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(Reportagem:
Susy Murakami/NB | Foto: Kiyoshi Ami / Divulgação)
Fachada do prédio em Petropólis:
imóvel está à venda |
Depois de assinar
o Tratado de Amizade com o Brasil em 1895, o Japão enviou ao País
a primeira legação em 1897. A cidade e o ano em que ela
se estabeleceu eram conhecidos, mas a localização exata
permanecia incógnita até Kiyoshi Ami, japonês radicado
no Brasil há 35 anos, iniciar uma dedicada pesquisa.
O endereço
original é Rua 7 de Abril, número 21, região central
de Petrópolis, no Rio de Janeiro, mas uma mudança no sistema
de numeração alterou para o nº 609. A fachada, porém,
continua a mesma, já que uma lei municipal proíbe que construções
históricas sejam destruídas ou sofram alterações
externas.
Engenheiro
da Mitsubishi Indústria Pesada no Japão, Ami foi transferido
para uma fábrica de caldeiras em Petrópolis e, mesmo depois
de aposentado, escolheu permanecer na cidade. Ele conta que, quando chegou
ao Brasil, muitas pessoas diziam que a missão diplomática
havia se instalado na cidade por engano, pois o governo brasileiro estava
sediado temporariamente no município fluminense e os japoneses
teriam até mesmo pensado que aquela era a capital brasileira. É
verdade? Foi engano mesmo? Eu não acreditei nisso e sempre fiquei
com dúvida. Mas não sabia como descobrir a verdade,
disse Ami.
O que acontecia
de fato era que, durante o verão, o governo brasileiro da época,
para fugir do calor carioca, instalava-se em Petrópolis e o seguiam
os representantes estrangeiros. Passado o período, todos retornavam
à capital. O local onde se estabeleciam as missões diplomáticas
não era anunciado por questão de segurança.
A pesquisa
começou há cerca de cinco anos, a pedido da Associação
Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro. Um professor
de história da Universidade Católica de Petrópolis
indicou a existência de um documento onde constatava que a legação
japonesa havia desocupado uma casa na Rua 7 de Abril no número
21. No entanto, essa rua não tem o número 21. A pesquisa
parou aí, explica Ami.
Em 2006, no
entanto, a Comissão de Eventos Comemorativos do Centenário
da Imigração Japonesa no Estado e do Ano de Intercâmbio
Cultural Brasil-Japão solicitou a Ami que escrevesse parte de um
livro que contaria a história da imigração japonesa
no Rio de Janeiro. Assim, a busca foi reiniciada.
Na companhia
da esposa, visitou várias bibliotecas até que, com ajuda
da chefe do arquivo histórico da biblioteca municipal, encontrou
uma publicação com uma foto de um hotel em uma revista com
edição datada de 1902-1903. A rua era a 7 de abril; e o
número, 23. O prédio é o atual Convento de Nossa
Senhora de Lourdes. Ao lado, então, ficaria o antigo número
21. Esse endereço também é confirmado por uma outra
revista da época, chamada Tradição, que mostra também
o nome do então representante do governo japonês, o ministro
interino Koumaitchi Horigoutchi (em grafia da revista).
Um jornal ainda
mais antigo relata em uma de suas páginas: Em 24/25 de agosto
de 1897, Ministro Sutemi Chinda e sua comitiva chegaram à cidade
de Petrópolis. O casarão de 250 m² em um terreno
de 1,2 mil m² foi posto à venda em uma imobiliária
por R$ 450 mil. A conservação interna está bastante
abalada, como descreve Ami: [o casarão está] em péssimo
estado, a casa está apodrecendo.
Em Petrópolis
há mais de três décadas, Kiyoshi Ami é responsável
pela criação, no dia 11 de janeiro de 2008, da Associação
Nikkei de Petrópolis. A associação foi criada para
realizar o festival do Japão na cidade, o Petrópolis Nippon
Matsuri, que acontecerá em junho, em comemoração
do centenário da imigração japonesa. No município,
vivem cerca de 300 descendentes de japoneses, ou 0,1% da população.
Eu confirmei pessoalmente160 [nikkeis], afirma Ami.
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