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Naha prepara-se para o centenário
Muitos eventos estão programados para ocorrer na capital de Okinawa, inclusive uma missa rezada pelo padre Higa

Viagem: em Naha, Silveira, que é professor, impressionou-se com a história da cidade

(Texto: Yoichi Hashimoto/ipcdigital.com | Foto: Arquivo Pessoal)

Uma grande delegação de Naha, incluindo o prefeito e o presidente da Câmara Municipal, prepara-se desde já para visitar o Brasil, em agosto de 2008, no ano do centenário da imigração japonesa. Muitos eventos estão sendo programados para acontecer em Naha, inclusive uma missa rezada pelo padre Higa, de Hamamatsu (Shizuoka), para comemorar a profunda ligação que Okinawa tem com o Brasil.

Naha é a capital de Okinawa, que, há 99 anos, mandou mais imigrantes ao Brasil do que qualquer outra parte do Japão: dos primeiros 781 emigrantes japoneses que foram ao Brasil a bordo do Kasato Maru, em 1908, cerca de 400 eram originários de Okinawa. Naha também é a única cidade do Japão que tem um orelhão do Brasil em funcionamento. Ele está instalado na principal praça da cidade e foi um presente da prefeitura de São Vicente (SP), que há 29 anos é co-irmã de Naha.

Desde o dia 6 de outubro, Naha hospeda o mais recente representante: Mauro Silveira, 33, funcionário da Secretaria de Educação de São Vicente, chegou a Naha para um estágio de dois meses pelo programa de intercâmbio cultural entre as duas cidades. Assim que chegou, o brasileiro encabeçou o desfile do Matsuri de Naha, carregando a bandeira da cidade de São Vicente. O brasileiro ficou alocado nas duas primeiras semanas na Secretaria de Educação de Naha.

Durante o resto do tempo, Silveira ficou sob os cuidados do museu histórico da cidade, já que ele é professor de história no Brasil. Ele pôde conhecer com detalhes como era difícil a vida da população de Okinawa antes e depois da Segunda Guerra, o que foi um dos principais motivos de os okinawanos terem emigrado em grande número para o Brasil. “Fiquei impressionado ao saber que Naha inteira ficou sob o domínio americano depois da Guerra e nenhum okinawano ou japonês pôde entrar no seu perímetro urbano durante vários anos”, destaca Silveira, impressionado com a história da cidade que hoje está totalmente reconstruída e tem 316 mil habitantes.

Okinawa foi a única província do Japão onde houve batalha terrestre entre as forças japonesas e americanas. Naha foi inteiramente destruída e foi uma das batalhas mais sangrentas da Guerra do Pacífico. Morreram, nela, 188 mil japoneses, entre eles 130 mil okinawanos dos quais cerca de 100 mil eram civis que nada tinham a ver com a batalha. Foi por isso que, em 1995, no cinqüentenário do fim da guerra, a cidade de Naha assinou o Manifesto da Paz, por meio do qual se compromete a nunca mais participar de guerras.

Silveira teve a sua passagem paga pelo município de São Vicente, mas sua estadia foi arcada pela prefeitura de Naha, que recebe, anualmente, nipo-brasileiros da Associação de Ex-Moradores de Okinawa. Qual a razão de tanta hospitalidade ao brasileiro? “O okinawano é muito grato ao Brasil, por ter recebido tão bem os nossos imigrantes. De lá, eles nos mandaram dinheiro e mantimentos nos anos terríveis do pós-guerra, quando muitos habitantes da ilha morriam de fome”, disse Taira Katsumi, diretor do Departamento de Intercâmbio para a Paz e Igualdade entre Homens e Mulheres da Prefeitura de Naha, que aguarda, com ansiedade, o ano de 2008 e que também é o ano em que as relações das cidades-irmãs Naha e São Vicente completam 30 anos.

Já o prefeito de Naha, Takeshi Onaga, convida todos os brasileiros a vir conhecer Naha em 2008. “Sabemos que o Brasil tem muito em comum com Okinawa, a começar pelo clima e as belas praias. O povo de Okinawa, como os brasileiros, tem orgulho de ser caloroso e hospitaleiro. No ano de 2008, a cidade de Naha faz questão de comemorar o centenário com a presença de um grande número de brasileiros”, disse o prefeito.

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