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Cidades japonesas no Brasil
Bastos e Pereira Barreto, no interior de São Paulo, e Assaí e Uraí, no norte do Paraná, são cidades fundadas por imigrantes japoneses
 

Formação de Bastos na década de 30: segundo Censo do IBGE, 2.340 nikkeis vivem hoje na cidade

Estação Lussanvira no Núcleo Tietê, hoje Pereira Barreto: 4,71% da população atual é formada por nikkeis

(Reportagem: Helder Horikawa/NB | Fotos: Museu Histórico Regional Saburo Yamanaka de Bastos)

Bastos está na região da alta paulista e Pereira Barreto na região noroeste do interior de São Paulo. Assaí e Uraí, por sua vez, são vizinhas no norte do Paraná, separadas por apenas 30 km. Mas o que esses municípios têm em comum? São cidades pequenas, com menos de 30 mil habitantes, de modos e hábitos simples, cuja economia está baseada na agricultura e na pecuária. Quer mais particularidades? Foram criadas por imigrantes japoneses entre as décadas de 20 e 30.

Antigo Núcleo Tietê, Pereira Barreto começa sua história com a compra de 46.690 alqueires, em 30 de abril de 1929, pela Cooperativa de Colonização do Brasil Ltda. (Bratac). O processo de colonização, porém, começara antes. Entre setembro de 1928 e fevereiro de 1929, o Japão enviou quatro famílias para Tietê. O primeiro grupo de colonos só chegaria, de fato, em junho de 1929. No total, foram 34 famílias, mas esperavam-se 400.

O núcleo Tietê foi administrado em seus primórdios por Shungoro Wako, que juntamente com Mitsusada Umetami são considerados os verdadeiros fundadores da cidade. Há, porém, um fato curioso na história. A compra da Fazenda Tietê, que deu origem ao núcleo, foi realizada em agosto de 1928 antes da criação da Bratac. Pertencia ao coronel Jonas Alves de Mello e sua escritura foi dada a Umetami antes de ser repassada à empresa.

Por conta dessa história, Pereira Barreto comemora seu aniversário no dia 11 de agosto. Mas, até chegar à independência, o processo levou dez anos. Em 1935, a então Fazenda Tietê ganhou o status de distrito de Novo Oriente, pertencente ao município de Monte Aprazível. O título de município só ocorreu em 30 de novembro de 1938. O nome foi uma homenagem ao médico e cientista Luís Pereira Barreto.

Hoje, a cidade tem cerca de 300 famílias nikkeis, pelas projeções de Sérgio Issao Massuda, presidente da Associação dos Amigos do Museu Histórico da Colonização de Pereira Barreto. Pelo Censo do IBGE de 2000, os nipo-brasileiros são um total de 1.178 pessoas, que representam 4,71% da população da cidade. Mas esse número já foi muito maior.

De acordo com Massuda, Pereira Barreto já teve 90% de sua população formada por japoneses e seus descendentes. Ainda que hoje não seja tão marcante numericamente, a cultura e as tradições nipônicas são visíveis na cidade. O Museu Histórico da Colonização e a Praça da Bandeira, com suas características orientais (Go-Ju-No-Tô – torre de cinco andares), estão entre os principais pontos turísticos. O relógio de quatro fases, construído por Risaburo Murai em 1958, é outro destaque na arquitetura da cidade.

A participação nikkei é visível também na economia da cidade. A criação de gado (bovinocultura) foi iniciada em meados dos anos 40 e, ainda hoje, tem destaque regional, com a pecuária de corte e leiteira. A avicultura já teve sua força e, hoje, muitos granjeiros e produtores rurais apostam no cultivo da cana. Quase toda a produção é destinada às usinas de álcool da região.

Núcleo Bastos

A exemplo de Pereira Barreto, o Núcleo Bastos também foi administrado e colonizado pela Bratac. As terras foram adquiridas em 18 de junho de 1928 pela Confederação das Cooperativas dos Emigrantes (Kaigai Iju-Kumiai Rengokai). No total, a área era de 12 mil alqueires. Outros 932 foram adquiridos em seguida.

O projeto, segundo a programação da Bratac, era vender 9 mil alqueires dessas terras em 900 lotes. A princípio, seriam destinados aos imigrantes que viessem diretamente do Japão. Mas o número de interessados foi muito abaixo do esperado. Assim, imigrantes já estabelecidos no Brasil também foram recrutados.

O Núcleo Bastos teve como administrador Senjiro Hatanaka. Experiente, ele já havia atuado na Colônia Hirano, na região de Cafelândia, também no interior de São Paulo. A ele coube o título de fundador da cidade de Bastos, a 580 km da capital paulista. A denominação do núcleo foi uma homenagem a um dos seis proprietários da região, Henrique Bastos.

O objetivo da Bratac era receber no Núcleo Bastos, no primeiro ano de funcionamento, 200 famílias. Mas, do Japão, só chegaram 68. Somadas àquelas recrutadas no Brasil, esse número não passou de 96. Todas, entretanto, se dedicaram à cafeicultura. Os planos, infelizmente, falharam.

Os imigrantes de Bastos passaram a se desenvolver com o cultivo do algodão a partir de 1932. Três anos depois, a Bratac inaugurou uma fiação de seda. Já na época, 150 famílias residiam no local.

Hoje, Bastos, elevada à condição de município em 30 de novembro de 1944, tem como principal atividade a avicultura. A cidade ostenta, com orgulho, o título de Capital Nacional do Ovo. Noventa porcento dos granjeiros são filhos e netos de imigrantes japoneses, segundo cálculos do Sindicato Rural.

Pelos números do Censo 2000 do IBGE, 2.340 nikkeis residem em Bastos e representam 11,37% da população da cidade. Além da avicultura, eles se destacam na agricultura e no comércio. A Associação Cultural Esportiva Nipo-Brasileira (Acenba) é a principal referência cultural e social da cidade, a exemplo do Museu Histórico Saburo Yamanaka.

Politicamente, os nikkeis sempre estiveram presentes na administração bastense. Dos 14 prefeitos na história da cidade, sete são filhos de imigrantes. Só o médico Takeo Kimura ocupou o cargo em dois mandatos (1983–1988 e 1993–1996). Nos últimos oito anos, o presidente do Sindicato Rural, Shigueyuki Toyoshima, é o vice do prefeito Natalino Chagas.

A cidade de Bastos também se orgulha de ser o berço de algumas personalidades. Foi lá que nasceram, por exemplo, Shigueki Ueki (ex-ministro de Minas e Energia na gestão Ernesto Geisel e ex-presidente da Petrobras) e Kazuo Watanabe (primeiro desembargador nikkei no Tribunal de Justiça de São Paulo).

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