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(Reportagem:
Helder Horikawa/NB)
No dia 18 de
junho, a comunidade nipo-brasileira comemorou os cem anos da chegada dos
primeiros imigrantes japoneses, que desembarcaram no cais 14 do Porto
de Santos, litoral paulista, a bordo do navio Kasato Maru. Os 781 nipônicos
da primeira leva foram contratados para trabalhar nas lavouras de café
em seis fazendas do interior de Estado de São Paulo. O sonho de
cada um deles era ficar rico e voltar à terra do Sol Nascente,
então esfacelada por uma crise sem precedentes em sua milenar história.
A vida para
os imigrantes nos campos da época mostrou que essa não seria
uma tarefa das mais simples. Do sonho ao pesadelo e da esperança
ao medo, eles venceram obstáculos. Em cem anos de história,
ajudaram de maneira significativa no desenvolvimento brasileiro, da agricultura
ao comércio, da indústria à arte e à cultura.
A integração entre os dois povos pode ser medida pelos números:
a comunidade nikkei, hoje já na sua sexta geração
de descendentes, é formada por 1.435.490 pessoas, segundo dados
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000.
Todo esse
contingente de nipo-brasileiros está espalhado pelas cinco regiões
o País. São Paulo é o Estado de maior concentração.
São 693.495 pessoas, grande parte delas na capital. Também
é em território paulista que está o maior número
de isseis (japoneses): 51.445 e, segundo o IBGE, 22.005 deles na cidade
de São Paulo.
No último
Censo do IBGE, o Paraná manteve a vice-liderança em número
de nikkeis. São 143.588 pessoas, com destaque principalmente à
região norte daquele Estado. Causa surpresa nesse último
levantamento o crescimento da comunidade nipo-brasileira em algumas regiões
do Nordeste, como a Bahia, o Ceará e Pernambuco. Por lá,
eles foram atraídos pelas terras baratas e pelas oportunidades
de negócios surgidas com o aumento das cidades, como os pólos
baianos de Teixeira de Freitas e Barreiras.
No Brasil de
2008, que registra a maior comunidade de japoneses e descendentes fora
do Japão, ainda podem ser encontrados núcleos e colônias
criadas pelos imigrantes. Cidades, como Bastos e Pereira Barreto, em São
Paulo, e Assaí e Uraí, no Paraná, também.
O número de residentes nikkeis nesses locais é cada vez
menor, é bem verdade. Mas ainda preservam as raízes e o
espírito guerreiro dos ancestrais.
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