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Postado 05/02/2008
Centenário da imigração japonesa
(Depoimento de um bisneto do Presidente Affonso Penna)

Autor: Engº Affonso Augusto Moreira Penna

Neste ano comemora-se o centenário da imigração japonesa no Brasil. Foi no governo do Presidente Affonso Penna (15/11/1906 a 14/06/1909) que ocorreu, em junho de 1908, a chegada do navio Kasato Maru no porto de Santos. Ele, que tanto incentivou tal fato, não poderia supor que um dos seus bisnetos teria relacionamento intenso, em diversos campos de atuação, com japoneses e seus descendentes.

Em 1949, com 13 anos de idade, eu era nadador do Fluminense F.C. / Rio de Janeiro. Naquela ocasião vieram ao Brasil os nadadores japoneses chamados de “peixes voadores” pois haviam ganho várias provas nas Olimpíadas de 1948. Entre outras, fizeram exibições na piscina do Fluminense. Nosso técnico, o saudoso Hélio Lobo, pediu-nos para sentarmos na borda da piscina e observarmos a forma que os japoneses usavam para a “puxada” sub-aquática dos braços e mãos. Fui um dos que bem observaram e consegui melhorar, em 3 seg, meu tempo nos 100 m “crawl”.

Em 1951, na piscina do Fluminense, o excelente nadador de Marília/SP, o nisei Tetsuo Okamoto batia o record sul-ameicano dos 400 m “crawl”. No mesmo dia, calcado nos ensinamentos dos “peixes voadores”, eu integrei um revezamento 4x100 m “crawl” que bateu o record carioca da nossa categoria.

Na segunda metade da década de 1970 e início da de 1980, ocupei os cargos de Diretor Comercial e Presidente da FEM-Fábrica de Estruturas Metálicas S.A., subsidiária da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional. As principais usinas siderúrgicas brasileiras encetavam seus planos de expansão. Fui procurado, em Volta Redonda, pela “trading” japonesa Mitsui, para estudarmos um consórcio com a fabricante Tsubakimoto Chain Co., visando nossa participação em licitações para o fornecimento de transportadores de bobinas de aço. Juntos, galgamos o primeiro degrau que foi obter o enquadramento do nosso consórcio no BNDES. A seguir, fomos contemplados com encomendas da CSN, da USIMINAS e da COSIPA. Entre outros fatos, relato um episódio que ilustra o respeito dos japoneses à hierarquia empresarial e aos mais velhos. Éramos 5 pessoas numa mesa de reunião, no escritório da FEM no Rio de Janeiro: um gerente senior e um engenheiro junior da Tsubakimoto; um engenheiro junior e eu pela FEM; um representante da Mitsui. O engenheiro junior japonês começou a fumar, uma vez que, naquela época, as restrições não eram tantas como hoje. A fumaça que exalava do seu cigarro veio na minha direção e, instintivamente, a abanei. Imediatamente o gerente senior da Tsubakimoto franziu o cenho. mostrando seu descontentamento ao engenheiro junior. Este se ruborizou intensamente e apagou nervosamente o cigarro. Durante os vários trabalhos que o consórcio FEM-Tsubakimoto realizou, pude constatar a correção da empresa japonesa, bem como a competência de todos os que ela designou para os serviços no Brasil.

Mais recentemente, nos anos 2000, em minha empresa de comércio exterior, tive uma estagiária sansei cuja assiduidade, dedicação e eficácia, pude apreciar.

Concluo, dizendo que meu bisavô – o Presidente Affonso Penna – acertou em cheio ao incentivar a imigração japonesa no Brasil.

 
Postado 31/01/2008
Prezados Senhores do Nippo-Brasil
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Sou brasileiro, afro-descendente e, vejam só, Budista. Acredito muito que o budismo mudará o Brasil e, por essa razão, dou tanta importância para o centenário do desembarque do budismo aqui, através dos muitos japoneses que aqui aportaram em 1908.
Coincidência ou não, acabo de concluir a primeira tradução brasileira do Sutra de Lótus, que está publicada no blog abaixo, e transformou-se num livro.
Acho oportuno relatar esse fato que para mim, como budista da linhagem de Nitiren Daishonin, se reveste da maior importância. Gostaria, assim, de render as minhas mais sinceras homenagens ao povo japonês neste ano comemorativo, e colocar-me à inteira disposição da organização das festividades para uma eventual colaboração.

Atenciosamente.
Marcos Ubirajara
Visite:
http://muccamargo.wordpress.com/

 

A coragem de Paulo Yokota
(Carta de Jadir Matsuy, Presidente do Conselho Deliberativo da Assoçiação Nipo Brasileira de Goiás.)

Quero parabenizar o NIPPO-BRASIL pela grande contribuição que tem dado aos nikkeis do Brasil, sempre levando informação e conhecimento, que ajudam a perpetuar as tradições milenares de nossos ancestrais.

Sou engenheiro civil, empresário do ramo da construção, 49 anos, nissei e casado com sansei. Tenho minha vida ligada ao kaikan de Goiânia, onde atualmente sou presidente do conselho deliberativo. Cito isso para dizer que tenho grande experiência e convivência com colônias nipo-brasileiras de outras cidades (principalmente de São Paulo).

Fiquei surpreso com a opinião do Sr. Paulo Yokota sobre as difuculdades que a Associação do Centenário da Imigração vem enfrentando. Minha surpresa é positiva, já que o que foi escrito é corajoso, verdadeiro, real e retrata muito bem a minha visão que tive em 2003, quando fui convidado para ser um dos integrantes da comissão organizadora do Centenário. Mesmo não podendo estar presente nas reuniões, pedi que me fosse enviado as atas e nelas eu notava tudo isso que o Sr. Paulo diz no seu artigo.

Pela visão empresarial que tenho na minha vida pesssoal e que pude levar para o kaikan de Goiânia, quando diretor em várias gestões até ser presidente executivo no biênio 2002/2003, vejo que a comissão do Centenário precisa ser mais realista (sem ser pessimista). Nós empresarios sabemos que gastar é muito fácil, difícil é resolver a equação receita x despesa. Engana-se quem pensa que os goverrnos do Brasil e do Japão destinarão rios de recursos financeiros para nossa comemoração. E que empresários do dois países também fariam o mesmo. Nem mesmos as associações nipo-brasileiras espalhadas pelo Brasil afora contribuiriam de forma significativa para realizar alguma obra ou evento a ser realizado em outro estado.

O modelo de gestão adotado por nós da Asssociação Nipo-Brasileira de Goiás é que tem nos levado ao sucesso, tendo sido considerado pelos ex-embaixadores do Japão, Tadashi Ikeda e Takahiko Horimura, exemplo a serem seguidos por outros "nihonjikai", onde nós exploramos as nossas tradições culturais (culinária, música, dança, artesanatos, etc), promovendo festivais, jantares, jogos esportivos, angariando recursos financeiros com vendas de ingressos e buscando patrocínios institucionais municipal, estadual e federal, além é claro de patrocínios de empresas privadas. Esta "receita" bem preparada e planejada tem sido infalível.

Abraço
Jadir Matsuy
ANBG Assoçiação Nipo Brasileira de Goiás
Presidente do Conselho Deliberativo.


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