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Célia Abe Oi

Célia Oi - Alegrias e frustrações na direção do Museu

Museu Histórico da Imigração Japonesa retrata a trajetória dos japoneses no Brasil em ordem cronológica
Vídeo 1:
O Museu da Imigração Japonesa

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Duração: 1m41s
Vídeo 2:
Como é dirigir o Museu da Imigração Japonesa?
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Duração: 6m47s
Vídeo 3:
O que o Museu representa na sua vida?

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Duração: 1m48s
Vídeo 4:
O que o centenário representa para a senhora?

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Duração: 2m54s

(Texto: Suzana Sakai/NB | Fotos: Fernando Takahashi/NB)

Os encantos, lembranças e curiosidades presentes no Museu da Imigração Japonesa são mantidos pelo empenho da diretora Célia Oi.

No cargo desde 1998, ela foi a responsável pela montagem da exposição do nono andar e pela conquista de recursos do fundo nacional de cultura para a organização do acervo.

Apesar disso, Célia acredita que poderia ter feito muito mais pela instituição. Ela fala sobre as dificuldades, alegrias e frustrações do cargo e sobre os preparativos para o centenário, em uma entrevista exclusiva para o Japão-Brasil.

 
Vídeo 5:
Sobre o Centenário da Imigração Japonesa

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Duração: 5m36s
Vídeo 6:
Sobre o Centenário da Imigração Japonesa

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Duração: 2m07s
Entrevista
Nippo-Brasil - Como é dirigir o Museu da Imigração Japonesa?
Célia Oi -
Dirigir um Museu da Imigração Japonesa é uma coisa um pouco complicada. Complicada porque você tem um público específico. Eu acho que como descendente de japonês, você começa a lidar com aquele japonês do Japão, issei, não só aquele que vem do Japão, mas aquele que é a primeira geração de imigrantes. É muito complicado essa convivência. Não é que é complicado, a gente que nasceu aqui no Brasil não sabe muito bem. Acha que está acertando e no fim está errando tudo. Até eu me acostumar a ter uma convivência mais pacífica com esses senhores foi complicado. Eu acho que também tem o fato, é óbvio, de ser mulher. Ao mesmo tempo, eu sinto que é uma atividade muito interessante. Então, é uma coisa que te exige persistência, paciência. Tem a história de buscar os dados e encontrar. De você ter que necessariamente ler, aprender, buscar, pesquisar. É uma vida que a cada dia você vai acresentando e você vai encontrando compensações.

NB- Quais foram as suas principais conquistas enquanto diretora do Museu?
Célia -
O primeiro grande desafio foi montar a exposição do nono andar. Montamos um projeto grande e conseguimos viabilizar 60% desse projeto. Na realidade, queria montar esse andar, mas também reformar o sétimo e o oitavo andar, mas por falta de recursos fizemos apenas umas reformas estruturais e uma das mais importantes foi a substituição de toda a instalação elétrica desses dois andares. A exposição continuou como tal, parecida, não mudamos muito. Substituímos algumas pinturas, mas você não percebe muito que houve uma mudança.

Em termos de organização do acervo, a grande conquista foi ter conseguido algum recurso do fundo nacional de cultura, organizando um pouco a biblioteca e também iniciar um banco de dados.

Eu também posso juntar a essa pergunta, uma maior frustração, porque acho que elas pesam muito. Uma das grandes realizações foi montar uma estrutura de banco de dados. Hoje, temos servidor, computador, intranet, só que caminhamos muito pouco nesse banco de dados pela falta de mão-de-obra para tocar esse trabalho. É uma grande frustração. Sentimos muito principalmente quando recebemos grupos de pesquisadores. Em 10 anos de museu, como diretora, você tem realizações, mas também tem grandes frustrações.

NB - O que o Museu representa para a senhora?
Célia -
Representa uma parte muito importante da minha vida. Eu acho que não só pessoalmente, enquanto uma realização pessoal, mas também pela possibilidade de estar garantindo a existência de um local que possa guardar, ou que tenha guardado muitas informações sobre a memóriae a presença dos imigrantes japoneses. Consideramos determinados detalhes, ou um monte de detalhes importantes, para ser deixado, guardado, preservado, para uma quinta, sexta geração, ou para pessoas que não tem nada ver com a imigração japonesa, vir aqui até o museu e conseguir ter acesso e estudar esse material. Trabalhamos um pouco com essa expectativa de estar garantindo a preservação desses objetos. Portanto, acho que não só pelo fato de você pessoalmente estar lutando pra isso, mas eu acho que pela possibilidade da comunidade guardar sua história em termo de Brasil, em termo de mundo.

