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Nascidos no Japão, eles adotaram o Brasil como nova pátria e são os recordistas de obras neste ano do centenário da imigração

Tomie: maior obra está na Praia José Menino, na cidade de Santos

(Reportagem: Cinthia Yumi/NB | Foto: Divulgação)

No ano do centenário da imigração japonesa no Brasil, dois artistas plásticos ganharam ainda mais destaque, já que foram recordistas em monumentos que levam suas assinaturas. Em comum, além do talento nato, ambos têm a paixão pela arte e o fato de terem adotado o Brasil como sua nova morada.

Tomie Ohtake acrescentou três novas esculturas ao cenário brasileiro neste ano comemorativo e o “artista das esculturas”, Yutaka Toyota, nada menos do que 11 obras de arte.

Aos 94 anos, Tomie dispensa apresentações. Naturalizada brasileira desde 1968, a artista natural de Quioto enveredou para o mundo das artes quando tinha 40 anos, com preferência pela abstração informal e pelas cores vibrantes. A carreira consolidou-se por meio das inúmeras exposições individuais nacionais e internacionais, com trabalhos expostos nos Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Porto Rico.

A artista tornou-se referência no Brasil não só por suas pinturas, mas em especial pelas esculturas. Hoje, 27 obras públicas de autoria dela fazem parte da paisagem urbana de algumas cidades.

Depois do centenário da imigração, mais três esculturas de autoria de Tomie incorporaram-se ao cenário brasileiro. A maior delas está na Praia José Menino, em Santos, litoral paulista. Trata-se de uma escultura em aço de 60 toneladas e 15 metros de altura, na cor vermelha, e que foi inaugurada no mês passado, na presença do príncipe Naruhito.

As outras duas obras públicas da artista que nasceram em conseqüência do centenário estão no município de Guarulhos. A primeira delas, uma escultura vermelha de 20 toneladas, foi erguida no Aeroporto Internacional de Cumbica. A outra está no Centro Operacional do Saae – Serviço Autônomo de Água e Esgoto. Este último é um painel de 60 m por 17 m, composto por tubos de aço pintados em azul, somando 7,5 toneladas.

O escultor Yutaka Toyota, 77, por sua vez, acrescentou, neste ano do centenário, 11 novas esculturas de sua autoria espalhadas por São Paulo e interior paulista, Minas Gerais e Paraná. Do total, sete estão na cidade de Registro. Por lá, o aço cedeu espaço à sucata de máquinas antigas que eram utilizadas na fabricação de chá. “Foram meses de trabalho porque eu tive de reaproveitar aquele material antigo. Eu praticamente me mudei para a cidade para realizar o trabalho”, conta Toyota.

Toyota também teve de se mudar temporariamente para a cidade paranaense de Londrina, onde construiu o monumento Hino, ao Futuro e a História, uma escultura de 23 metros de altura, na praça Tomie Nakagawa, que, inclusive, foi inaugurada com a presença do príncipe Naruhito em junho. O monumento conta até com uma pedra trazida da região do Monte Fuji, no Japão.

As outras esculturas estão em Bastos, interior paulista, na cidade mineira de São Gotardo e, no Nippon Country Club, em Arujá. “Tenho um carinho muito grande por todas elas, porque foram executadas em uma ocasião muito especial”, finaliza o artista, que é natural da cidade japonesa de Yamagata e se naturalizou brasileiro em 1971.

Antes de fixar residência no Brasil, Toyota viveu em Milão, na Itália, onde deu início aos trabalhos tridimensionais. Suas obras estão espalhadas por vários países, com destaque para o Japão, onde as esculturas de aço feitas pelo artista embelezam a paisagem de parques e jardins de cidades como Hokkaido, Shizuoka, Tóquio e Gifu. No país dos samurais, uma das obras mais significativas do artista foi inaugurada em 1995, em Yokohama, para celebrar os cem anos de amizade entre o Brasil e o Japão.

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