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Em São Paulo, a homenagem caberá à Escola Unidos de Vila Maria; no Rio, a imigração é enredo da Porto da Pedra
Foto: Nei Toledo

FOLIA - Festa de apresentação na Vila Maria aconteceu na semana passada

(Texto: Cinthia Yumi/NB)

No ano do centenário da imigração japonesa no Brasil, as escolas de samba Unidos de Vila Maria, em São Paulo, Unidos do Porto da Pedra, no Rio de Janeiro, e Copa Lord, em Santa Catarina, farão uma homenagem à comunidade nipo-brasileira nos sambódromos de suas respectivas capitais, em fevereiro de 2008. Das três, a Unidos de Vila Maria é a que tem o título de escola oficial do centenário da imigração.

Com o enredo Irashai-mase, Milênios de Cultura e Sabedoria no Centenário da Imigração Japonesa, a vice-campeã do carnaval paulista de 2007 aposta na vitória. “Esse tema nos dará sorte. Não quero desmerecer o trabalho das outras escolas de samba, mas tenho certeza de que vamos vencer em 2008”, diz o carnavalesco Wagner Santos, num tom mais que otimista.

Ele adianta que a escola convidará a atriz Daniele Suzuki para ser a rainha da bateria. “Se ela aceitar o convite, acredito que será a primeira vez na história do carnaval que uma descendente de japoneses estará à frente da bateria”, arrisca. Além da atriz carioca, a escola deverá trazer outras beldades da comunidade, entre elas, a vencedora do Miss Centenário. “Em um dos carros alegóricos, pretendemos destacar os descendentes que tiveram papel relevante na comunidade”, complementa. O carro ao qual ele se refere será o terceiro a entrar o Sambódromo, com o título “Integração, Consolidação e Estabilidade”.

No abre-alas, o tema será a milenar cultura japonesa. A chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil será destaque no segundo carro. Agricultura e tecnologia dos japoneses também estarão ilustrados na avenida do samba. “Falaremos de tudo do Japão. Estamos preparando muitas surpresas”, diz Santos.

No barracão, o trabalho já está a todo vapor para a elaboração dos figurinos, que se utilizarão de tecidos especiais. Cerca de 30 compositores devem concorrer ao samba-enredo, que só será definido em outubro. Antes disso, em setembro, a escola apresentará os pilotos de todas as fantasias para a comunidade. “Muita gente pensa que a escola depende da letra da música para fazer as fantasias. Mas é o contrário. O compositor faz a letra de acordo com tudo o que já vem sendo desenvolvido, em termos de enredo, carros alegóricos, blocos e fantasias”, finaliza o carnavalesco.

No Rio de Janeiro, a Unidos do Porto da Pedra também já está a todo vapor. Com o enredo “100 Anos de Imigração Japonesa – Tem Pagode no Maru”, a escola espera fazer toda a Sapucaí vibrar. “Acredito que com esse enredo e a ajuda da comunidade nipo-brasileira, conseguiremos ficar entre os primeiros do carnaval carioca, que é o mais belo espetáculo do mundo”, torce o presidente da Escola, Uberlan de Oliveira.

Assim como em São Paulo, o samba-enredo campeão da Porto da Pedra só deverá sair em meados de outubro. A escola do Grupo Especial ficou em 10ª colocação no carnaval carioca deste ano.

 
Mobilização em Floripa já começou
Foto: Divulgação

FESTANÇA - Personalidades nikkeis com diretores da Copa Lord

Santa Catarina, mais especificamente, Florianópolis, também fará sua homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil. E vai mais longe. Por lá, a comunidade carnavalesca da escola Copa Lord prepara o enredo “Matsuri em Sankateríni” com base no período anterior à imigração japonesa oficial ao Brasil em 1908. “A data de 1908 é o marco histórico oficial da imigração. Mas, antes disso, em 1803, os primeiros japoneses a pisar em solo brasileiro chegavam em Santa Catarina. Sankateríni foi o que os náufragos escreveram em seu manuscrito como Ilha de Santa Catarina”, explica Elídio Sinzato, presidente da Associação Nipo-Catarinense.

A iniciativa partiu não só da Associação, mas também da Federação Nikkei de Santa Catarina. Ambas têm na secretaria-geral o apaixonado pela cultura japonesa Paulo B. da Rosa, encarregado de fazer toda a pesquisa histórica e entregá-la à escola de samba. “Não sou historiador, mas sou um curioso nato. Quando li sobre essa curiosidade da imigração, ainda mais envolvendo a nossa cidade, achei que seria importante repassá-la ao conhecimento público”, diz.

A história à qual ele se refere é de quatro japoneses do barco Wakamiya Maru que, em 1803, afundou na costa japonesa. Os náufragos foram salvos por um navio de guerra russo que, mesmo não podendo se desviar de sua rota, levou-os em sua viagem. No retorno, a embarcação aportou, para conserto, em Porto de Desterro, atual Florianópolis (SC), em dezembro daquele ano.

Os japoneses permaneceram no local até fevereiro de 1804, período em que fizeram registros da vida da população local e da produção agrícola da época. Depois disso, outros japoneses estiveram de passagem pelo país, mas a primeira visita oficial para se buscar um acordo diplomático e comercial ocorreu em 1880.

Com esse diferencial, a comunidade nipo-brasileira deverá aderir em peso ao desfile. “Estamos fazendo toda uma mobilização por meio da Federação Nikkei para chamar as pessoas ao desfile”, finaliza Sinzato.

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