Notícias   História da Imigração   História do Japão   História da Culinária   Sua História   Opinião
  Museus   Entrevistas   Links
  Matérias Especiais
Toyota e Tomie: símbolos da arte no centenário
O Japão é aqui
Cidades japonesas no Brasil
Onde a imigração resiste
Heróis da resistência em Mato Grosso do Sul
Núcleo em propriedade histórica
Tradição nas mãos dos isseis no Sul do Brasil
Casal issei realiza sonho de encontrar Príncipe Naruhito
Enzo Onishi: O primeiro rokussei
Tocha da Amizade já está em São Paulo
Descoberto o endereço da primeira legação japonesa
Associações ganham fôlego com centenário em São Paulo
Tocha da Amizade: de Kobe para o mundo
Centenário dá fôlego a projeto para filhos de dekasseguis em SP
Cidades do sudoeste de SP ganharão praças em 2008
Turma da Mônica irá estrear no Japão
Obras vão marcar centenário em Minas
Cem ações no centenário da imigração em São Paulo
Centenário no Brasil segue “moldes” de outros países
Rolândia prepara-se para a festa do Imin 100
Naha prepara-se para o centenário
Parque ganhará escultura de peso no centenário
Sul-matogrossenses querem visita do príncipe Naruhito
Bunkyo de São Paulo quer mais jovens no pós-2008 para sobreviver
Centenário da imigração volta a mobilizar comunidade em São Carlos
Minas quer entrar no roteiro oficial do centenário
Museu de Mabe será inaugurado em 2008
Naruhito será o representante da realeza no centenário em 2008
Liberdade poderá passar por revitalização a partir de 2008
Pesquisa deve mostrar o tamanho da comunidade
Três Estados cantam o centenário no carnaval 2008
Imigrante no Brasil e a família no Japão
Desbravando o sertão brasileiro
Teruo Masuda: Apostando na experiência
Café, o começo de tudo...
Grafiteiros homenageiam imigração japonesa
A alimentação dos primeiros imigrantes
Com “novo” imóvel, Associação de Santos quer força-tarefa para 2008
“Centenário começa com devolução de prédio de Santos”, afirma Lula
Onde a imigração resiste
Criados antes ou depois da Segunda Guerra, núcleos coloniais ainda existem em várias partes do País, como no interior de SP e MS


Comunidade Yuba: uma grande família com 60 pessoas
 

(Reportagem: Helder Horikawa/NB | Foto: Associação Nipo-Brasileira de Kyoei)

Dos 781 imigrantes japoneses que desembarcaram com o navio Kasato Maru no dia 18 de junho, no Porto Santos, 773 seguiram, a partir do dia 27 do mesmo mês, para as fazendas Canaã, São Martinho, Guatapará e Dumont, na região de Ribeirão Preto, Floresta, em Itu, e Sobrado, em São Manoel, todas no interior de São Paulo. No total, foram 586 homens e 187 mulheres. Os demais, entre eles três casais, ficaram em São Paulo.

A estada desses imigrantes nas fazendas foi curta. Depois de seis meses, dos 773 japoneses, 430 deles já haviam se retirado desses locais, indo para novas propriedades. Com essas andanças e a chegada da segunda leva de nipônicos, em 1910, começam a surgir os primeiros sinais para a formação dos núcleos coloniais.

Pode-se dizer que a imigração no Brasil teve vários tipos de colonização. Um é o planejado pelas companhias subvencionadas pelo governo brasileiro. O segundo foi aquele formado pelos próprios imigrantes em torno de um líder. Outro surgiu da venda de terras, chamado shokuminchi, no qual se comercializavam lotes em matas virgens de grandes propriedades. E havia ainda aquele em que japoneses iam adquirindo terras na mesma área.

Não importa o modelo, muitos desses núcleos coloniais ainda resistem ao tempo. A maioria desses grupos, claro, foi criado depois da retomada do processo imigratório no pós-guerra. Também obviamente, o número de colonos nesses locais não é mais o mesmo do passado. As oportunidades de estudo e trabalho nos grandes centros e o fenômeno dekassegui esvaziaram as colônias.

Na região noroeste do interior paulista, um exemplo vivo da imigração é a Comunidade Yuba, no bairro de Primeira Aliança, município de Mirandópolis. Lá, a língua japonesa é quase oficial, há missoshiru todos os dias e beisebol, softbol, gatebol e sumô são os esportes preferidos. O que impera ali é a vida comunitária.

Desde 2003, com o falecimento do então líder Tetsuhiko Yuba, a comunidade tornou-se uma Oscip com o título de Associação Comunidade Yuba. Quem a preside é Luís Tsuneo Yuba, irmão de Tetsuhiko e filho de Issamu, o criador do local. É ele quem administra os negócios e as atividades que envolvem 60 pessoas de 23 famílias, praticamente todas parentes.

Issamu Yuba idealizou a fazenda comunitária ao adquirir, em 1934, 40 alqueires de terra em Formosa, bairro de Guaraçaí. Carregava consigo, na época, o lema “Criação de uma Nova Cultura”. Chegou, inclusive, a ganhar o título de maior granja avícola da América do Sul, com mais de 220 mil aves. Mas o sonho desmoronou em fevereiro de 1956. A fazenda faliu. Com uma ordem de despejo, a comunidade saiu de Formosa. Acabou indo para o bairro de Primeira Aliança, onde está até hoje.

Issamu faleceu em 1976. Mas a filosofia de vida e de trabalho é a mesma. Manter a tradição, os costumes e o coletivismo acima de tudo. “Aqui, formamos uma grande família”, diz Satiko Yuba. Ela, diplomada em Pedagogia e Direito, é uma espécie de “relações públicas” da comunidade.

Na comunidade, filmes, novelas e livros da biblioteca são praticamente de origem japonesa. A programação na TV também fica ligada na NHK, rede estatal nipônica transmitida no Brasil. Ali, todos falam japonês fluentemente. Até as crianças, que têm aulas na própria comunidade. Elas ainda aprendem as artes de xilogravura, haicai, piano, balé...

Nas noites de segunda, quarta e sexta, quem tem pique depois de um dia árduo de trabalho, ainda se dedica aos ensaios do Balé Yuba, reconhecido nacionalmente por suas performances no palco. Neste ano do centenário da imigração, o grupo tem a agenda lotada de apresentações. E uma boa oportunidade de o paulistano conhecer parte dessa comunidade é o show previsto para ocorrer na Semana Cultural no Anhembi.

Apoio:
  © Copyright 1992-2008 - Jornal Nippo-Brasil - Todos os direitos reservados - www.nippo.com.br