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Foto: Divulgação

SUCESSO - Walter Horita, do Paraná para a Bahia, onde é um dos maiores produtores de algodão do Estado

(Texto: Helder Horikawa/NB)

Até a década de 30, os imigrantes japoneses, com raras exceções, encontravam-se em São Paulo. Mas a partir de 22 de novembro de 1932, quando o governo paulista decretou uma lei que proibia a entrada e o plantio de café no Estado durante três anos, como forma de proteger os cafeicultores já estabelecidos afetados pela crise do setor de 1929, os olhos de muitos nipônicos voltaram-se para o Paraná. Por lá, pequenos grupos haviam se formado em Antonina, Bandeirantes e Cornélio Procópio.

Ao longo de 100 anos de história, a prática agrícola foi determinante para que núcleos coloniais surgissem em todo o Brasil a partir dos anos 30. Mas, diferente do ocorrido nas regiões Sul e Sudeste, a imigração, em especial no Norte, contou com um estudo técnico detalhado. Foi assim, por exemplo, que o governo paraense concedeu, após acordo com o governo japonês, 500 mil hectares para o chamado Projeto de Colonização Japonesa na Amazônia.

Do Pará, a imigração avançou, no pós-guerra, para a Bahia, Piauí, Amapá, Roraima e Maranhão, com o objetivo de povoar e desenvolver áreas improdutivas e abandonadas. Nos anos 70 e 80, filhos e netos de imigrantes partiram para a descoberta de novas regiões produtivas a convite da Cooperativa Agrícola de Cotia. Outros foram com a cara e a coragem, como se diz no velho ditado popular.

Aos 41 anos, Ernesto Koki Emori é um desses desbravadores. Aceitou o convite de um amigo dos tempos de Mogi das Cruzes para apostar suas fichas em Tianguá, na próspera região da Serra de Ibiapaba, no Ceará. Ele chegou por lá em 2002, depois de viver os quatro anos anteriores plantando cenoura em São Gotardo, Minas Gerais.

Emori, caçula entre os homens em uma família de sete irmãos, não se arrepende das mudanças que fez. “Lá em Mogi não tinha mais para onde crescer. A concorrência também estava pesada”, lembra. Foi bem em terras mineiras, mas resolveu apostar de vez naquele que vem sendo apontado como “Cinturão Verde” do Ceará.

Lá, o nissei Emori começou cultivando 5 hectares de cenoura a cada dez dias, até chegar aos 40 hectares com plantio direto. Também partiu para o cultivo da cebola. Estava com 15 hectares, em maio passado, mas tinha planos de plantar 5 hectares a cada 30 dias. No total, ele vive em uma área de 1,3 mil hectares, onde também já cultiva o maracujá.

Com dois pivôs de irrigação em funcionamento, cada um abrangendo 80 hectares, ele deve iniciar, a partir de agosto, o cultivo de soja e milho para fazer a rotação da terra. O objetivo é chegar a dez pivôs em funcionamento, o que poderá ocorrer a médio prazo. Com tanto sucesso, Mogi das Cruzes vai ficando no passado. “Só volto mesmo a passeio”, argumenta.

Da Bahia vem outro exemplo de nissei que apostou em vencer na agricultura do Nordeste. O paranaense Walter Yukio Horita, jamais havia ouvido falar no Oeste baiano. Mas, em 1984, depois de formar-se em Engenharia Mecânica, seguiu a onda de gaúchos e paranaenses que chegavam à região de Barreiras por intermédio da Norbrás, uma companhia colonizadora de Cascavel. Comprou, de cara, 1.210 hectares, o dobro da área que a família cultivava em Floresta, a 20 km de Maringá.

Dois fatores foram fundamentais para que Horita apostasse na Bahia: a terra mais barata e a taxa de juros da época. Pagou US$ 40 o hectare, mas dois anos antes o mesmo saia por US$ 5. De negativo, o solo muito mais pobre do que o explorado em São Paulo e Paraná. Junto com os irmãos Ricardo e Wilson, começou com o cultivo da soja. Depois passou para o milho e o arroz.

Desde 99, os Horita passaram a investir pesado no algodão, que hoje representa 80% do faturamento do grupo. No total, são 16 mil hectares plantados. A soja ocupa 12 mil hectares e o milho, outros 2 mil hectares. Visionário, Walter, a pedido do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), testa uma nova variedade de cana. É um trabalho de adaptação, mas os resultados, até agora, foram satisfatórios. “A cana é a grande cultura do futuro”, diz, apostando alto na ampliação da produção do etanol no Brasil.

Hoje, Walter Horita é o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão e também comanda a Fundação de Apoio e Pesquisa do Oeste Baiano. O grupo da família, que mantém 40 mil hectares em São Desidério, na região de Barreiras, emprega mais de 500 funcionários. O número é ainda maior em tempos de colheita de safra. “Graças a Deus estamos bem. Para trabalhar no campo, tem que ter paixão. E eu sou um apaixonado pela agricultura”, diz.

Avicultura

Natural de Bastos, popularmente conhecida como a “Capital do Ovo”, o avicultor Eduardo Tsuru, 38 anos, resolveu buscar novos negócios fora do território paulista. Andou pelo País em busca de oportunidades até desembarcar em Vilhena, Rondônia. Isso foi há oito anos. Foi, como se diz no jargão popular, amor à primeira vista. “O clima era muito bom, extremamente favorável à criação de galinhas poedeiras. Além disso, era um lugar novo, cujo abastecimento dependia muito de São Paulo e do Paraná”, lembra.

Foi assim que o nissei Eduardo abriu a filial da Granja Brasil de Bastos em Vilhena. Por lá o plantel de poedeiras é de 190 mil aves, o equivalente a 15% do que se mantém em Bastos, onde os negócios são comandados pelo seu irmão mais velho, Roberto Tsuru. Depois de Rondônia, abriu-se uma nova granja em Cruzeiro do Sul, no Acre.

Mas com a visão empreendedora, os Tsuru querem ir mais longe. “Se não formos atrás, as oportunidades não caem do céu”, afirma Edson. Por isso mesmo, deve começar a produzir, a partir do ano que vem, em Primavera do Leste, no Mato Grosso.

Experiência para mais um bom negócio não falta. “Difícil mesmo deve ter sido para nossos imigrantes japoneses. Estavam em um país distante e com a cultura e idioma totalmente diferentes”, diz.

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