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O artista plástico Kota Kinutani finaliza uma das sete peças da escultura de 200 toneladas

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Foto: Divulgação)

Em junho de 2008, o centenário da imigração japonesa no Brasil ganhará um presente de “peso”: um monumento formado por sete pedras que, juntas, somam quase 200 toneladas. O monumento, que simboliza os laços entre o Brasil e os cinco continentes, será instalado no Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo.

A idéia é do artista plástico Kota Kinutani. Natural de Tóquio, ele já esteve no Brasil em duas ocasiões. A primeira delas em 2003, quando ganhou uma bolsa de estudos para cursar pós-doutorado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. No Brasil, pesquisou sobre diferentes tipos de pedras e participou de exposições. Em sua segunda visita, em 2006, já planejava presentear os brasileiros com uma de suas esculturas e, por isso, viajou até o Ceará para escolher a pedra que seria usada em sua obra.

Isso mesmo, a escultura é feita com uma pedra brasileira, a granito Red Dragon, e com exemplares do granito japonês Inada, da região de Ibaraki. Segundo o artista, esse tipo de pedra é o mesmo utilizado no Palácio Imperial, na Dieta e na Suprema Corte Japonesa.

Neste mês, Kinutani finalizou as seis peças que se encontram no Japão. Todas foram transformadas em verdadeiros brinquedos para crianças, ganhando forma de caverna, escada, sofá e até escorregadores. “ Meu desejo é o de que diversas pessoas possam interagir com a escultura, especialmente as crianças. Ficarei muito feliz se esse monumento puder contribuir para o futuro das relações nipo-brasileiras”, disse o artista, em entrevista a uma TV japonesa.

A confecção das peças, que começou em janeiro, envolveu uma equipe de auxiliares e uma empresa especializada em corte de granito para ajudar na retirada e locomoção das pedras. Ou seja, a rotina de trabalho envolveu maquinário pesado, detonadores de explosivos e empilhadeiras. Só para retirar as pedras do local, foram cinco meses de trabalho.

As seis esculturas serão trazidas ao Brasil de navio, saindo do porto de Yokohama em fevereiro e com previsão de chegada em maio. Bem antes disso, em janeiro, Kinutani estará em território nacional para esculpir a pedra proveniente do Ceará e que será levada para a cidade de Salto, no interior de São Paulo, onde o artista terá um local apropriado para desenvolver sua arte. As pedras serão todas transportadas para o Parque do Carmo, com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente da cidade.

O Parque foi escolhido para abrigar o monumento por seu histórico de forte ligação com a comunidade nipo-brasileira, já que a região foi um dos redutos brasileiros dos agricultores japoneses. A viabilização do projeto é feita por meio de uma comissão específica formada por empresários e políticos, tanto no Brasil quanto no Japão.

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