
Imigrantes do Núcleo Mombuca vieram para trabalhar com o
cultivo do arroz
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(Reportagem:
Helder Horikawa/NB | Foto: Associação Agro Cultural e Esportiva
de Guatapará )
Passados cem
anos da chegada dos imigrantes do Kasato Maru, a pequena cidade de Guatapará,
no caminho de Araraquara a Ribeirão Preto, no interior paulista,
confunde-se com a própria fazenda que a originou. Mais do que isso.
Da antiga fazenda, surgiu ainda um novo núcleo de imigrantes japoneses,
levados ao local pelo governo nipônico por meio da Jamic Imigração
e Colonização Ltda.
O Núcleo
Mombuca começou a tomar forma em 1961, quando a Jamic comprou um
lote de terras de 7.294 alqueires da família Morgante, proprietária
da Fazenda Guatapará. O núcleo, porém, entrou em
operação no dia 12 de janeiro de 1962, com a chegada de
12 famílias.
Hoje, o Núcleo
Mombuca ainda reúne 102 famílias de imigrantes, principalmente
das regiões de Yamagata, Ibaraki, Nagano, Okayama, Shimane, Yamaguchi
e Saga. Elas vivem em torno da Associação Agro Cultural
e Esportiva de Guatapará e da Cooperativa Agrícola.
Os imigrantes
chegaram a Guatapará para trabalhar com a rizicultura. Dali, também
saem 95% do renkon consumido no Brasil, segundo diz Kizuki Nita, vice-presidente
da Associação de Guatapará, que chegou ao núcleo
em 1963, vindo de Shimane. A partir da década de 70, a avicultura
também ganhou espaço e, hoje, é o carro-chefe da
economia do município.
Ali, no Núcleo
Mombuca, 50% dos cerca de 350 moradores são isseis. Por isso, a
língua japonesa é ouvida aos quatro cantos. O nihongako
só funciona nos finais de semana, mas tem a impressionante marca
de 55 alunos. Só não é maior, porque as crianças
e os jovens acabam por estudar em Araraquara ou Ribeirão Preto.
Em abril último,
a Associação de Guatapará recebeu uma boa notícia.
A Usina São Martinho, proprietária de parte das terras onde
está a histórica Fazenda Guatapará, quer doar à
entidade a área onde estão as ruínas do local que
recebeu a primeira leva de imigrantes do Kasato Maru, em 1908, guiada
por Umpei Hirano.
O objetivo
da São Martinho é que a Associação de Guatapará
possa transformar o local em ponto de visitação. Em meio
ao extenso canavial, ainda é possível ver o prédio
de beneficiamento de café e o cinema. Para isso, a entidade já
recorreu, neste mês de junho, ao Consulado do Japão e à
Associação do Centenário. A própria direção
da usina também se dispôs a ajudar.
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