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A tocha, que chegou ao Porto de Santos no último dia 6, subiu para São Paulo dentro de um trem, refazendo o trajeto dos imigrantes do Kasato Maru

Tocha ficou na Prefeitura de Santos e subiu à capital paulista no dia 8 de junho

Shuichi Ikeda, de Fukuoka, chegou em junho de 1932

Chiyo Nishihara, de Saga, desembarcou em 1925

(Reportagem: Redação/NB | Fotos: Andreano Takahashi/NB)

Depois de 40 dias de viagem, a Tocha da Amizade Brasil-Japão desembarcou no Porto de Santos no último dia 6. Em 28 de abril, na antiga Hospedaria de Emigrantes de Kobe, exatamente no dia e local exatos que em os imigrantes japoneses do Kasato Maru partiram rumo ao território brasileiro, a tocha foi acessa por meio de energia solar por Masa Nishimura, presidente do Conselho Administrativo da Associação Nipo-Brasileira.

Convertida de fogo em energia elétrica e colocada dentro de uma miniatura do globo terrestre, a tocha fez o mesmo caminho de imigrantes, passando por Cingapura e África do Sul. Em Santos, a tocha foi transformada em fogo por Kokei Uehara, presidente da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil (ACCIB), e Osamu Matsuo, presidente da Comitê Executivo da mesma entidade. A cerimônia ocorreu na Prefeitura de Santos.

Após um dia exposta na prefeitura, a tocha foi encaminhada a São Paulo no dia 8 de junho. O percurso foi feito de trem, repetindo o trajeto feito pelos imigrantes japoneses em 1908. O evento foi realizado em parceria pelas secretarias dos Transportes Metropolitanos e de Esportes, Lazer e Turismo do Estado de São Paulo, MRS Logística, Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Prefeitura de Santos e instituções nikkeis.

O trecho entre Santos e o Memorial do Imigrante, no bairro do Brás, onde os imigrantes se hospedaram antes de serem enviados para as fazendas do interior de São Paulo, foi liberado pelas empresas ferroviárias. O transporte da tocha pelo mar foi realizado pela parceira entre Associação Nipo-Brasileira e empresas japonesas, como a Mitsui O.S.K. Lines e a Kawasaki do Brasil.

A tocha está exposta na exposição O Papel do Estado de São Paulo na Imigração Japonesa no Memorial até dia 21 de junho, quando será realizada a solenidade no Sambódromo. Lá, ela será emcaminhada por meio dos representantes de quatro etnias – índio, branco, negro e amarelo até a pira.

A subida da tocha de Santos a São Paulo, pela Serra do Mar, foi acompanhada por 14 imigrantes. Em 1908, a viagem era feita em cinco horas, em uma locomotiva a vapor. No dia 8, a mesma foi realizada em três horas.

Uma das imigrantes que acompanhou a tocha no trem foi Chiyo Nishihara, 94 anos, chegou no País em 1925 com 13 anos. Nascida na província de Saga, Chiyo veio com seus pais e sete irmãos e entrou em uma fazenda no norte do Estado do Paraná. “Eu me lembro que no trem brincava e conversava com minhas amigas. E também me lembro que quando subimos de trem para São Paulo, as montanhas estavam envolvidas em névoa” contou Chiyo.

Shuichi Ikeda, 86 anos, de Fukuoka, desembarcou no Porto de Santos em junho de 1932. Com 10 anos, assustou-se com a língua portugesa, brasileiros e prédios, entre outras coisas, que encontrou em São Paulo. “Na época era tudo interessante para mim. Depois da viagem, enfrentamos várias dificuldades. Mas hoje, estando em trem muito mais confortável, sinto que estou no paraíso” contou Shoichi.

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