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Moradores da Colônia Kyoei anos atrás:
hoje, são apenas 27 famílias

(Reportagem: Helder Horikawa/NB | Foto: Associação Nipo-Brasileira de Kyoei)

Entre os anos de 1914 e 1960, Campo Grande, na época ainda integrante do Estado de Mato Grosso, contabilizou a criação de 23 núcleos coloniais em sua região. O primeiro, em 1914, foi o Chacrinha. O último, em 1960, Três Barras.

Das colônias criadas, a maioria sumiu ou foi incorporada à cidade, hoje capital de Mato Grosso do Sul. As que sobreviveram mantêm suas atividades às duras penas. “Foi graças a Deus e a essa terra que consegui dar estudos aos meus filhos. Hoje, todos são formados, profissionais bem-sucedidos na cidade”, diz o nissei Hozumi Gonda, 71, remanescente da Colônia Yamato, ao lado de Saburo Yamakawa.

Pelo menos de três a quatro vezes por semana, Hozumi, filho de um imigrante de Aichi que chegou ao Brasil em 1957, vai à Colônia Yamato com a mulher, Tatsuko, 73. Para ir ao local, estabelecido em 1956 a partir da chegada de Yasuke Kayano, Yoshimatsu Tateishi e Otojiro Nakano, é preciso percorrer 24 km ao sul de Campo Grande pela BR-163.

Ikuo Gonda, pai de Hozumi, chegou à Colônia Yamato em 1960. Na época, a área adquirida pelos colonos variava entre 30 e 50 hectares. No total, 13 famílias de imigrantes estabeleceram-se no local. Hoje, só os Gonda e os Yamakawa apostam no cultivo da terra. Uma grande parcela deixou o local desde 1975.

Nos 70 hectares que mantém na Yamato, Hozumi planta milho, pepino e abobrinha, principalmente. “São cultivos fáceis, que não dão tanto trabalho e exigem pouco investimento”, explica.

Não muito longe dali está a Colônia Várzea Alegre. Mais bem estruturada, está a 20 km do centro do município vizinho de Terenos. Das 57 famílias que chegou a ter, sobraram apenas 30. Vinte e seis delas fazem parte da Cooperativa Agrícola Mista de Várzea Alegre (Camva), presidida por Eiji Kanezaki, 70, filho do primeiro imigrante, Kuro Kanezaki.

A comunidade de Várzea Alegre foi constituída em 1957 pela estatal japonesa Jamic. Na época, a companhia adquiriu pouco mais de 36 mil hectares para acolher imigrantes nipônicos. O primeiro grupo, de nove famílias, chegou em maio de 1959.

Boa parte dos moradores é oriunda da província de Yamaguchi, até por conta dos incentivos dados pelo governo daquela região. Os imigrantes tentaram os cultivos de arroz, feijão, soja, milho e algodão. “Plantávamos, plantávamos, e não sobrava nada. Produzíamos só para comer”, lembra Eiji.

A agricultura, na década de 70, deu lugar à avicultura. O cenário, hoje, é muito melhor. O sucesso pode ser medido pelos números. Da central de classificação e embalagens em Terenos, criada em 2003, saem diariamente 1,3 mil caixas de 30 dúzias cada por dia. Trocando em miúdos, são 39 mil dúzias que abastecem, principalmente, o mercado de Campo Grande.

As famílias que ainda hoje residem na Colônia Várzea Alegre mantêm as tradições japonesas. Undokai, Bon Odori e Boonenkai, organizadas pela Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira, sob o comando de Nozomu Ezaki, atraem centenas de pessoas, entre ex-moradores e visitantes. A escola japonesa (nihongako) também está de pé, com 10 a 15 alunos apenas.

Ali, o idioma japonês ainda é a língua mais falada. Afinal, pelos cálculos de Kanezaki, 70% dos moradores do núcleo são isseis.

Região de Dourados

Ainda em Mato Grosso do Sul, mas na região de Dourados, é possível encontrar colônias de imigrantes em pleno funcionamento. Kyoei e Laranja Lima são bons exemplos.

A história da Colônia Kyoei começou em 1953, com a chegada das famílias Onaka, Tanaka, Nishimuta e Hirahara. No ano seguinte, desembarcou por ali um grupo de 80 imigrantes. Entre eles, oriundos das províncias de Hokkaido e Mie que chegaram ao Brasil a bordo do África Maru.

Oficialmente, dá-se o dia 24 de fevereiro de 1954 como a data de fundação da Colônia Kyoei. Em 28 de novembro de 1956, surgia a Associação Esportiva Nipo-Brasileira Kyoei. É essa entidade, que tem à frente o jovem Fábio Shunhiti Kimura, que mantém viva as tradições da cultura japonesa.

A Associação Kyoei tem atualmente 27 famílias, a maioria dedicando-se à agricultura. Soja, milho, trigo e feijão estão entre os principais cultivos. A criação de gado e a suinocultura de corte também aparecem com destaque.

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