|
(Texto: Cinthia
Yumi/NB)
Dez anos após
a morte de Manabu Mabe (1924-1997), sua família divulga uma boa
notícia: realizará o sonho do artista plástico de
ter seu próprio museu de artes. Aprovado pela Lei Rouanet e com
apoio do governo estadual, o Museu de Arte Moderna Nipo-Brasileira Manabu
Mabe deverá sair do papel e ter sua sede própria no bairro
da Liberdade, em São Paulo, no prédio que abrigava a antiga
Escola Estadual Campos Sales. A inauguração está
marcada para junho de 2008, dentro das comemorações do centenário
da imigração.
À frente
da execução está o Instituto Manabu Mabe, encabeçado
pela viúva do artista, Yoshino, e seus filhos, Joh, Ken e Yugo
Mabe. Ficamos felizes por ouvirmos do próprio governo federal
que o nosso projeto é um dos mais viáveis para comemorar
o centenário da imigração japonesa, porque ele vai
ficar para as futuras gerações, diz Yugo.
O projeto do
museu, orçado em cerca de R$ 10 milhões, prevê a restauração
das instalações do prédio histórico, projetado
em 1911 pelo arquiteto italiano Giovanni Battista Bianchi e tombado como
patrimônio do Estado, e a construção de um prédio
anexo. O prédio principal terá centro de pesquisas, biblioteca,
sala de exposições e salas de aula, já que a proposta
do espaço é de se tornar um centro de fomento à arte.
O anexo abrigará área expositiva, auditório e centro
gastronômico.
A autoria do
projeto é do arquiteto Victor Hugo Mori, superintendente regional
do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan). Com a comemoração dos cem anos da imigração,
no próximo ano, a intenção era fazer um projeto que
se enquadrasse nesses festejos. O acervo do Instituto Manabu Mabe é
maravilhoso e, no entanto, seu acesso é restrito a poucos, justamente
por causa da falta de uma sede apropriada para a exposição.
Portanto, esse casamento entre a escola Campos Sales e o acervo do Instituto
é perfeito para comemorar o centenário, afirma Mori.
As obras, que
começaram em outubro, serão feitas em três etapas.
A primeira delas envolve a limpeza do terreno invadido por 85 famílias
moradoras de rua e a restauração do prédio.
A segunda etapa é a de conclusão das obras e a implementação
da estrutura museológica. E a terceira será a montagem da
exposição, publicação de livros e realização
de eventos de inauguração para comemorar o centenário
da imigração.
Segundo o
artista plástico Yugo Mabe, o museu contará com duas coleções
completas de Mabe e mais cerca de cem obras de artistas nipo-brasileiros
e brasileiros. É importante ressaltar que esse museu não
terá apenas obras do meu pai, mas de vários artistas. Esse
era o sonho do meu pai, que, na década de 60, se naturalizou brasileiro.
Em todas as exposições que realizou, ele sempre fazia questão
de se firmar como um artista brasileiro, diz Yugo.
Agora, a família
busca por patrocínio para as obras. Até o momento, ao menos
quatro grandes empresas colaboram com o projeto. Ajuda de empresas japonesas,
por enquanto, é sonho. Vejo que as empresas de capital japonês
ainda não aderiram às festividades do centenário,
mas acredito que elas estão sinalizando de forma mais positiva,
torce Yugo.
|