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(Texto: Helder
Horikawa/NB | Foto: Museu Histórico da Imigração
Japonesa no Brasil)
No dia 18
de junho de 2008, a comunidade nipo-brasileira comemora 100 anos da imigração
japonesa no País. Os primeiros 781 nipônicos, que desembarcaram
no Porto de Santos depois de 52 dias de viagem a bordo do navio Kasato
Maru, foram levados para as fazendas Floresta, em Itu, Sobrado, em São
Manoel, Canaã, Dumont, Guatapará e São Martinho,
na região de Ribeirão Preto. Em comum, cidades prósperas
do interior de São Paulo e com grandes lavouras cafeeiras, maior
riqueza brasileira da época.
Foi a partir
do café também que os imigrantes japoneses deram uma de
suas maiores contribuições ao Brasil: a ajuda ao desenvolvimento
agrícola. Até o século XIX, o Brasil só
vivia da cana, algodão e café e tinha uma mão-de-obra
sem qualquer qualificação. Os imigrantes mudaram esse cenário
a partir dos alemães em 1824. Em 1875, os italianos nos ensinaram
a cultivar o arroz irrigado, a uva e o trigo. E a partir de 1908, os japoneses
representaram uma evolução fantástica na área
do café e rapidamente desenvolveram outras produções.
Eles traziam uma cultura agrícola que não existia no Brasil,
diz Marcus Vinícius Pratini de Moraes, ministro da Agricultura
na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1999 e
2002.
Na verdade,
sabe-se que, historicamente, os japoneses encaminhados às seis
fazendas cafeeiras não vieram ao Brasil para fixar residência.
Muito pelo contrário. O contrato, efetuado entre o governo paulista
e a Companhia Imperial de Imigração Tokio-Japão em
6 de novembro de 1907, previa que os imigrantes nipônicos ficassem
por aqui por um período de cinco anos. Seria o tempo suficiente
para a constituição de uma reserva financeira para recomeçar
a vida do outro lado do mundo.

HISTÓRIA - Primeiras levas de imigrantes japoneses foram trazidas
para trabalhar nas lavouras de café do interior de São
Paulo |
O sonho de
ganhar dinheiro em uma curta temporada no Brasil tornou-se, no final das
contas, algo utópico. Aliás, ainda no primeiro ano de contrato,
apenas uma pequena parcela ficou nas fazendas que receberam a leva de
trabalhadores do Kasato Maru. O restante foi tentar a sorte, no primeiro
momento, em outras regiões do então sertão do Estado
de São Paulo, e mais tarde no Paraná e Triângulo Mineiro.
A partir de 1910 começam a surgir os primeiros sinais para a formação
dos núcleos coloniais, importantes peças na constituição
das comunidades agrícolas.
Com muita força
de vontade, os imigrantes japoneses foram conquistando espaço na
agricultura do País. De dedicados funcionários passaram
a notórios proprietários de terras. Esse processo intensificou-se
a partir de 1926, quando o governo japonês passou a investir e subsidiar
a compra de lotes, distribuindo-os a preços acessíveis a
quem tivesse interesse.
Já na
década de 30, a importância dos imigrantes japoneses na agricultura
brasileira poderia ser medida pelos números. Em 1931, por exemplo,
a produção de caroço de algodão dos nipônicos
representava 31% da produção paulista. Eles também
começavam a ganhar destaque nos cultivos de feijão, amendoim,
mandioca, cebola, bicho-da-seda, chá e batata.O agricultor
japonês é e sempre foi sistemático. É disciplinado,
organizado e trabalhador. Além de tudo isso, tem o dom natural
de cuidar de plantas, argumenta Pratini de Moraes, ao justificar
o sucesso dos japoneses no País.
Os imigrantes
e seus filhos passaram a ser admirados pelo desenvolvimento que deram
ao setor agrícola. São os precurssores na introdução
de novas técnicas que aumentaram a produção e a qualidade
dos produtos. Também foram os primeiros a fazer uso de fertilizantes
e inseticidas na lavoura.
Hoje, o agronegócio
é responsável por 33% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro,
42% das exportações tupiniquins e 37% dos empregos no País.
Com 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis
e de alta produtividade, além de outros 90 milhões ainda
a serem explorados, o Brasil é o campeão mundial na produção
de café, açúcar, álcool e sucos de frutas.
Parte desse sucesso deve ser creditado aos nossos imigrantes. Foi
também graças a chegada deles, que o Brasil e o Japão
acertaram convênios de cooperação agrícola.
Usufruímos de alta tecnologia e experiências extremamente
válidas, que foram proveitosas para que a agricultura brasileira
viesse a ser o que é hoje, revela Bonifácio Hideyuki
Nakasu, ex-diretor-executivo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa).
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