José
Serra com autoridades na cerimônia de lançamento: convivência
com os japoneses |
(Texto: Helder
Horikawa/NB | Foto: Divulgação)
Primeiro, foi
a Prefeitura de São Paulo. Depois, o governo federal. Agora, no
dia 13 de fevereiro, foi a vez de o governo paulista lançar, oficialmente,
os festejos do centenário da imigração japonesa no
Brasil. Em uma cerimônia muito concorrida, no Palácio dos
Bandeirantes, o governador José Serra (PSDB) apresentou a lista
de comemorações que já tiveram início no mês
passado. No total, o Estado estará presente em cem ações,
que envolvem diretamente dez secretarias: Agricultura e Abastecimento;
Casa Civil; Cultura; Desenvolvimento; Educação; Ensino Superior
(USP, Unesp e Unicamp); Esporte, Lazer e Turismo; Meio Ambiente; Relações
Institucionais (Memorial da América Latina); e Saúde.
Na prática,
desde o ano passado, por meio da Secretaria da Educação,
o governo Serra já vinha desenvolvendo trabalhos relativos ao centenário.
O Programa Viva Japão, que busca divulgar a cultura japonesa na
rede pública de ensino, foi colocado em ação em 2007
e já atingiu algo em torno de 500 mil crianças. Temos
atividades e projetos em parceria em vários segmentos. Cada secretaria
determinou suas ações, dentro da viabilidade técnica
e orçamentária. Não houve uma verba especial, cada
pasta utilizará seus próprios recursos, destacou o
assessor especial para assuntos internacionais do governo, José
Roberto de Andrade Filho, que coordena as ações em comemoração
do centenário no Estado de São Paulo.
A inclusão
de crianças e jovens que retornaram do Japão às escolas
públicas brasileiras, outro projeto da Secretaria da Educação,
tem o objetivo de proporcionar uma melhor adaptação de crianças
e jovens que, por um período, estudaram naquele país. Embora
tenha sido elaborado em razão do centenário, o projeto deverá
prosseguir após as comemorações.
Merece destaque
na programação ainda o Festival Itinerante de Cinema Japonês,
desenvolvido pela Secretaria de Relações Institucionais.
O objetivo é resgatar, digitalizar e divulgar dez obras do acervo
do Cine Niterói, que trouxe para o Brasil, a partir de 1953, filmes
de produção japonesa.
Também
estão entre as ações a instalação de
escolinhas de esportes, com a inclusão de modalidades de grande
aceitação na comunidade nikkei, ciclos de palestras sobre
a cultura japonesa, apresentações de coral e dança,
workshops de culinária, seminários sobre a contribuição
da comunidade japonesa na agricultura paulista, homenagens a personalidades
que contribuíram para o desenvolvimento do Estado e muitas outras.
Tamanho envolvimento
do governo paulista nas comemorações do centenário
se justifica: estima-se que cerca de 1 milhão de nikkeis vivam
no Estado de São Paulo. Além da região metropolitana
da capital, a população de nikkeis também é
significativa em Atibaia, Mogi das Cruzes, Suzano, Bastos, Marília,
Lins, Registro, Araçatuba, Presidente Prudente e Pereira Barreto.
Em alguns, eles chegam a representar cerca de 30% da população.
Sempre tive uma grande admiração pelo povo japonês.
Convivi com eles no Mercado Municipal, nos tempos de colégio no
Franklin Roosewelt, na Liberdade, no cursinho e na Escola Politécnica.
São Paulo tem orgulho de ter sido a porta de entrada para esses
imigantes. E só aqui é possível encontrar um brasileiro
com cara de japonês e de sotaque italiano, brincou o governador
Serra.
O cartunista
Maurício de Souza também esteve presente na cerimônia
de lançamento do calendário de eventos. Na ocasião,
ele apresentou outra mascote, Keika, que fará companhia a Tikara.
Ambos farão parte da turma da Mônica.
Visivelmente
emocionado, o presidente da Associação para as Comemorações
do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, Kokei
Uehara, disse que, agora, a festa começou para valer. Questionado
sobre uma série de projetos que enfrentam dificuldades para aprovação
da Lei Rouanet no Ministério da Cultura, em Brasília, ele
avisou que a entidade já trabalha nos bastidores para solucionar
esses problemas. A festa será completa, avisou.
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Em comemoração do centenário, a partir de março
a cultura japonesa invade os palácios do governo paulista, na forma
de exposições e oficinas. As mostras serão realizadas
nos Palácios dos Bandeirantes, na zona sul de São Paulo;
no Boa Vista, em Campos do Jordão; e no do Horto, na zona norte
da capital. A programação integra o projeto Heranças
Culturais, que tem como objetivo promover encontros com a arte de outros
países.
No Palácio
dos Bandeirantes, estão programadas duas mostras. A primeira, Templos
e Palácios Japoneses, vai expor, de 5 de março a 8 de junho,
maquetes de templos e palácios pertencentes ao acervo do Consulado
do Japão. De 20 de junho a 28 de setembro, é a vez da exposição
Da Figura à Abstração: Presença Japonesa na
Arte Brasileira, com pinturas e esculturas de artistas imigrantes e descendentes,
pertencentes ao Acervo Artístico-Cultural dos Palácios,
do MAC-USP e do Instituto Mabe.
O Palácio
Boa Vista, terá a exposição Heranças Japonesas
na Cerâmica Brasileira, de 5 de julho a 31 de agosto, que exibe
cerâmica artística produzida com técnicas japonesas,
realizadas nos ateliês do Estado desde a primeira à terceira
gerações de artistas japoneses. No Boa Vista, também
estão previstas as oficinas Técnicas Artísticas Japonesas,
de 20 de junho a 31 de agosto, com origami (arte de dobrar o papel), shodô
(arte da caligrafia), washiê (arte da colagem), kiriê (arte
de recortar papel e formar desenhos), oshiê (artesanato com tecido
e algodão), mangá (arte da história em quadrinhos),
raku (arte da cerâmica) e ikebana (arte do arranjo floral).
As oficinas
Técnicas Artísticas e Japonesas também serão
realizadas no Palácio do Horto de 20 de junho a 31 de agosto. O
Horto também abrigará a exposição Templos
e Palácios Japoneses de 5 de julho a 31 de agosto.
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