imoto, 84, moradores da região do Parque do Carmo, zona Leste de
São Paulo. Com passos vagarosos, bengalas e uma cadeira de praia
em punho, eles chegaram à Escola Estadual Hiroshima com um único
objetivo na mente: ver pela primeira vez ao vivo e a cores
um membro da família imperial, o príncipe Naruhito, que
chegaria uma hora depois. Estamos aqui para ver o príncipe.
Estou muito ansioso. Estarei no Anhembi para cantar o hino nacional do
Japão e do Brasil. Já decorei as duas letras, disse
Imoto. O casal nunca retornou ao Japão nem a passeio.
Finalmente,
o príncipe chegou com sua comitiva proveniente do Parque do Carmo
onde inaugurou um monumento alusivo ao centenário da imigração
japonesa. A recepção foi calorosa. Os alunos até
arriscaram um konichiwa de boas-vindas.
Em um dos momentos
mais informais de sua visita à escola Hiroshima, Naruhito recebeu
um cartão feito em kirigami da professora Nádia Barea e
conversou com algumas crianças da 6 série do Ensino Fundamental,
que há um ano participam do Projeto Viva Japão. Aprendi
muito sobre o Japão com esse projeto. Esta foi a primeira vez que
conversei com um príncipe, disse o aluno Cezar Ambrósio,
12 anos. Na escola apenas 8% dos 2,8 mil estudantes são descendentes
de orientais.
O grande maestro
do projeto, Hiroyuki Hino, se disse honrado por concluir o trabalho e
admirado com a simplicidade do príncipe herdeiro. Quando
o vi, minhas pernas tremeram. Falo japonês, mas no início,
as palavras sumiam. Ele é muito simples. Eu me sinto feliz por
ter realizado esse trabalho de fortalecimento dos laços de amizade
entre o Brasil e o Japão, disse.
Depois de conferir
a arte do kirigami, Naruhito assistiu a uma apresentação
de dança que contou com 85 alunos da escola e teve como tema a
bomba de Hiroshima. No entanto, Naruhito e sua comitiva deixaram a apresentação
antes que ela terminasse, o que frustrou o grupo. Sabíamos
que ele teria um tempo restrito. Mas estávamos torcendo para ele
quebrar o protocolo, disse a coordenadora Adriana Quinullo.
Em sua última
etapa durante a visita à escola, Naruhito descerrou uma placa comemorativa.
Antes, rapidamente, se dirigiu ao casal Imoto. Nossa, fiquei muito
emocionado. Valeu à pena esperar. Ele perguntou se estávamos
bem e nos falou para cuidar bastante da saúde, finalizou
Imoto enquanto enxugava as lágrimas e, a passos lentos, se dirigia
à saída da escola.
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