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Esse foi o principal foco de discussão no inédito Fórum de Integração, que reuniu 22 lideranças regionais na capital paulista

Presidente Uehara à frente de um
cartaz com os ojetivos do Bunkyo: críticas construtivas são bem-vindas

(Texto e Foto: Helder Horikawa/NB)

É preciso mais integração. Essa foi a tônica das discussões do 1º Fórum de Integração Bunkyo, que reuniu, em São Paulo, 22 das 25 representações regionais da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social (Bunkyo) espalhadas por todo o País. Foram dois dias de conhecimento, troca de informações e intercâmbio. No relatório, já finalizado e que deverá ser encaminhado nos próximos dias às entidades, mais reivindicações do que necessariamente críticas. E uma certeza: o Bunkyo e suas filiadas precisam encontrar fórmulas de atrair e interagir com os jovens se quiserem sobreviver após as comemorações do centenário da imigração japonesa no Brasil em 2008.

Na prática, a dita sobrevivência é uma discussão antiga. Pelo menos desde a administração de Atsushi Yamauti, na década de 90, caravanas e encontros de revitalização eram realizadas em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). Agora, a idéia da Comissão de Relacionamento com as Associações do Bunkyo é estreitar os laços e analisar, de fato, qual o papel da entidade na comunidade nikkei. Ouviu o que sempre se comentou: os jovens querem mais espaço, a velha guarda fecha as portas e a tão defendida abertura de diálogo fica em segundo plano.

Esse problema crônico dominou as mesas de discussão. “Independentemente do tamanho da cidade, a tendência é que a evasão de jovens nas entidades nikkeis continue. Vai chegar uma hora em que o conceito de nipo-brasileiro só estará na fisionomia. Precisamos mudar esse cenário”, constatou Caio Yoshida, diretor da Associação Nikkei do Rio de Janeiro.

A bandeira da integração também foi defendida por todos os grupos participantes, dos jovens às mulheres.“É preciso que as entidades dialoguem e interajam entre si. Vamos agir juntos, assim toda a coletividade sai ganhando”, expressou Mitiko Kehdy, diretora da Sociedade Mineira de Cultura Japonesa de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Aliás, ainda que fosse pequena, a participação de jovens e mulheres surpreendeu ao presidente do Bunkyo, Kokei Uehara. Sinal de que o processo de revitalização, lançado em 2003, começa a surtir seus efeitos. Foi naquele ano que uma comissão foi organizada pelo desembargador Kazuo Watanabe para fazer renascer o velho e defasado Bunkyo, que completou 50 anos de fundação em 2006. Foi a partir dali também que uma mulher (Tomoko Higuchi) e um jovem (Marcelo Hideshima) foram alçados à vice-presidência da entidade.

Ao abrir as portas para os seus próprios associados, literalmente apresentando seus trabalhos, projetos e instalações, o Bunkyo dá sinais de que está mesmo mudando de mentalidade. Ou pelo menos tenta. “Espero que esse fórum não seja um trabalho solitário. Esse tipo de integração já deveria ser realizado há 40 anos. Não podemos ficar de mãos atadas e esperar pelo fechamento das entidades. Sem os jovens, estamos desperdiçando a força nipo-brasileira”, disse o ex-vice-prefeito e ex-vereador Kazuhiro Mori, hoje presidente da Associação Cultural e Esportiva Agrícola de Suzano (Aceas Nikkey).

Mori, por sinal, fez uma analogia da importância dos jovens utilizando um clube de futebol como exemplo. “Para que tenhamos sempre uma boa equipe, é preciso a diretoria apostar e incentivar os jovens das categorias de base”, explicou. Guardadas as devidas proporções, o jovem quer, sim, mais espaço e mostrar a sua força. Capacidade para isso, segundo Jô Takahashi, diretor da Fundação Japão, ele já provou que tem. “É preciso sabermos apenas valorizá-lo”, defende ele, enaltecendo a realização, por exemplo, da Japan Experience, organizado pelo Departamento Jovem (Seinenkai) do Bunkyo. “Os jovens não querem apenas carregar mesas e cadeiras nas festas das associações. Eles querem ter voz ativa e participativa nas entidades”, completou Cristina Agari.

Durante o fórum, surgiu até a idéia da criação de ligas entre os Departamentos de Jovens (Seinenkais) como forma de manter e atrair a juventude nipo-brasileira às atividades da comunidade. Alguns nomes até foram destacados para atuar regionalmente, organizando simpósios e encontros entre eles. A dupla Flávio Yasunaga e Hideaki Mikami, do Clube Cultural e Recreativo Nipo-Brasileiro de Brasília, por exemplo, faria o trabalho de integração na região Centro-Oeste.

O grande problema para a criação de ligas de Seinenkais, porém, é a falta de recursos. “Por isso, se o Bunkyo quer e precisa dos jovens, é preciso nos ajudar. É urgente que sejam tomadas medidas nesse sentido”, afirmou Caio Yoshida. “Sem os Seinenkais, não teremos associações nikkeis no futuro. Hoje, sofremos com um vazio muito grande por não termos formado essas novas lideranças no passado”, disse Paulo Maeda, representante da Regional Norte do Paraná.

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