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Em quatro anos, o projeto, idealizado pelo arquiteto Márcio Lupion e orçado em cerca de R$ 35 milhões, deverá ser implantado em todo o bairro
Antes
Depois

Fachadas das lojas deverão seguir o mesmo padrão oriental

(Texto: Cinthia Yumi/NB | Fotos: Divulgação)

Em São Paulo, o centenário da imigração japonesa, em 2008, ficou sem nenhuma grande construção para comemorar a data. No entanto, está em estudo um projeto de revitalização do bairro da Liberdade, que poderá ser um marco para o centenário. “A idéia é que o bairro ganhe uma nova roupagem e se transforme em um misto de Japão antigo com o moderno. O objetivo é transformar o bairro em um pólo turístico, com lojas abertas dia e noite”, explica o arquiteto Márcio Lupion.

Idealizado pelo arquiteto e feito nos moldes da Lei da Cidade Limpa, o projeto Caminho do Imperador prevê, em um primeiro momento, alterações nas fachadas dos estabelecimentos localizados nas ruas Galvão Bueno, até a Tomás Gonzaga e na Praça da Liberdade. Essa primeira etapa está prevista para ser executada entre fevereiro e junho de 2008.

Depois disso, haverá outras etapas: de reformulação dos quatro viadutos do bairro, que deverão ganhar “roupagem” em estilo chinês, coreano e japonês; reformulação dos pontos de ônibus; das luminárias e até das árvores já plantadas. Entre os detalhes, estão três tipos de iluminação e ainda um buda de 6 metros de altura que deverá ser instalado em uma das praças do bairro. Ainda está previsto um teatro virtual projetado nas paredes dos prédios, com dia e hora marcados, para atrair os turistas.

Em quatro anos, o projeto, orçado em cerca de R$ 35 milhões, deverá ser implantado em todo o bairro, inclusive, com um programa de trabalho social com os moradores de rua da região. E, tudo isso, garantem os idealizadores, sem custos para os lojistas. “Eles vão ganhar tudo. Só precisam apoiar o projeto”, continua Lupion. Para isso, o escritório de arquitetura e o Instituto Paulo Kobayashi estão em busca de empresas patrocinadoras.

Na opinião de Nilton Fukui, vice-presidente da Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Acal) e presidente do Conselho de Segurança (Conseg) da Liberdade, o projeto é “muito bom”, mas utópico. “É um projeto para ser abraçado, sim, mas não nesse momento. Primeiro, a região precisa de infra-estrutura e segurança. Depois, podemos embelezá-la”, diz.

Segundo ele, essa é também a opinião da maioria dos proprietários de imóveis e comerciantes da região. “Conversei com muitos proprietários das lojas e acredito que essa situação possa até causar divergências entre os proprietários dos estabelecimentos comerciais e os locatários”, opina.

Fukui conta que, mesmo considerando as comemorações do centenário da imigração japonesa, no próximo ano, o projeto é inviável. “Como comerciante e como uma pessoa que vive o dia-a-dia nesse bairro, posso assegurar que há outras necessidades prioritárias. Para o centenário, queremos algo bem mais modesto, que dê visibilidade ao bairro da Liberdade, sim, mas sem tantas mudanças. O comerciante só quer divulgar sua marca e seu produto”, finaliza.

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