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Durante duas décadas, a Associação Nipo manteve suas portas praticamente fechadas; nova diretoria assumiu os trabalhos há três meses

Governador Aécio criou comissão estadual para programar festejos

(Foto: Divulgação)

Primeiro foi a Festa das Nações, que ocorreu há duas semanas. Agora, 2008 é o ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Duas comemorações e pronto: a Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de São Carlos, no interior de São Paulo, está de volta às atividades após duas décadas de portas fechadas.

Na prática, o trabalho da Nipo de São Carlos foi retomado há três meses. Um grupo de amigos juntou forças para representar a comunidade nipo-brasileira na Festa das Nações, a pedido do prefeito Newton Lima (PT). A participação ganhou elogios. E deles já surgiu a idéia, por parte do Executivo local, da criação de uma comissão municipal para os festejos dos cem anos da chegada dos imigrantes japoneses.

A primeira reunião das lideranças nikkeis, que tem à frente a presidente da Nipo, Sandra Massae Kaibara, com o prefeito Lima ocorre no dia 4 de dezembro. O encontro deverá ser acompanhado por Yoshio Imaizumi, coordenador da Comissão de Relacionamento da Associação para Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

Na pauta da reunião, estão, além da montagem da comissão municipal, a construção de uma praça em homenagem ao centenário, a instituição do 18 de junho como Dia Municipal da Imigração Japonesa e uma possível ajuda na retomada da Nipo de São Carlos. “Precisamos de uma doação financeira para reformarmos a nossa sede campestre. O empréstimo de maquinário, por outro lado, já nos ajudaria muito”, diz Sandra.

Das solicitações e projetos, a da praça oriental, cogitado pelo prefeito Newton Lima, já tem duas áreas em análise. Uma delas está no bairro Tijuco Preto, nas proximidades da Estação Rodoviária e do campus da Universidade de São Paulo. Mas, por enquanto, o local não passa de uma cogitação, nem há um orçamento definido para o empreendimento.

Além da praça, o prefeito quer comemorar o centenário com a assinatura de um acordo de co-irmandade com uma cidade japonesa em 2008. Tsukuba, na província de Ibaraki, foi cogitada. Miyazaki também foi consultada. Nenhuma das duas demonstrou muito interesse. “É vontade de nosso prefeito firmar esse acordo. Se não tivermos nenhum retorno positivo, vamos montar uma missão para visitar o Japão ainda no primeiro semestre do ano que vem”, diz Yashiro Yamamoto, coordenador de Relações Institucionais da Prefeitura de São Carlos.

Entre Ibaraki e Miyazaki, a primeira tem muitas similaridades com São Carlos. É um importante pólo estudantil e tecnológico. Além do campus da USP, o município paulista tem a Universidade Federal e duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 
Associação Nipo: planejamento para os próximos dez anos

A Festa das Nações e o centenário da imigração fizeram renascer a Associação Cultural Esportiva Nipo-Brasileira de São Carlos. E, se depender da nova diretoria, a entidade ressurge para não mais fechar as portas. Para começar, nas primeiras reuniões do grupo de amigos, lançou-se o planejamento de dez anos de atividades. Aos 40 anos, Sandra Massae Kaibara assumiu a presidência para entrar na história. É a mais jovem e a primeira mulher a dirigir a entidade.

Outra providência tomada pela diretoria da Nipo foi retomar a sede própria, alugada há anos para uma empresa do setor alimentício desocupada no dia 24 de novembro. Uma ampla reforma deve ser iniciada em breve. Vontade há de sobra, mas falta verba. Agora, em 2008, o prédio, no bairro do Tijuco Preto, completa 50 anos de fundação.

A retomada das atividades da Associação Nipo foi comemorada pela comunidade nipo-brasileira da cidade. O Departamento de Taikô já começou seus ensaios sob a batuta dos jovens Fábio Shiga e Sabrina... Ambos, “forasteiros”, são estudantes da Universidade Federal de São Carlos. Ele, de Marília, faz Física; ela, de São José dos Campos, cursa Enfermagem. Outros setores, como o de odori e futebol e beisebol, também estão se mobilizando.

Um levantamento prévio da diretoria da Nipo já constatou um cadastro inativo de 420 famílias nikkeis em São Carlos. Mas, segundo Sandra, devam residir na cidade mais de 600. “Muitos vêm para estudar na USP e na Federal e acabam ficando”, justifica.

Como atrair os velhos sócios e trazer novos integrantes é o “x” da questão. Começou-se pelo taikô, para conquistar os jovens. De cara, o projeto chamou a atenção de 72 “alunos”, que incluem um garoto de 7 anos e uma senhora de 64. “Vamos colocar a casa em ordem aos poucos”, diz a presidente.

Sandra Kaibara, porém, não quer perder tempo. Arquiteta de profissão, ela já enviou comunicados às entidades da região para dizer que a Nipo de São Carlos voltou à ativa. E, na semana passada, encontrava-se pessoalmente com lideranças de Ribeirão Preto na sexta, Araraquara no sábado e Taquaritinga no domingo.

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