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Em São Carlos, Sumaré e Presidente Epitácio, os festejos deste ano ajudaram na retomada de atividades das entidades

Lideranças da comunidade nikkei de São Carlos em visita à prefeitura: associação ficou 20 anos sem atividades

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Foto: Divulgação)

O que têm em comum as associações nipo-brasileiras de Presidente Epitácio, Sumaré e São Carlos? As três do grupo do “interior” dão uma lição de força e disposição para sobreviver aos obstáculos do tempo e do conhecido desgaste pelo qual passa a maioria das associações nikkeis.

Prova disso é que, com a chegada do ano comemorativo do centenário, elas ganharam o fôlego que faltava para retomar suas atividades. Em Presidente Epitácio, é nas mãos do sansei André Kulba, 26, que a Associação Nipo-Brasileira local voltou à ativa, depois de um período de cinco anos de portas fechadas.

Embora a presidência esteja a cargo do pai de André – já que o estatuto não permite um presidente com menos de 35 anos – é o jovem quem dá as coordenadas. “Quando eu era criança, a associação era ativa. Eu e meus amigos saímos da cidade para estudar. Quando voltamos, sentimos falta daquela época, das raízes japonesas”, conta.

Hoje, a sede da associação está em reforma e são poucos os departamentos em funcionamento. Em plena atividade, só o karaokê, o de senhoras e o de esportes. Suficiente para atender o ainda restrito número de associados: menos de 30 famílias. “Mas vamos ampliar esse quadro. Ainda bem que esse ano é centenário. Se não fosse isso, talvez a associação ainda estivesse parada”, diz o profissional da área de marketing.

Para comemorar a data, a associação prepara uma homenagem aos pioneiros imigrantes na região, além de um festival japonês previsto para o mês de julho e que deverá contar com o apoio da prefeitura. “Há uma parceria grande entre a comunidade nipo-brasileira e a prefeitura nas ações para o centenário”, finaliza Kulba.

A mesma parceria é vista na cidade de Sumaré. Tanto que, por lá, foi instituída a Semana da Imigração Japonesa. Para o centenário, a cidade prepara uma grande festa na sede da Associação Nipo-Brasileira, que reabriu suas portas em agosto do ano passado, depois de um período de dois anos sem atividades. “Estamos felizes porque os jovens demonstram interesse pelo clube”, diz a vice-presidente, Maria Muniz Suguihara.

Com um terreno de 47 mil metros quadrados, o clube, por enquanto, restringe-se a realizar eventos gastronômicos. Já estão em construção os campos de futebol e beisebol, que, mesmo em estado “embrionário”, atraem os jovens das 40 famílias associadas.

Na ocasião do centenário, o local poderá ganhar mais visibilidade. É que, até lá, a prefeitura deverá inaugurar um monumento alusivo à data na Praça da Avenida da Saudade. O monumento, que deverá ser um portal, indicará a localização da sede da Nipo de Sumaré.

Em São Carlos, a Associação Nipo-Brasileira também surge sob o comando de uma mulher. “Com o fenômeno dekassegui, a associação esvaziou-se. Depois de muito tempo, já com a associação parada, alguns membros antigos se encontraram em uma festa promovida pela prefeitura da cidade. E um grupo de amigos decidiu retomar as atividades”, conta a presidente Sandra Kaibara, 40.

No próximo ano, a associação completará seus 60 anos de fundação. Até lá, a nova diretoria, formada por cerca de dez pessoas, pretende abrir efetivamente as portas da associação – que ficou parada por 20 anos – divulgá-la pelo site oficial e ter, ao menos 200 associados.

Para atingir tal meta, várias ações estão em prática. A primeira é adequação do estatuto social ao novo Código Civil. Também está em processo a reforma da sede de campo e a retomada da sede social, que estava alugada há 5 anos. A idéia é reinaugurá-la ainda neste ano.

A inauguração da sede campestre está prevista para maio, quando a associação comemora seus 59 anos. A idéia é fazer um almoço em comemoração do Dia das Mães, que será o primeiro evento oficial depois da retomada.

Mesmo sem sede e sem quadro associativo, a associação conta com um Fujinkai, com cerca de 20 senhoras, e com um Seinenkai, com 50 jovens, a maioria deles universitários. “São Carlos é uma cidade universitária. Então, há muitos jovens de outras cidades que nos procuram. Temos até comunidade no orkut”, completa a nikkei.

Além da força jovem, a nova gestão da associação conta com força política, já que os membros da diretoria têm certa proximidade com funcionários da prefeitura. “A cidade ainda tem um ar provinciano. Nesse aspecto, é positivo, porque nos ajuda na comunicação com a prefeitura para a viabilização de projetos de divulgação da cultura japonesa”, finaliza Sandra.

 
Nova geração tenta reanimar entidades nipo-brasileiras

“Estamos fortes e otimistas com relação à retomada das atividades dos kaikans”. A frase é do presidente do Seinenkai da Associação Nipo-Brasileira do Rio de Janeiro, Caio Yoshida. Aos 28 anos, dez dos quais em plena atividade dentro de clubes nipo-brasileiros, ele lidera um grupo de 30 jovens que se reúne mensalmente para discutir ações para trazer novos associados aos clubes do Estado do Rio de Janeiro.

O espírito que envolve esses jovens nas atividades exercidas pelos seus ancestrais é uma só: a vontade de promover a cultura e os costumes japoneses. “Quando uma pessoa participa de um kaikan, ela tem de saber que terá de estar disposta a se adequar ao clube. E não esperar um retorno do clube, como atividades esportivas e recreativas, porque, como todos sabem, os clubes não estão em boa situação financeira”, pondera Yoshida.

E é esse o dilema vivido pelos clubes: como atrair mais gente se não oferece nenhum tipo de atrativo? O “abacaxi” foi passado para essa nova geração que tem no DNA a vontade de fazer dar certo. “Os clubes sabem que precisam da nossa força. Somos o futuro dos kaikans. Na prática, ainda não conseguimos atrair associados. Mas é um trabalho a longo prazo. Conseguir o reconhecimento das lideranças da comunidade nipo-brasileira já é uma conquista”, finaliza Yoshida.

No Estado do Rio, há cerca de 12 associações nipo-brasileiras e o Nipo tenta, em um primeiro momento, unir todas elas. Entre os dias 19 a 21 de abril, o Seinen do Nipo do Rio de Janeiro irá realizar a segunda edição do Quebra Cabeça, evento que pretende reunir lideranças jovens de todo o Brasil para discutir sobre a sobrevivência das associações nipo-brasileiras.

Devem participar desse encontro lideranças jovens da cidade de Belém do Pará. Naquela região, a Associação Pan-Amazônia Nipo-Brasileira já colhe frutos do trabalho de uma nova diretoria cheia de vontade de atrair mais associados. O diretor do Centro de Informação da Associação, Eduardo Arima, 40, cita duas ações que têm gerado resultados práticos para a Nipo de Belém: “Implantamos atividades de interesse geral, como dança de salão e eventos de cosplay e palestras voltadas ao empreendedorismo. Essas iniciativas deram fôlego à associação”, comemora.

Na área do empreendedorismo, a Associação conta com o apoio do Sebrae para o desenvolvimento do Centro Nikkei Dekassegui Empreendedor da Amazônia. Fundado há 3 anos, o Centro é um braço da Associação com foco no dekassegui que retorna do Japão.

Hoje, a Associação Pan-Amazônia Nipo-brasileira conta com 600 associados. Os grandes eventos realizados na região são a Semana do Japão e o Amazônia Matsuri, ambos em setembro.

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