NB - O que os visitantes mais gostam de observar no Museu e o que não devem deixar de observar?
Célia
- Depende muito do visitante. Por exemplo, se você tem uma família de imigrantes ou de velhos imigrantes que vem com os netos, então é uma satisfação deles mostrar o navio que a família chegou. A cabana no sétimo andar fala desse momento que os imigrantes foram para frente de expansão e passaram a morar no meio das matas. É um momento em que as famílias gostam de falar dos antigos, sobre o sofrimento, sobre a dificuldade que foi aquilo. Agora, sem dúvida, uma grande atração do Museu é essa cabana. É um objeto, um marco que fala sobre a dificuldade deles.

NB - O Museu prepara alguma surpresa para o centenário?
Célia -
Não, o Museu nunca prepara surpresa. Ele tinha vários projetos, várias expectativas. Trabalhamos há 5 anos com uma série de projetos. Esses projetos em algum momento acabaram desandando. Sabemos que é uma questão de recursos financeiro e também por uma questão de uma liderança de alguém com pulso firme pra liderar os grandes pojetos que o Museu imaginou para o centenário. Eu tenho que admitir como diretora que isso será uma grande frustração para o Museu.

Pensamos para o centenário, por exemplo, uma expedição pelo Brasil, coletando não só depoimentos, como também objetos, documentos. Achamos que o Museu poderia organizar uma grande expedição, como foi feito em 1978. Eu acho que vai ser meio difícil concretizarmos esse projeto. Sinceramente, eu confesso que é uma incapacidade minha de ter encontrado fontes financiadoras que pudessem garantir esse recurso, porque é um projeto caro. Na época, cotamos algo em torno de R$ 2 milhões, sem gastar nada. E também alguém que fosse líder suficiente pra colocar na cabeça das pessoas da comunidade que isso é um projeto importante.

Hoje, em termos de centenário, o Museu está participando da elaboração da digitalização da lista de imigrantes japoneses. Temos a lista quase completa de todos os imigrantes que entraram no Brasil de 1908 até 1958. Listas nessa parte anterior à guerra. São listas de passageiros nos navios com dados sobre a constituição da família, a idade, para onde foram. As pessoas sempre quiseram saber da onde a família veio. Nesse momento queremos criar algumas referências para os descendentes japoneses em relação a origem deles enquanto imigrantes. Felizmente, o centenário está nos proporcionando a oportunidade de criar esse banco de dados com os nomes dos imigrantes.

NB - A senhora faz parte da comissão do centenário? Como estão sendo os preparativos?
Célia - Da mesma forma que tivemos as comemorações de 50, 60, 70, 80 anos, agora com o centenário existe uma expectativa maior, uma preocupação maior. Todo mundo quer participar, todo mundo quer fazer parte desse centenário. A Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa já prevendo essa grande festa, essa grande comemoração, montou uma comissão específica. O Museu mandou seus projetos e devido a própria incapacidade da instituição de conseguir recursos para vibializar esses projetos, hoje ele participa como um dos realizadores desse banco de dados dos imigrantes japoneses.

Eu acho que como toda grande festa, com grande participação das pessoas, existem muitos desencontros. Acho que alguns desses desencontros têm sido complicadores para o perfeito andamento das organizações desse evento. Eu diria que as pessoas integrantes da associação do centenário estão se esforçando para fazer a maior festa, mas eu diria que eles estão enfrentando uma série de dificuldades.

NB - O que o centenário representa para a senhora?
Célia - A imigração japonesa que começa para o Brasil em 1908 e teve um momento de grande intensificação nos meados da década de 20 até a década de 30 se dá em um momento de grande dificuldade do povo japonês. Temos os nossos antepassados, bisavós, avós e até pais que vieram para o Brasil sonhando com uma vida melhor. Eles queriam eles próprios ter conforto, conquistar alguma coisa. Vieram aqui, trabalharam intensamente em busca desse sonho. Então, acho que nós da segunda, terceira e quarta geração não podemos perder essa referência. A referência desse sonho dos nossos paisé muito importante para criarmos nossos sonhos e partir para a concretização. Acho que isso é muito importante, não só hoje para nós como brasileiros, mas também como filho de imigrantes japoneses. Às vezes perdemos um pouco essa referência. Agora às vezes também é um peso, uma certa obrigatoriedade de estar assumindo um pouco o sonho dos pais da gente. Mas eu acho que podemos construir nossos sonhos a partir disso daí. Enquanto descendente de japoneses, temos dois aspectos. Uma de descendente e outra de brasileiro. Então, precisamos trabalhar esses dois aspectos. Isso na época do centenário fica mais pesado. As pessoas começam a cobrar mais da gente e a gente também começa a se cobrar mais.

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