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Grafiteiros homenageiam imigração japonesa
Inspirados no Japão, 150 artistas pintaram o maior mural temático do mundo no túnel da Avenida Paulista

(Texto: Danilo Gregório/NB Fotos: Jin Yonezawa/NB)

Da criação do mundo, segundo a mitologia nipônica, ao trem-bala. Do surgimento dos samurais à Era Meiji. O maior mural temático de grafite do mundo, inaugurado domingo, 28 de janeiro, é uma homenagem aos cem anos da imigração japonesa no Brasil. Em ordem cronológica, a obra de 2.200 metros quadrados recria nas paredes do Complexo Viário Avenida Paulista/Dr. Arnaldo/Rebouças, mais conhecido como “túnel da Paulista”, a história e a cultura do Japão. Cerca de 150 artistas, em sua maioria grafiteiros, colaboraram nas ilustrações.


Liberdade artística: grafiteiros recriaram figuras tradicionais da cultura nipônica, como gueixas e samurais

O trabalho foi voluntário. Curadores do projeto “Olhar Nascente”, os designers Binho Ribeiro e Zeila Trevisan convidaram 17 nomes importantes do grafite, como Tinho, Jey, Tfreak e Tikka. Cada um deles convocou outras pessoas para formar grupos e cuidar dos temas. Com 20 anos de experiência nesse tipo de expressão artística, Tinho, codinome para Walter Tada Nomura, 33, é nikkei. “Procuramos mostrar a imigração japonesa do século XX até os dias de hoje, as influências do Japão no Brasil e vice-versa”, disse grafiteiro sobre o trecho sob sua responsabilidade.

Os grupos começaram a pintura na meia-noite de sábado, 27. Mesmo não estando totalmente concluída, a obra foi entregue à cidade no dia seguinte. A inauguração foi acompanhada de um culto ecumênico, apresentações de dança e brinde de saquê. Segundo organizadores, os últimos retoques no mural devem ser feitos ao longo dos próximos dias.

Trata-se de uma iniciativa da produtora cultural Celina Yano, diretora da Yano’s Quality, em conjunto com a Secretarias Especial de Participação e Parceira e de Coordenção das Subprefeituras. Em conformidade com a “Lei Cidade Limpa” (14.223), o “Olhar Nascente” obteve da Subprefeitura da Sé autorização para ser executado, mas o prazo de permanência no espaço ainda não foi fixado. A expectativa de Celina é de manter o mural até janeiro de 2008.


Inaugurada no domingo sem estar totalmente pronta, obra deve receber os últimos retoques nos próximo dias

Dependendo do sucesso da obra, a produtora espera conseguir permissão para montagem de mais dois painéis: um no Elevado Costa e Silva e outro no Viaduto Cidade de Osaka na Liberdade. A idéia do projeto no Minhocão é transmitir aos motoristas que passam no local a sensação de movimento dos mangás, enquanto o exemplar do viaduto pretende ser um convite a artistas japoneses a falarem do Brasil. O grafite, arte tipicamente urbana, também será o principal ingrediente.

“O grafite é o único movimento das artes plásticas que pode ser considerado contemporâneo. Os artistas doam-se e mostram a importância do trabalhar de uma forma integrada”, diz Celina. Para a produtora, essa mesma integração do grafite, de traços que se confundem, pode ser encontrarda no equilíbro e na harmonia da arte milenar japonesa. A organização dos artistas obedeceu a uma série de pesquisas e envolveu a consultoria de Carlos Glaujor, especialista na língua e na cultura nipônica.

Quem espera encontrar muito kanji e imagens clássicas do Japão pode se surpreender com os lutadores de sumô estilizados e as gueixas idealizadas pelos grafiteiros. No entanto, o propósito, avisa Binho Ribeiro, não é reproduzir de maneira fiel a arte milenar do país. Os artistas tiveram liberdade para criar. “É uma homenagem dos artistas de rua ao Japão.”

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