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Projeto do Isec deverá ser implantado nas escolas públicas do Estado; problema é a falta de recursos para sair do papel

Brasileiros que estudam no Japão têm dificuldades na volta ao País

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Foto: Kyodo)

O ano do centenário da imigração japonesa no Brasil tem dado fôlego a algumas boas idéias. Uma delas é o projeto educacional voltado para a readaptação dos filhos de dekasseguis à rede estadual de ensino de São Paulo, elaborado pelo Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec). “Acredito que, como este é o ano do centenário, esse projeto comece a ser colocado em prática”, diz, confiante, Reimei Yoshioka, presidente do Instituto.

Se isto de fato ocorrer, será a primeira vez que um projeto dessa natureza será implantado na rede estadual de ensino. O primeiro “ponto positivo” foi sua aprovação pelo grupo de trabalho do governo do Estado de São Paulo. Com o aval do Estado, o Isec deverá formalizar uma parceria com a Secretaria da Educação. “Antes de implantar o projetos, temos de oficializar esse acordo e também viabilizar a parte financeira. O Estado fornecerá R$ 150 mil por ano ao projeto, agora o restante é com o Isec”, explica Hiroyuki Hino, diretor-técnico de projetos e orçamentos da coordenadoria de estudos e normas pedagógicas da secretaria de Estado da Educação.

O Isec negocia o patrocínio de cerca de R$ 130 mil, com um grande grupo financeiro japonês. A resposta definitiva ainda não foi dada. “Acreditamos que essa negociação possa ser concluída até o fim de março”, diz a psicóloga Kyoko Nakagawa, coordenadora do projeto.

Depois de formalizados os acordos entre os grupos de trabalho e o patrocinador do projeto, o primeiro passo será fazer um levantamento das regiões do Estado que mais recebem filhos de dekasseguis recém-chegados do Japão. Para isso, o Isec espera contar com a colaboração do próprio quadro docente da escola. “O Isec irá instruir os professores sobre os diferenciais no comportamento de quem acabou de chegar do Japão, uma vez que se trata de uma criança ou adolescente que vivia em uma sociedade totalmente diversa da nossa. E esses professores irão nos informar sobre quais são as principais dificuldades enfrentadas por esses alunos”, explica Yoshioka.

Segundo Kyoko, essa troca de informações poderá implicar a visita de equipes do Isec em escolas participantes do programa de readaptação. “É um trabalho difícil, de identificação, que exige conhecimento dessa realidade entre Brasil e Japão”, completa ela.

Em um segundo momento, esse grupo de trabalho irá analisar os casos e verificar quais são as reais necessidades, entre acompanhamento psicológico, aulas de reforço de matérias, como português, matemática, história, etc. Crianças e adolescentes receberão o reforço como atividade extracurricular.

O projeto piloto deverá atender 60 alunos em um ano de duração. “Depois, avaliaremos a eficácia do projeto, faremos os ajustes necessários e, então, pensaremos em continuidade”, finaliza Kyoko.

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