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Foto: Helder Horikawa/NB

MERCADO - Masuda chegou por meio do Cotia Seinen

(Texto: Helder Horikawa/NB | Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil)

Sempre sorridente, Teruo Masuda é um dos principais produtores de caqui fuyu em Piedade, no interior de São Paulo. Desembarcou no Brasil em 1961 como imigrante individual da província de Ehime, integrando o grupo da Cotia Seinen,que trazia jovens japoneses para trabalhar na agricultura por intermédio da Cooperativa Agrícola de Cotia (entre 1955 e 1967, mais de 2,5 mil jovens entraram no País por meio da Cotia Seinen).

Vindo do Japão, Masuda aportou diretamente em Piedade, onde trabalhou na propriedade da família Toda. A compra de sua primeira terra ocorreu somente em 1965. Eram 12 alqueires. Primeiro, tentou a batata. Depois passou a cultivar cebola, alho, cenoura, beterraba e outras hortaliças em áreas arrendadas.

Hoje, Masuda tem uma propriedade de 25 hectares. Desistiu da batata em 93 e das hortaliças no ano seguinte. Agora, só se dedica à fruticultura. Quatorze alqueires atuais estão com o caqui, fruta com a qual ganhou vários prêmios nacionais. Também tem pêssego, ameixa, laranja, nectarina e castanha. Desta última, costuma abrir sua propriedade, em janeiro, para uma grande festa beneficente há 21 anos.

Pai de quatro filhos, entre elas duas mulheres, Teruo Masuda hoje supervisiona e propagandeia seus cultivos. Tecnicamente, é Rosana, a mais velha, quem trabalha no produção das frutas. “A minha filha é como a diretora-presidente de uma companhia. Eu sou uma espécie de presidente do Conselho Deliberativo”, compara ele.

Toda a produção de Masuda é comercializada diretamente com o Ceagesp, em São Paulo. “Oferecemos frutas de qualidade em quantidade. Isso não é fácil”, argumenta. Mas em mais de quatro décadas de Brasil, já pensou, sim, em desistir da agricultura. “Mas não posso, é a única coisa que sei fazer”, descreve.

Foto: Divulgação

INOVAÇÃO - Shinichi Ogawa: chegada ao País em 1928

Nascido em 6 de novembro de 1915, em Wakayama, Shinichi Ogawa chegou ao Brasil em 1928. Tinha 14 anos e veio acompanhar os pais, contratados para trabalhar na cultura do café na Fazenda Gonzaga, em Promissão, interior paulista. Depois passou por Bastos e Louveira. Na primeira, os Ogawa dedicaram-se à lavoura cafeeira. Na segunda, à uva, figo e morango.

Shinichi Ogawa mudou-se para o Rio de Janeiro em 1948. Ali, mais precisamente em Itaguaí, começava sua história de sucesso como produtor de goiabas. Ele já desenvolveu quatro variedades, batizadas com seu sobrenome. Hoje, o número de variedades chega a seis, a última delas já com o selo de sua sucessora, a engenheira agrônoma Elizabeth, a caçula das seis filhas.

As variedades desenvolvidas por Ogawa estão espalhadas por todo o Brasil e até no Havaí e no Japão. Prestes a completar 92 anos, ele praticamente passou as atividades agrícolas para Elizabeth. Ainda assim, de três a quatro vezes por semana passa no laboratório e confere o pomar. “Aprendi mais com ele do que na faculdade”, afirma, orgulhosa, a caçula.

Hoje, a propriedade de 10,5 hectares está em Ceropédica, na região de Nova Friburgo. O objetivo ali não é cultivar em quantidade, mas sim testar variedades. “Temos cerca de 150 espécies de frutas. Aqui é um verdadeiro jardim botânico”, enaltece Elizabeth. Além da goiaba, há igualmente pesquisas com o abio, carambola, lichia, saputi e araçapoi, uma fruta típica da Amazônia.

 
Alguns cultivos que desenvolveram-se nas mãos dos japoneses
Abacate
Foi trazido ao Brasil por volta de 1540, entrando na Amazônia por meio do Peru. O agricultor Taizo Ito fez a seleção da variedade Coringa, de fruto grande (cerca de 800 gramas), e tratou de espalhá-la por todo o País.

Caqui
As variedades mais doces foram introduzidas pelos imigrantes japoneses. Hoje, Piedade, Pilar do Sul e Mogi das Cruzes têm as maiores produções da fruta no Brasil. Em Mogi predomina a variedade rama forte, enquanto em Piedade Pilar o cultivo maior é do caqui fuyu.

Foto: Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

Produção de chá na propriedade de Torazo Okamoto, em Registro

Chá
Foi trazido da China em 1812 para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mas ganhou a simpatia dos brasileiros por meio dos japoneses. Torazo Okamoto, em Registro, foi um dos maiores cultivadores do produto. Ele trouxe chá do Sri Lanka.

Goiaba
Considerada originária da América tropical, foi pelas mãos dos imigrantes japoneses que ganhou uma imensa variedade. Shinichi Ogawa, produtor do Rio de Janeiro, foi bem-sucedido com as variedades Ogawa 1, 2, 3 e 4 e Santa Alice melhorada.

Maçã
Em 1971, o especialista Kenshi Ushirozawa trabalhou no desenvolvimento de variedades trazidas do Japão e acabou escolhendo a Fuji como a principal. Com o sucesso da variedade, o Brasil tornou-se auto-suficiente no cultivo da fruta.

Pêra
Os agricultores trouxeram do Japão variedades híbridas de pêras européias, chineses e japonesas. As variedades shinsui e kôsui chegaram a ser plantadas no interior de São Paulo. Hoje, em Frei Rogério, cultiva-se a pêra nashi.

Poncã
Essa fruta da Índia chegou ao Brasil por intermédio dos imigrantes japoneses. Em 1929, Kyujiro Kuwabara enxertou mudas de poncã que trouxera do Japão e começou a reproduzí-lo, inicialmente, no Estado de São Paulo.

Pepino
Chegou ao Brasil trazido pelos imigrantes europeus. Mas uma das variedades que ganhou fama no Brasil, a Aodai, foi trazida pelos japoneses nos anos 30.

Inhame
Pouco consumido no Brasil, ganhou espaço na mesa do brasileiro como ingrediente de sopa. As variedades japonesas, como Tsuchitare, Ishikaa Wase e Kurojiku, foram as mais apreciadas do mercado.

Broto de bambu
Produto incialmente exclusivo dos japoneses, ganhou adeptos entre os brasileiros. Algumas das principais variedades encontradas no País foram trazidas pelos imigrantes Ryotaro Shimomoto e Masami Yano.

Soja
Chegou ao Estado da Bahia em 1882, mas passou a ser cultivada mesmo em escala comercial pelos japoneses, que utiliza o produto em comidas típicas de sua culinária.

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